12 dezembro 2008

Uma das piores covardias;

"O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo." (Clarice Lispector)


Não há porque desistir de si próprio. Como diria Clarice: 'é imoral desistir de si mesmo.'
A desistência é apetrecho dos fracos e dos acomodados. Desistir de si mesmo, acima de tudo, é morrer tendo vida.
Por que não viver e sofrer as consequências disso?
Naturalmente viver traz consequências. A vida é uma consequência. Um dia você nasceu, em consequência disso, você está vivo agora. E viver resulta em consequências boas ou não. As consequências vão depender do modo com o qual você tem vivido. Desistir de si mesmo, por exemplo, não resultará em algo bom. Resultará numa profunda depressão e disso pode resultar até numa morte. Apesar de você já estar morto espiritualmente, pois morrer espiritualmente, creio eu, que é a pior morte.
O que nos leva à desistir de nós mesmos?
Seria a covardia? O medo de frustar-se com algo? A insegurança ao lidar com o desconhecido?
Não seja medroso, tenha a coragem de viver o que tem para ser vivido. Não tenha medo de se frustrar com algo ou com alguém; as frustrações, infelizmente, fazem parte das nossas vidas. A solução é saber lidar com elas, saber levantar-se depois de uma queda. Todos os dias, sem que percebamos, lidamos com o novo, com o desconhecido. Talvez o desconhecido nem seja tão monstruoso e tão feio assim. Como poderemos saber se ele é ruim ou não se não o conhecemos?
Largue a covardia, o medo e a insegurança. E comece a viver, viver sabiamente, intensamente.
Não seja adepto de uma das piores covardias: a de desistir de si mesmo.

(Erica Ferro)

08 dezembro 2008

Incapacidade;

Hoje me sinto mal. Mal por não conseguir escrever nada. Não consigo organizar as mil e uma idéias que existem em meu cérebro. A verdade é que eu acho que não sei escrever. Eu tenho impulsos de escrever coisas. Quando eles vêm, eu escrevo. Quando eles não vêm, não adianta forçar. Não sai nada, absolutamente nada.
Escrever é algo mágico para quem sabe fazê-lo. Transformar letras em palavras, palavras em frases e frases em marcantes textos.
Hoje me sinto incapaz de escrever qualquer coisa que seja útil para a humanidade.

{Erica Ferro}

06 dezembro 2008

Remédio;

O amor é um sentimento que excede todo e qualquer entendimento. Eu mesma já tentei definir, entender, expressar com precisão, mas foi em vão.
O amor não é algo que o cérebro humano consiga explicar.
O amor é algo excepcional, é algo extremamente especial. Ninguém consegue definir o que é o amor com exatidão. A definição no dicionário sobre o que é o amor é muito simplória, muito pobre. O amor é o sentimento mais nobre que existe, mas que as pessoas, sem querer, estão esquecendo de colocá-lo em prática. E isso se deve à que? Infelizmente, se deve à podridão do mundo, à cobiça, à busca excessiva por poder, é a péssima mania de pensar em si e somente em si mesmo. Esquecemos do amor ao próximo. Sim, o amor ao próximo! Talvez se agíssemos como agiríamos com nós mesmos, o mundo seria um lugar mais pacífico, mais prazeroso, mais bonito e mais humano.
O amor, na sua essência, é tão puro, tão doce. Por que não praticar a filosofia do amor?
Ora, deixe o amor brotar em seu coração, e, assim, verás que o amor é o remédio do qual o mundo precisa.


(Erica Ferro)

05 dezembro 2008

Mundo eriçado de antenas;

"O mundo eriçado de antenas, e eu captando o sinal."
(Clarice Lispector)



O mundo, a vida, a morte... cheios de mistérios; aparentemente, sem algumas respostas para certas perguntas. Mas será mesmo que não há respostas? Como é possível não haver respostas para algo? É como se eu tivesse feito um problema matemático, e para o mesmo não houvesse resultado. Até entenderia a ausência de um resultado se eu tivesse formulado mal o meu problema. Acho que algo só não terá uma resposta se não formularmos bem a pergunta. Tudo deve ter uma razão de ser. Certa música diz que querer entender o sentido de tudo é querer saber demais... Talvez eu queira saber demais. Tenho quase certeza disso. Talvez morra sem entender um terço daquilo que quero entender. Mas minha busca será insaciável, será intensa, será permanente. Permanente até o momento em que eu mudar. O ser humano está sujeito à mutações. Por isso não posso determinar nada PERMANENTE. A única coisa que posso afirmar de permanente é que diariamente mudarei, serei assim, uma mudança, uma mudança positiva. Avançar, nunca regredir. E é nessa lógica que eu vou captando o sinal, que eu vou entendendo o sentido das coisas, que eu vou entendendo o sentido da minha existência. Hoje, acredito que o sentido da vida é, realmente, viver. Viver sem medo, sem medo do desconhecido, sem medo do que possa nos ocorrer.


Devemos ter sempre coragem. A covardia não nos trará nenhum bem. Só nos trará a certeza do que poderíamos ser se não fôssemos tão covardes. Então, deixemos de lado a covardia. Tenhamos coragem de ser o que somos. Tenhamos coragem de enxergar o que vemos. Tenhamos um contato direto com a antena do mundo. Tenhamos um contato claro com a nossa própria antena interior. Tenhamos a coragem de entender aquilo que não se quer ser entendido. Às vezes não queremos entender algo, pois, para nós, não faz o mínimo sentido ou é assim que queremos: que não o faça, pela simples razão de não nos convir ou até mesmo para não largarmos o cobertor da ilusão. Pois, em certas ocasiões, a mentira, a ilusão, é mais doce, nos traz um bem mascarado, o bem de açúcar, que, em meio à chuva, vai-se derretendo. E só aí percebemos a mentira cômoda tão incômoda. Eu estou captando. Espero não perder o sinal. Espero não perder a visão. Espero sempre ter o discernimento para entender as coisas como elas são, para não me enganar, não me iludir e não distorcer o que eu captei.

{Erica Ferro}

04 dezembro 2008

Escrever;

Não sei se o que eu escrevo são poemas, poesias ou sonetos. Só sei que meus pensamentos se transportam para o papel. É um grito de liberdade. Um vômito de ressentimentos. Uma tradução não exata, mas aproximada, de uma alegria vivida. Coloco em frases o meu ser, os meus sonhos. Coloco no papel o conjunto de coisas que me impulsionam a respirar como também aquele que me tiram a respiração. Escrevo para me entender. Escrevo para expressar o inexprimível. Escrevo o que não consigo dizer com palavras e gestos. Escrevo, simplesmente escrevo.

{Erica Ferro}

Auto-descrição;

Um alguém, um ninguém, um quase, um nunca, um talvez. Acima de tudo, eu estou. Estou aqui, e isso já é o essencial. Às vezes é bom. Às vezes é ruim. Às vezes é confuso. Mas eu estou. E enquanto eu estiver, posso ser. E um dia eu serei.''

{Erica Ferro}

Curiosa semelhança;

É curioso a semelhança de uma ferida física e de uma ''ferida'' espiritual. Quando levamos um corte, o ferimento começa a sangrar. Sangra, sangra, até quando o sangue estanca. Nos dá uma impressão, pelo menos já tive essa impressão, de que acabou todo o nosso sangue. Ilusão! Grande ilusão! Ainda há uma grande reserva de sangue em todo o nosso corpo. Se tivermos um cuidado com o nosso ferimento, se utilizarmos um remédio eficaz, logo a ferida cicatrizará e só ficará a marca, e, se o tratamento tiver sido bom mesmo, nem marca ficará. A ''ferida'' espiritual, ou seja, uma dor, uma desilusão, dói, dói muito, sangramos por dentro; sofremos tanto até o ponto de pensarmos que não temos mais forças para suportar mais nada. Ilusão! Grande ilusão! Somos mais forte do que pensamos. A nossa reserva de força é grande, e nem mesmo um grande sofrimento pode consumi-la por completo. A dor passará, um dia passará ou pelo menos adormecerá. Se utilizarmos um bom ''remédio'', essa ''ferida'' também poderá ser sanada, e poderão não restar nem marcas. Nos dois casos, a cura depende da profundidade da ferida, do tratamento usado e da disposição do enfermo a se curar.

{Erica Ferro}

03 dezembro 2008

A morte nos mostra a vida;


''A morte me mostrou a vida.''

A vida é rodeada constantemente pela morte. Acredito que ela fique rondando-nos o tempo todo, preparando-se para dar o golpe fatal. E um dia consegue.

Confesso que tenho medo, medo da morte, medo de não poder mais fazer aquilo que eu gosto, de ver as pessoas que eu gosto, de ouvir música, de ver o céu, de ouvir o som dos pássaros, de nadar (que é minha maior paixão). Me angustio só em pensar nos livros que eu deixarei pela metade, sem serem lidos, me angustia as medalhas que poderiam não ser conquistadas se minha vida for interrompida. Me angustia não poder realizar meus sonhos, concretizar meus projetos. Me angustia a idéia de perder uma pessoa querida, uma pessoa muito próxima, uma pessoa da qual eu preciso muito, da qual eu sou extremamente dependente, ou pelo menos acho que sou. Eu entendo que a vida é um ciclo finito, pelo menos fisicamente falando: nascemos, crescemos, reproduzimos (ou não), mas morremos. É a lei, é normal, mas não consigo aceitar com tanta naturalidade. Talvez julgue a morte de maneira errada. Pinto ela como um monstro feio, que acaba com nossa alegria de viver. Mas não posso afirmar nada sobre ela. Não a conheço (e, muito obrigada, mas não pretendo conhecer nem tão cedo), mas um dia, infelizmente, conhecerei. Então, saberei (ou não). Sabe se lá se existem outras coisas além da morte. Mas o que realmente quero dizer com tudo isso é que por mais que você não veja sentido na sua vida, você é o sentido da sua vida. VOCÊ precisa mudá-la, já que não vê sentido nela. VOCÊ é quem faz as escolhas que resultam na sua vida. Então por que não escolher viver? Mas eu falo VIVER (com todas as letras e no sentido mais fiel da palavra). Falo em viver, sabe... Aproveitar a vida ao máximo, viver cada dia intensamente, porém sabiamente. Faça as melhores escolhas, faça do seu mundo, um mundo melhor, mais justo, mais alegre. A felicidade ela está batendo à sua porta, cabe a VOCÊ deixá-la entrar ou não. Eu sei que a vida não é sempre um mar de rosas, que todos temos nossos problemas, e que, às vezes, esses problemas se fazem maiores do que nossa capacidade de suportá-los; mas é engano. Nós somos mais fortes do que pensamos ser. Quando você acha que não tem mais forças, que não há mais como suportar a dor, a desilusão, o sofrimento diário, saiba que você é muito mais forte do que vem se mostrando ser. Acredite nisso! Não deixe a vida passar despercebida, não tire o bem mais precioso que nos foi dado, não desmereça o dom de viver. Viver, e não sobreviver. Há muita diferença nessas duas palavras, pelo menos eu as vejo como duas palavras diferentes, dois sentidos diferentes. Viver é aproveitar a vida ao máximo, é fazer o que se gosta, com amor, é amar as pessoas acima de tudo, é amar a si mesmo, é aceitar-se, é aceitar o outro como ele é, é mudar-se, se necessário, é acreditar nas palavras das pessoas que um dia erraram, elas merecem uma segunda, uma terceira, uma quarta chance... Sabe por que? Porque nós não somos poços de perfeição, nós não somos modelos de perfeição. Nós erramos, nós mentimos, nós falhamos. Se fôssemos perfeitos, poderíamos exigir a perfeição do próximo, mas não somos, logo, não temos o direito de exigir nada. Sobreviver é viver remoendo algo que não aconteceu, é viver mergulhado na sua dor, achando que ela é maior que você mesmo. Sobreviver é não viver, diria até que sobreviver é ser um morto-vivo.
O que devemos fazer sempre é: viver, viver com respeito, respeitando-se e respeitando os outros. Eu peço, de todo o meu coração, mais uma vez: VIVAM. O tempo está passando, rápido ou devagar, depende da sua situação, mas ele está passando. Faça algo hoje que proporcione uma alegria, diga as pessoas o quanto você as ama, escreva uma canção ou um poema. Cante, dance, pule ou simplesmente durma, se é disso que você precisa. Faça o que tem que ser feito, faça o que já deveria estar sendo feito, se você não estiver fazendo-o, comece a viver agora. Não há mais tempo para adiar essa decisão. VIVA!

(Erica Ferro)