31 março 2009

Ecoar;

O eco deve ser inesperado.
As ações que fazemos devem ser feitas pelo simples prazer de realizar.
Como se fosse respirar.
Nós respiramos sem esperar que ar nos chegue, porque algo irracional em nós sabe que o ar chegará.
Não sei se estou conseguindo ser clara.
Mas penso que deveríamos deixar dessa mania de fazer algo esperando outro algo, uma recompensa, ou coisa do gênero.
Nossas ações devem ser despretensiosas.
Que nossas palavras se transformem em vozes, em gritos, mas que não nos preocupemos em ecoar.
O que basta é saber falar, saber gritar.
O ecoar será apenas uma confirmação que nós
realmente soubemos realizar com maestria o que tinha de
ser feito.
(Erica Ferro)

30 março 2009

Parabéns, Ana! ♥

Bem, hoje, 30 de março, é aniversário da minha mais nova amiga virtual - Ana Seerig.
Conheci a Ana de uma forma muito diferente. Não foi em batepapo, nem nada desse gênero. Foi assim: estava olhando a comunidade da Clarice Lispector, lá tinha vários blogs de pessoas que também escreviam textos, poesias, devaneios, enfim, escreviam. Então, vi um blog bem interessante, de uma menina que escreve muito bem, e foi pelo blog dela que eu vi um comentário da Ana Seerig; aí, sim, tive o meu primeiro contato com a Ana, não direto, mas pude conhecer um pouco. Amei o blog dela, vi que ela é uma pessoa que busca sempre enriquecer seus conhecimentos, é uma pessoa que me parece gostar bastante de livros, de música; como eu, não é? Por isso me identifiquei bastante com a Ana. Resolvi então procurá-la no orkut, adicionei; fiquei um pouco apreensiva, achando que ela poderia não me aceitar, não sei, paranoia minha, talvez. Mas ela foi super gentil, me adicionou numa boa. A partir daí, do primeiro recadinho, senti, não sei como, que ela era uma pessoa especial. É uma coisa estranha, porque, veja bem, nós vemos uma pessoa pessoalmente, e ainda sim não podemos saber realmente de todos os seus sentimentos e intenções, enfim, não podemos saber quem ela é realmente. Mas eu senti algo muito diferente ao conhecer a Ana, sabe. Acho que é amizade mesmo, uma amizade em potencial; que eu sinto, que eu vejo a semente por trás de uma tela de computador.
Passamos esses dias por coisas desagradáveis, ela perdeu um amigo querido, e eu também. Então nós demos apoio uma a outra, da melhor maneira que pudemos. Estamos ainda muito chocadas e tristes com o que aconteceu. Mas seguiremos em frente, com a alegria, pelo menos, de ter conhecido esses nossos amigos que foram e sempre serão especiais e inesquecíveis em nossas vidas.

Ana, eu desejo, do fundo do meu coração, que você seja imensamente feliz. Que a sua vida, a cada dia, seja mais bonita e alegre de ser vivida, que você possa ter sempre forças nos momentos em que vida te derrubar no chão. Lute sempre por quem você ama, pelo o que você acredita, pelo o que você quer, e eu sei que você já luta, e nunca pretende parar de lutar.
Enfim, desejo muita saúde, muita paz, muitos presentes durante todos os dias de sua vida, que a cada manhã seu presente seja um presente, sabe. Que todos os dias possa ser um dia repleto de vitórias e aprendizados.
Bem, eu não posso te dar um abraço nesse dia, gostaria muito, mas não posso, a distância não permite. Mas sinta-se abraçada, viu?
Essa foi a maneira de fazer uma singela homenagem a você, Ana. E o presente que eu posso, no momento, lhe dar é a minha amizade, a minha cumplicidade, o meu carinho, o meu respeito.
Bom, Ana, é isso! Seja feliz, querida!
Parabéns!

(Erica Ferro)

29 março 2009

O que é normal?


"Alguém sabe dizer o que é normal? Pode parecer tão natural!"





Ontem eu estava assistindo "Caminho das Índias", e uma cena me chamou a atenção. Seu Cadore é dono de uma empresa - a cadore. Atualmente quem comanda a empresa são seus filhos - aliás, comandavam, agora quem comanda é o Ramiro. Bom, Ramiro é casado com Melissa e tem dois filhos com ela, o Tarso e a Inês. Tarso é um garoto lindo, por ele ser tão lindo assim a mãe sempre acha que as namoradas dele nunca estão a altura dele, e sempre dá um jeito de arrumar namoradas que ela acha que são ideais pra ele. Ele detesta isso, fica muito mal por nunca ter voz ativa. Ele faz faculdade de alguma coisa (esqueci no momento), acho que é de arquitetura e ele é músico, pelo menos gosta muito de violão. Só que o pai quer que ele assuma um cargo na empresa - a Cadore. Ele não quer, essa ideia não agrada a ele. Ele já tentou dizer que não queria, que não tinha jeito pra coisa, só que o pai dele não entende, não concorda. E o garoto, coitado, já anda desenvolvendo problemas psicológicos, acho que ele está tendo um começo de esquizofrenia, e os pais não percebem; acham que é manha, é "dengo". Não percebem que o menino está sofrendo, e que precisa viver a vida dele, do jeito que ele quer viver.


Mas, enfim...

Eu fiz esse discurso todo pra chegar até a Inês. Bem, a Inês é aquela pessoa totalmente fora do padrão. Se veste muito diferente das demais, cada acessório "louco". Enfim, ela vive bem no mundo dela. Apesar de viver naquela casa com os pais que só pensam nos seus interesses e tentam impor o desejo deles sempre, ela nunca se rendeu; sempre expôs e defende a opinião dela, nunca se dobrou, nunca se omitiu. A mãe dela detesta o modo dela se vestir, sabe? Chama ela de Alien, de esquisita, monstrinha; que não sabe como ela surgiu, que tem certeza que trocaram a filha dela por ela. Absurdos mesmo.
Então, então! Eu estou falando, falando e não cheguei aonde eu queria mesmo. Como o avô deles (Tarso e Inês), já tinha falado com o Tarso e visto que ele não queria assumir a Cadore, viu também que ele ficou muito nervoso ao falar no assunto, Seu Cadore viu que não deveria insistir nesse assunto com o Tarso; por isso foi falar com a Inês. Inês disse que não tinha condições, que não era a praia dela. Seu Cadore retrucou, disse que há muito tempo percebeu que ela tinha jeito para os negócios (é que a Inês desenha roupas, exóticas...estilo punk, sabe? e as vende pela internet), por isso perguntou se por acaso ela gostaria de assumir um cargo lá; mas ela não quis. Então ele perguntou se ela ficaria se vestindo e vendendo roupas "bizarras" assim até envelhecer, se ela ia viver assim pra sempre. Aí, sim, chegou a parte que eu gostei. Ela falou que todas as pessoas usam fantasias, só que estão tão acostumadas, que isso nem causa mais impacto entre elas; deu até exemplo das pessoas que viviam na época medieval, com todas aquelas armaduras, se vissem um homem da atualidade, no mínimo, achariam engraçado.
Então, o que eu queria falar era disso, que normalidade e verdade vai bem de cada um, do que cada um acredita e como convive com isso, sabe? Se a gente é feliz de um jeito, por que mudar, só porque a sociedade te acha diferente, estranho? Nunca mude só pra agradar os outros. Mude se for pra lhe agradar, se for pra se sentir melhor. O que importa na história é você, a sua felicidade, a sua verdade.

(Erica Ferro)Alinhar à direita

28 março 2009

Cansada de ser velha;

Às vezes eu me sinto tão repetitiva.
Faço e falo das mesmas coisas. Reclamo sempre dos mesmos problemas. Choro pelas mesmas tristezas. Me encolho pelos mesmos medos. Tudo tão igual, e tão diferente.
Parece igual, mas eu sei que há algo diferente. Muita coisa acontece no mundo. A planta cresce, o amor floresce, o ódio cresce, a gratidão e o perdão aparecem.
A mudança deve morar em mim, e eu ainda não sei em que parte - no coração, na razão, no fígado? Onde? Como achá-la, usá-la? É como se eu tivesse a chave da felicidade e a chave da mudança, e visse milhares de portas, mas não soubesse onde deveria usar aquelas chaves.
No fundo, sinto quais portas aquelas chaves abrem, a resposta deve estar em algum lugar, dentro ou perto de mim, é preciso achar. Me ajude a achar. Me ajude abrir as portas. Me ajude a ser nova.

(Erica Ferro)

25 março 2009

Saudade...

Por que hoje se tem, e amanhã não tem mais?
Por que hoje rimos, e amanhã choramos?
Por que a vida é tão surpreendentemente cruel?
Por que a saudade que eu sinto aqui não passa?

Puxa!
Por que as pessoas geralmente não reconhecem o que tem, só quando perdem é que percebem o quanto aquela coisa ou pessoa era especial e faz muita falta?
Por que, mesmo tendo tantas lições? Por que é tão difícil valorizar as coisas e as pessoas que se tem?
Por quê? Por quê?

Hoje cheguei naquela piscina, olhei em volta, e não vi meu amigo Pipi...
E, pior, tive a convicção desconvicta de que jamais o verei de novo ali.Isso é o que mais me entristece.
Não paro de pensar nisso que aconteceu, desse soco que a vida deu na nossa equipe.
Mas seguiremos em frente. Levaremos o sonho adiante, o sonho que nós dividimos por vários anos com ele.

Conquistaremos o que ele não pôde conquistar. E quando conquistarmos, dedicaremos também a ele.

Uma certeza que lateja na minha mente desde segunda à tarde: A VIDA É FRÁGIL.

(Erica Ferro)

24 março 2009

Vá em paz, Pipi!

Ontem fui tomada por um choque: a morte de um amigo, um amigo que nem era tão próximo, nem tão distante. Treinava comigo. Era uma boa pessoa, brincalhão, que demonstrava ter uma fé muito grande. Tinha uma determinação notável. Ele tentava sempre superar as dificuldades e conquistar o que ele queria.
Nadava muito bem. Era um dos melhores de Alagoas na sua categoria. Aquela piscina sentirá muita falta dele. Nós da equipe de natação sentiremos muita falta dele. Falta da alegria, da coragem que ele nos passava, de nunca desistir, nunca se entregar, sempre lutar.
Ele sempre tentava nos mostrar o lado bom das coisas.
Eu não consigo nem acreditar realmente. É tudo tão novo, tão cruel pra ser verdade.
Não fui ao velório dele, nem ao enterro. Não quis ter essa triste recordação. Prefiro lembrar dos momentos felizes que ele passou com toda a equipe, das muitas risadas que demos, das muitas braçadas que demos, das muitas competições que fomos e vencemos ou perdemos, mas estávamos juntos, dividindo um só sonho. E agora nossa equipe sente falta de um notável integrante, de um grande homem.

Perguntas que ando me fazendo ultimamente:

Quem fará a oração antes das viagens de competições?
(Era ele que fazia!)
Quem nos falará de Deus entre uma braçada e outra?
(Ele era que falava!)
Quem nos fazia rir ao ouvir o riso dele?
(Ele era quem nos contagiava com o seu riso)
Quando o veremos dar aquele show na piscina?
(Nunca mais nessa vida!)

Tantas perguntas, quase nenhuma resposta.
As pessoas desse mundo me assustam muito.
A humanidade está infectada por vários vírus: o do ódio, o da vingança, o da insensibilidade.
É triste saber que a vida de uma pessoa querida foi interrompida, que alguém se sentiu dono da vida dessa outra pessoa, e resolveu eliminá-la, acabar de vez com ela.
Eu me assombro com o modo como as pessoas morrem, porquê morrem...
Às vezes o motivo é tão imbecil.
Quanto vale uma vida, meu Deus?
Não me conformo. Por enquanto, não.

Tem uma música que diz muito desse momento que eu e todos que conheciam o Epitácio estamos passando:

A vida é frágil e viver
É um lindo momento
Quando se sabe amar
Notar a poesia perdida
No tempo rebuscar
Num eterno acreditar
Será que o sonho acabou?
Será que o que somos se foi?
Sei que a tempestade dará seu lugar a um dia de sol...

Tenho certeza que vou te encontrar
Não sei o dia e a hora
Mas sei o lugar
Sei que você está bem
Mesmo assim
Isso não me impede de chorar

Os nossos momentos
As nossas idéias
Presente em todas as canções
O que nós sentimos
Os nossos desejos seguirão
Em nossos corações
Você foi tão cedo
A vida é um mistério
E ela não diz porque...
Mas tua semente hoje está
Presente e vai florescer...

Tenho certeza que vou te encontrar
Não sei o dia e a hora
Mas sei o lugar
Sei que você está bem
Mesmo assim
Isso não me impede de chorar
***

Sentiremos falta do nosso amigo e companheiro de piscina, Epitácio!

23 março 2009

"Quem sempre quer vitória, e perde a glória de chorar!♫"

Chorar a derrota... já chorei várias vezes.
Para ser sincera, no momento, não via nenhuma glória nisso. Muito pelo contrário, só via desgraça.
Eu pensava: "Eu perdi, sou um zero à esquerda!"
Mas, depois que o gosto amargo da derrota ia se desfazendo na minha boca, pude perceber que perder nem sempre é sinônimo de ser um "zero à esquerda". Perder nos impulsiona, de alguma forma, para vitória. Cresce em nós o desejo de provar o doce chamado "vitória". Eu tive também a percepção que: fazer o que é necessário para se obter a vitória é o que importa, é o que vale de verdade.
A vitória é a consequência do que se faz, do quanto se empenha no que se quer.
Mas perder ou vencer uma vez não determina definitivamente o que eu sou de verdade. No momento em que eu desistir de vencer, aí, sim, eu serei uma perdedora. Não porque eu nunca venci, e sim por desistir de buscar essa vitória. Enquanto eu desejá-la, eu tenho chances de tê-la, ou seja, sou uma vencedora em potencial. No momento em que eu obtê-la, tentarei segurá-la sempre. Mas, se por acaso ela voar dos meus braços, vou procurá-la novamente, e assim será sempre. Não me conformo em não querer. Eu vivo desejando muitas coisas. Desistir delas é coisa que raramente eu costumo fazer. Eu posso até duvidar de que eu possa conseguir, mas eu tenho a tendência de sempre insistir.
Insisto que posso conseguir. Mando esse meu lado "incapaz" se calar e ir embora. Eu quero mesmo é a vitória. Quero mesmo é o gosto da vitória me aquecendo, me mostrando que eu consegui, que valeu a pena nunca desistir.

(Erica Ferro)

22 março 2009

Estrada apagada se iluminando;

Queria ter o controle sobre algo
Sobre alguém
Sobre tudo
Sobre nada

Às vezes eu só queria ter o controle sobre mim mesma
Coisa tão rara de acontecer
Então eu fico a viver
A errar

Erro na busca de acertar e me controlar
Errar é o caminho de acertar
Ou de viver sempre a errar
Eu estou achando o caminho dos acertos

Já vejo a luz
Naquela estrada
Por vezes
Apagada

(Erica Ferro)

20 março 2009

Por quê? Verdade? E se...

Por quê?

Por que é tão mais fácil rir quando o outro cai do que ajudá-lo a levantar? Porque não foi ele que caiu!
Por que é mais fácil falar do que escutar? Porque não é ele que tem tanta coisa pra falar, e ninguém pra escutar!
Por que no escuro alguns preferem criar ciladas para outros, ao invés de acender uma vela ou uma lanterna? Porque não é ele que está prestes a se espatifar ou cair no precipício por não enxergar nada.

Tantos porquês ecoam na minha cabeça, tantas respostas insistem responder às perguntas. Mas a verdade é que eu não sei da verdade. Queria saber... Mas ela é tão de cada um. Cada um defende até às últimas consequências o que chamam de verdade. E a gente fica naquela coisa de 'eu que estou certa, é assim que é, e não assim como você diz.'
Mas, e aí? É melhor não discutir? É melhor insistir? Ou é melhor fugir daqui com as nossas verdades e deixar as verdades dos outros se fazerem mentiras, e eles descobrirem que a nossa verdade sempre foi a certa? E se eles não virem que as verdades deles são mentiras? E se quiserem viver na ilusão? Temos o direito de insistir, de tentar abrir-lhes os olhos? Ou não?
Perceberam? Já estou, mais uma vez, agindo como se a minha verdade fosse a certa. E se for? E se não for? E se... se... se...

Ah! Não, não...
Eu desisto...
Por enquanto, é claro.

(Erica Ferro)

19 março 2009

Continuar;

A estrada está cheia de buracos. E está nevando. Eu continuo andando. Só não sei bem onde vou chegar, não consigo enxergar. Está tudo embaraçado. Mas eu preciso continuar. Sei que vou chegar a algum lugar.

E quando chegar, vou saber aproveitar o melhor que o lugar oferecer. Sei que posso vencer, seja aonde for. Vencer depende de mim. Depende de como eu ajo e reajo. Depende do que eu faço. Depende do que eu espero. Depende de continuar a caminhar, mesmo sem conseguir enxergar exatamente onde a estrada vai dar.

(Erica Ferro)

16 março 2009

Tudo fugindo de mim;

Vivo correndo ao encontro do sol
E o sol se escondendo ao me ver
O tempo se fecha
A chuva chora

A lua se encobre por trás das nuvens
O vento se irrita e fica cortante
Corta a minha pele
Meu coração, minha razão

Eu sinto assim
Tudo fugindo de mim
E eu sem conseguir
Chegar até o fim

(Erica Ferro)

15 março 2009

Verônica e o amor;

Verônica tinha 17 anos quando conheceu Jefferson, que na época tinha seus 22 anos. Foi numa festa que eles se viram pela primeira vez. Ele a achou linda, ela também, foi mais uma atração física. Ficaram naquela festa e trocaram telefones. Ambos adoraram a 'ficada'. Eles tinham química. No outro dia, Jefferson liga.

- Oi, Verônica. Ontem foi uma noite perfeita pra mim. Gostaria de muito de repetir a dose.

Verônica que também tinha adorado a noite que tinha passado com ele, disse que poderiam repetir a dose outras vezes, era só marcar. Marcaram de sair muitas outras vezes. Resolveram começar um namoro. Eles, além de namorados, ficaram grandes amigos, grandes cúmplices. Mas não era uma paixão avassaladora. O que os unia era uma coisa mais física, e, claro, a cumplicidade que eles tinham, eram amigos inseparáveis.

Verônica engravidou aos 18 anos. Jefferson teve um choque. A princípio, não se alegrou muito com a notícia. Mas, aos poucos, foi gostando da ideia de ser papai. Os pais de Verônica não quiseram ter uma filha mãe-solteira. Quase obrigaram Jefferson a se casar com Verônica. Jefferson não resistiu muito. Afinal, apesar de não ser louco de amores por Verônica, eram amigos e se entendiam bem. Sendo assim, ele tinha uma certeza de que poderiam ser felizes. Se casaram. O primeiro filho de Verônica se chamou Jonatas. Um criança linda, que trouxe uma alegria imensa pra casa. Quando Jonatas estava com 3 anos, Verônica engravidou mais uma vez. Dessa vez, nasceu Victor. Lindo, parecia muito com Verônica, os olhos, o sorriso, tudo lembrava Verônica. Jefferson e Verônica estavam tendo uma vida de casado mediana. Verônica cuidava dos filhos e do marido, e concluia a faculdade de jornalismo. Aos 24 anos, concluiu a faculdade, quando Jonatas tinha 6 anos e Victor 3 anos. Arrumou um emprego num jornal bem conceituado. Colocava as crianças na escola e ia trabalhar. Tinha uma vida de casada mediana, nem tão boa nem tão má. Eram amigos, se entendiam bem, mas ela sempre achou que faltava algo... Talvez o casamento fosse muito insoso... necessitava um pouco de tempero. Mas estava indo tudo bem, tinha convivido tanto tempo com isso, esse casamento mal temperado, que já tinha se acostumado.

Quando tinha 6 anos de trabalho no jornal, entrou um novo jornalista. Seu nome era Murilo, um homem deveras charmoso, voz sensual, um olhar cativante e sedutor. Verônica ficou perturbada com a presença daquele homem. Não sabia porquê, mas a proximidade dele estava deixando-a incomodada. Eles trabalhavam juntos. Constantemente um tinha que falar com o outro para resolver coisas cotidianas do jornal. Como disse, Murilo era um homem encantador, cheio de charme e com uma conversa agradabilíssima. Ficaram amigos, muito amigos. Os meses foram se passando, e a amizade dos dois aumentando. Murilo sabia que Verônica era casada e que tinha filhos, mas se sentia muito atraído por ela e com o tempo a atração só aumentou, ele contava os problemas dele pra ela, e ela sempre com aquele jeitinho meigo e gentil de aconselhá-lo, acalmá-lo, ele adorava esse jeito doce dela. Quando chegou a um certo tempo, Verônica e Murilo não se viam apenas como amigos, algo mais tinha brotado em seus corações. O que os dois sentiam quando se viam era diferente de tudo que eles tinham vivido durante toda a vida. A sensação de estar perto um do outro era de aconchego, de proteção, amor...
Eles foram se apaixonando a cada dia mais. Verônica andava muito confusa, e com raiva de si mesma, pensava que era uma traidora, tinha um marido que era um grande amigo, filhos maravilhosos, mas Murilo estava sendo uma coisa tão linda na vida dela. Um amigo, um amor, um amor forte, intenso... Ela nunca tinha vivido nada igual. Tinha uma vontade enorme de viver aquilo, de beijá-lo, abraçá-lo sem reservas. Mas sentia que não podia, não podia ser infiel ao marido e aos filhos. Aquela angústia foi crescendo no peito de Verônica. Numa tarde, após o expediente, Verônica resolve conversar com Murilo, sobre aquilo tudo que estava sentindo, aquele amor que tinha nascido de uma forma linda.
Verônica começou:

- Murilo, tenho tanta coisa pra te falar. Ando tão confusa...

- O que aconteceu, Verônica? Posso lhe ajudar? - ele sempre atencioso, sempre pronto a ajudar.

- Ah, Murilo... Olha, eu... nem sei como te dizer isso, como te explicar o que se passa comigo. Eu sou casada, como você sabe, tenho filhos lindos, um marido que me entende e me ama, só que eu... eu me apaixonei por um homem, um homem que despertou coisas que jamais pensei sentir.

Murilo se preocupou naquela hora, cogitou a possibilidade de Verônica ter se apaixonado por outro, e esse outro não ser ele, o que ia doer mais ainda. Com a voz falha, Murilo disse:

- Bom, Verônica... Não sou ninguém pra te julgar, dizer que foi imoral você ter se apaixonado por outro, mesmo sendo casada. Poderia acontecer com qualquer um... É natural isso acontecer. Eu também... - Nessa hora Murilo parou de falar. Ele ia dizer que também tinha se apaixonado, e que a mulher era comprometida, e era, nada mais, nada menos, do que ela própria.

- É... Eu sei que é algo natural, que pode ocorrer com qualquer um. Mas, e agora? O que eu vou fazer? Sinto uma vontade imensa de viver esse amor. Mas como? Não posso trair o Jefferson, mas também não penso em me separar, pelo menos até agora não...

- Verônica, quando o amor chega e bate a nossa porta, acho que devemos abrir... mandá-lo ir é jogar fora nossa chance de sermos felizes e realizados. - respondeu Jefferson.

- É, olha... eu tenho que ir, está na minha hora. Vou pensar muito sobre isso, amanhã te conto o que eu decidi.

Verônica mal conseguiu dormir, estava pensando em contar o que estava sentindo a Murilo, queria contar-lhe do que ela tinha carregado todos esses meses no peito. Depois de muito se contorcer na cama, pensando naquilo tudo, decidiu que na manhã seguinte, no trabalho, falaria do seu amor a Murilo, se ele correspondesse, ela estava disposta a se separar. Achou que tudo ia ser amigavelmente, já que ela e Jefferson eram muito amigos.
Na manhã seguinte, chega mais linda e radiante do que nunca, dá um bom dia caloroso a Murilo e começa o seu dia de trabalho. Já eram 11:50 quando Verônica chamou Murilo para almoçar.

- Murilo, preciso conversar contigo sobre aquilo de ontem... Pensei bem na questão e tomei a decisão. - Disse ela, olhando fixamente para os olhos dele.

- Ah... eu aceito, sim, almoçar contigo. Vou adorar, estou morrendo de fome... - Disse isso dando um lindo sorriso a ela, que ficou encantada.

- Então, vamos...

Almoçaram, depois de terminarem a refeição, Verônica começa.

- Bem, Murilo, como eu te disse, me apaixonei por um homem encantador, gentil, amigo... não que meu marido não seja meu grande amigo. Ele é, só que o homem por qual me apaixonei, eu sinto coisas quando estou com ele que não sei dizer... É tão mágico, tão... ai, nem sei adjetivar...

Murilo ficou muito surpreso ao escutar "eu sinto coisas quando estou com ele que não sei dizer...". Ele não se conteve e perguntou:

- Você já... digo, você já teve algum tipo de... de contato com ele, já o beijou ou algo do tipo?

- Não, Murilo... ainda não, mas a cada dia que passa, fica mais difícil de me segurar. O que eu estou sentindo é muito forte. A minha vontade é de gritar que o amo... desesperadamente.

- Nossa, Verônica! Você está mesmo apaixonada. Bem queria que uma mulher estivesse nesse alto grau de amores por mim...

O coração de Verônica bombeou descompassadamente. As mãos começaram a tremer e a voz saiu fraca:

- Ah... mas... quem sabe se... se já não existe alguém apaixonado por você, perdidamente, e você nem nota...

- Será? Um pouco difícil disso ser verdade. Mas se existisse, ela já teria me dito alguma coisa, já tinha me procurado, dado algum sinal...

- Talvez seja difícil pra ela. Talvez ela esteja confusa...

Murilo viu uma luz no fim do túnel. Talvez esse homem dos sonhos de Verônica fosse ele. Logo que pensou isso, se irritou consigo mesmo, se perguntou como poderia pensar que aquela mulher extraordinária estava apaixonada por ele.

- Murilo, eu prometi pra mim mesma que ia resolver essa história hoje... só que eu tenho medo de que eu não seja correspondida, vê se na minha idade, com todos os filhos e experiências que tenho, me cabe ter medo... mas eu ainda tenho, sinto às vezes que sou uma menininha indefesa, sem saber por onde ir, por qual estrada seguir.

- Não tenha medo, meu bem. - nessa hora, Murilo colocou suas mãos entrelaçadas nas delas. Olhou-a fixamente nos olhos e prosseguiu - Eu quero te ver feliz, Verônica. Tenho um carinho enorme por você. Você é linda, uma pessoa que eu sei que posso contar, que eu me alegro só de ver, que me faz muito feliz...

Verônica sentiu mais confiança em dizer aquilo que pretendia. E, sem demora, disse:

- Murilo, eu... eu gosto de você, muito, você me faz muito feliz também... sua amizade pra mim é essencial, só que... - parou de falar.

- Só que... O quê? - Disse Murilo curiosamente e ansioso pela resposta de Verônica.

- Só que... que eu te amo. Pronto, é isso... eu te amo, foi você que me despertou um amor que eu jamais tinha vivido. Eu... eu queria viver isso... mas eu nem sei se você me... me vê da mesma forma que eu te vejo.

- Verônica, esperei tanto por ouvir isso. Disse a mim mesmo que nunca iria ouvir isso, que você é uma mulher casada, que ama os filhos e o marido, jamais pensei que eu fosse correspondido. Ah... você não sabe o quanto me alegra saber que me ama, Verônica. Eu te amo tanto, esperei tanto por isso...

Os rostos de ambos foram se aproximando lentamente, docemente. E o beijo mais doce, mais apaixonado, mais esperado aconteceu. Os dois se olharam por alguns segundos e Murilo falou:

- E agora, meu amor? Como fica tudo isso? E os seus filhos, como reagirão?

- Não sei, meu bem. Não sei como reagirão, acho que vão me odiar, eles amam o pai, não suportariam uma separação, mas eu preciso me separar, sei que com o tempo eles se acostumam.

- Está bem, meu amor. Quando pretende falar com eles?

- Hoje mesmo. Hoje assim que chegar em casa, chamo os garotos e converso com eles. Depois quando Jefferson chegar, falo com ele, explico... Não sei se ele vai entender, mas eu preciso tentar explicar.

- É, sim, amor. Você não pode ficar assim, nessa agonia, precisa tomar uma decisão, um rumo. Olha, querida, não quero te apressar, mas já está acabando a hora do almoço, faltam apenas 5 minutos.

- Nossa, o tempo voou. Vamos, então.

Voltaram ao trabalho com uma felicidade quase completa. Eles se amavam, o único problema era como o marido e os filhos iriam reagir ao saber desse amor.

Depois de um dia de trabalho puxado, Verônica chega do trabalho decidida a conversar com filhos. Só não sabia como começar. Jonatas já tinha 12 anos e Victor 9. Achou que talvez fosse fácil de explicar o que estava se passando. Não foi, eles entenderam bem, só que não concordaram em nada. Jonatas falou que era ela uma traidora, que o pai a amava tanto e ela foi se apaixonar por outro homem, que jamais perdoaria isso. Victor ficou muito chateado com aquilo tudo também, mas, ao contrário do irmão, foi para o seu quarto depois de olhar tristemente para mãe e se pôs a chorar. Jefferson chegou e a casa estava com aquele clima pesado... Jonatas olhava com raiva e tristeza para mãe, Victor estava num canto calado, triste também. Jefferson perguntou o que estava acontecendo ali. Verônica lhe explicou tudo. Contou-lhe do seu amor por Murilo, da rejeição das crianças pela ideia. Jefferson ficou transtornado ao saber que ela estava amando outro. Não pode aceitar aquilo de jeito nenhum. Disse que ela era uma falsa, que ele só tinha dado amor a ela, e ela tinha se apaixonado por outro, que seria melhor se tivesse a traido várias vezes, assim ela iria gostar dele. Jefferson disse que não queria mais ver a cara de Verônica e que só daria uma semana para ela sair de casa que, agora, era dele. E que ela não iria mais ver os filhos. Ela revidou, brigou e disse que já queria guerra, ele ia ter guerra. Disse que ia contratar um ótimo advogado para tratar de ter a guarda dos filhos.

Saiu de casa dois dias depois da briga. Foi morar com Murilo. Nesse momento tão difícil, Murilo era sua fortaleza. Ele tinha um amigo que era um ótimo advogado e que iria fazer de tudo para Verônica ter a guarda dos filhos. Os dias iam passando, a saudade dos filhos aumentava cada vez mais... ela não tinha autorização de ver os meninos mais. Agora lutava na justiça para poder os ter de volta. Depois de muita luta, muita briga, o juiz decidiu que o pai é que teria a guarda dos filhos e que Verônica só poderia vê-los a cada quinze dias. Verônica ficou desolada, pensou se aquilo tudo iria valer a pena, trocar os filhos por um homem, por mais gentil, carinhoso, por mais que ela amasse o Murilo, ela não sabia se aquilo ia valer a pena. Murilo ao ver sua aflição, lhe deu total apoio, tentou acalmá-la, tentou fazer dos dias dela os mais felizes possíveis. E estava conseguindo. Verônica estava sendo feliz como nunca tinha sido antes. Eles trabalhavam durante o dia, quando saiam do trabalho, iam ver o mar, dançar ou jantar. Sempre Murilo inova com alguma coisa. Gostava de dar flores para Verônica, bombons. Era um cavalheiro daqueles raros. Mas Verônica sentia falta de estar com os filhos. Às vezes raras vezes que os viam, eles mal a olhavam pra ela, ainda estavam muito magoados e pareciam ficar assim pra sempre. Isso entristecia demais Verônica. Encontrava forças para prosseguir em Murilo.

Após 5 anos de separação, as feridas ainda permaneciam abertas. Os filhos estavam irredutíveis. Verônica andava abatida com aquilo. Murilo ao ver toda aquela tristeza de Verônica, mesmo tentando fazer de quase tudo para animá-la, resolveu pedir férias pra ele e pra ela. Conseguiu. Resolveram viajar. Pegaram a estrada às cinco da tarde. Verônica reclamou, disse que logo, logo iria anoitecer, e ficaria perigoso pra viajar à noite. Murilo, acostumado a fazer viagens noturnas, tentou tranquilizá-la. Pegaram a estrada. Depois de uma hora de viagem, a chuva começou a cair, fortemente, deixando Verônica com um mal presságio. Murilo mal conseguia enxergar, estava ficando cada vez mais difícil de dirigir. Numa curva, com a chuva, o carro derrapou. O carro se chocou em uma árvore, o choque foi tanto que os dois desmaiaram. Ficaram lá durante um tempo, até que alguém chamou uma ambulância. Os filhos de Verônica e o ex-marido foram avisados do acidente. Eles ficaram desesperados e culparam Murilo. O impacto que Murilo sofreu foi muito menor do que o de Verônica. Murilo acordou com muita dor na cabeça. Ficou em observação durante dois dias, foi devidamente medicado e liberado. Verônica entrou em coma. Murilo estava inconsolável, não saia do hospital por nada. Fez do hospital a casa temporária dele. Ansiava por uma resposta dos médicos, esperava que Verônica acordasse e acabasse com aquele pesadelo. Do outro lado, os filhos choravam e se arrependiam amargamente de terem maltratado a mãe, que se pudessem voltar atrás, ia ser tudo diferente. A ideia da mãe morrer os aterrorizava.

Após dois meses em coma, e muito sofrimento de dois filhos arrependidos e um Murilo desesperado, com as esperanças quase se esgotando, Verônica saiu do coma. Os filhos ficaram radiantes de felizes. Choraram de alegria, pediram desculpas. Disseram que tinham sido egoístas com ela, que não haviam pensando na felicidade dela, e apenas na deles. Disseram também que poderam ver o amor que o Murilo tinha por ela, ela não havia saído do hospital para quase nada. Só saia porque precisava tocar a vida de algum jeito, mas a maior parte do seu dia era lá no hospital, esperando que ela acordasse, e quando não estava lá, ligava constantemente para saber notícias dela. Verônica ficou nas nuvens com aquilo tudo. Se entendeu com os filhos, tinha o melhor homem do mundo ao seu lado e ainda tinha dado uma rasteira na morte. Depois de Verônica se recuperar completamente, conseguiu desfrutar de uma vida que ela nunca pensou que teria. Conheceu a felicidade plena. Os filhos dela pediram autorização ao pai, o pai liberou para que eles a vissem sempre que a saudade apertasse. E isso era sempre. Eles passaram a ver o Murilo de uma forma melhor, como o homem que ama a mãe deles e que só quer vê-la feliz e que também não era inimigo deles, eles puderam conhecer o grande homem que Murilo era, alegre, simpático, inteligente, com várias histórias pra contar. Verônica, Murilo e os filhos viveram dias incríveis juntos. E até o pai, que a essa altura tinha arrumado uma namorada, saía de vez em quando com eles. Todos eles puderam enxergar a verdadeira essência do amor, que não é prender, não é ser egoísta, que é pensar na felicidade do outro, compreender, ver quando é hora de parar, ver quando é hora de seguir viagem por outra estrada e assim ir vivendo, aprendendo e amando sempre.


(Erica Ferro)

14 março 2009

Maria;

Maria era uma menina linda, às vezes tímida, mas muito amiga e alegre com a maioria das pessoas. Tinha em especial um amigo, chamado João. Eles tinham uma amizade linda. Todos os dias brincavam alegremente. Eram, de fato, grandes amigos.
Com o passar dos anos, Maria foi sentindo algo diferente por João. Nunca tinha sentido aquilo por ninguém. João parecia o mesmo com ela, o brincalhão, que conversava até altas horas, o amigo que ia com ela todos os dias à escola. Estudavam em salas separadas, mas na mesma escola. Sempre um esperava o outro pra irem juntos para casa.
Maria a cada dia pensava mais em João. Todos os dias que ia à escola com ele, sentia uma vontade imensa de abraçá-lo. Não o fazia, Maria era uma menina tímida para isso. Não teria coragem de agarrar João, mesmo que fosse seu amigo de anos. Sua amizade com João não era muito "corporal"... Eram amigos, sim, mas não ao ponto de ficarem se abraçando ou nada do gênero. Logo, Maria pensou se abraçasse João ''do nada'', João ficaria muito surpreso.
Maria tinha 13 anos, João 14. Ela nunca tinha beijado ninguém na vida. E morria de vontade de perguntar se João já tinha feito isso e com quem tinha sido. Certo dia, Maria se desfez de sua timidez por um momento e resolveu "abrir caminho" para uma futura declaração.
Disse:

- João, eu ando pensando tanto em alguém. Todos os dias que acordo só consigo pensar nele, em vê-lo. Gostaria mesmo era de abraçá-lo quando eu o vejo. Mas não sei... Não tenho coragem. Tenho medo que ele me ache um pouco atirada demais, doida demais... Ai, acho que estou apaixonada.

- Humm... Maria apaixonada, essa é nova. E quem é ele?

Nessa hora Maria sentiu a cabeça girar, as mãos tremeram, ela tentou conter todo o seu nervosismo. E disse:

- Um amigo meu...

- Da escola?

- Errr... Também.

- Ah, Maria, conta pra mim... Fiquei curioso. Você não vai esconder isso de mim, vai?

Maria notou que ela não tinha aberto caminho pra uma declaração, ela notou que tinha começado a se declarar e que seria naquele momento que tudo ia se resolver ou embaralhar de vez. Teve forças. Foi um impulso, uma coisa que Maria talvez um dia poderia se arrepender, mas ela nem teve tempo de pensar nessa possibilidade. E confessou:

- É um amigo meu, de infância, ele veio morar aqui aos 7 anos. O via como meu amigo apenas. Mas não sei se vejo só assim ainda. Penso nele diariamente. Ele me faz sorrir, me faz cantar, me faz correr com ele à caminho da escola. Fica até altas horas da noite na calçada comigo, contando histórias...

Nessa hora foi a vez de João tremer... Não deixou isso ficar claro para Maria. Mas ele sentiu que ela falava dele... E resolveu falar algo que há tempos gostaria de ter falado. João também estava apaixonado por Maria. Não deixava que isso transparecesse de maneira nenhuma. Não queria sofrer com a possibilidade de Maria só tê-lo como amigo e não quisesse nada mais que isso com ele. Depois de alguns segundos de reflexão, disse:

- Maria... Acho que estou começando a entender...

Maria quase cai de costas quando ele disse isso, mas se segurou. Ele prosseguiu:

- Olha - pegou a mão dela com delicadeza, e com determinação - Eu tenho algo a dizer, já que você ''abriu o caminho'', vou confessar algo que há muito tempo mora dentro de mim. Um sentimento que eu nunca tinha sentido por ti floresceu de uma maneira que eu nunca imaginei. Eu acho que eu estou gostando de você. Penso em você. Me alegro ao saber que vou te ver... Vo-você quer ser minha namorada?

Maria nessa hora sentiu que havia algo em seu estômago, borboletas talvez... Não conseguiu falar. Apenas o abraçou, um abraço demorado, depois os dois ficaram olhando um para o outro, e o beijo aconteceu. Era o primeiro beijo dos dois. Momento mágico. Momento que nenhum deles esqueceu.

Namoraram durante toda a adolescência... Nunca tiveram brigas sérias. Nunca se separaram. Era um amor de verdade. Resolveram ficar noivos. Casaram. Tiveram anos perfeitos... Viveram intensos dias de amor. Decidiram não ter filhos ainda. Aproveitaram cada momento juntos. Planejaram uma viagem. Depois da viagem, pensariam em ter filhos. Malas prontas. Animados mais do que nunca. Pegaram a estrada. Felizes, música animada, sorrisos estampados no rosto. A viagem perfeita, se não fosse por...

Um carro desgovernado veio de encontro ao carro de Maria e João. João estava dirigindo, tentou desviar. Não teve como. Os carros se chocaram. João morreu no local. Maria sobreviveu. Maria ficou desolada quando acordou já no hospital e perguntou por João, uma enfermeira com ar pesaroso lhe respondeu:

- Sinto muito...

Naquele momento, Maria sentiu que haviam arrancado seu coração. Sua razão de existir. Amava João, desesperadamente. Não conseguiu se recuperar da perda. Seu amigo de infância, o seu amor... Seu único amor. A única boca que tinha beijado em toda a sua vida agora estava fria. Maria morria um pouco mais a cada amanhecer. Não conseguia se alimentar, dormir ou viver. Só queria ir ao encontro de João.

Numa manhã ensolarada, encontraram Maria na cama, face pálida, pulso silencioso e um leve sorriso no rosto.

(Erica Ferro)

13 março 2009

Amar;

Te sentir, mesmo sem presenciar teu respirar
Te ver, mesmo estando a mil quilômetros de você
Te ouvir, mesmo sem falar com você
Te querer, mesmo sem poder

Te querer é loucura
Quero o que não se pode ter
Posso lutar noite e dia,
Não terei êxito

Meu amor é seu,
Mas o seu não é meu
Não te terei
Mas sempre te amarei

(Erica Ferro)

12 março 2009

Quarto escuro e um fiapo de luz;

Num quarto escuro, um coração ainda batia, meio fraco. Um ser humano ainda respirava, mesmo que sua respiração fosse praticamente imperceptível. Sua face fora cuspida. Sua dignidade fora posta à prova, fora questionada. A pressão foi tamanha, que o derrubou no chão. E não se levantou. Naquele canto do quarto ficou. O mundo pra ele acabou. Os sonhos? Arrancaram-lhe. A esperança? Não sabia nem o que era isso. Talvez mais uma palavrinha ilusória de que amanhã daria tudo certo. Mas não daria, ele sabia. Não daria porque ele tinha convicção de que naquele mundo não havia espaço, não havia lugar pra ele. Ele era muito grande, muito espaçoso pra caber num espaço tão estreito como aquele mundo. As pessoas lhe causavam náuseas. Eram falsas, dissimuladas, odiáveis. Ele não conseguia, não podia continuar a se enganar. Então, lhe veio a ideia de tirar a sua condição de ser vivente. Queria sumir, ou melhor, queria encontrar algum lugar melhor para que pudesse descansar. A ideia se transformou em ato. Pouco a pouco sua respiração foi se estancando. Seu coração já não se ouvia mais. Acho que ele tinha ido. Onde chegou? Não sei. Se conseguiu descansar? Talvez. Acabou com a dor, com a sua dor. Mas creio que não foi a solução adequada. Ele podia ter feito uma dieta para se encaixar naquele mundo. Também podia ter feito uma revolução para que as pessoas fossem mais espaçosas, mais verdadeiras, mais amáveis. Poderia ter construído um mundo só pra ele. Poderia ter feito tantas coisas... Mas não fez, ele já não sofre mais, mas também não vive mais.

(Erica Ferro)

11 março 2009

Acompanhada;

Desprovida de companhias de carne e osso
Ainda sim, me acompanham as lembranças
Os rostos... sempre constantes em minha memória;
As fotos... não tiradas;
Os gestos... não feitos;
As palavras... não ditas, ou quase ditas, talvez sentidas;
Os sonhos... apenas sonhados, mas não realizados, ainda;

Levo comigo sempre aquelas lembranças dos 'algos' não acontecidos, ou quase acontecidos de ontem. Contudo, também levo comigo a esperança e a vontade de que amanhã aconteçam. E eu vou fazer com que aconteçam. Pois quem não se move, não pode esperar que a vida ande, que algo aconteça, que a vida floresça.

(Erica Ferro)

10 março 2009

Viver;

Hoje estava pensando na grandeza da vida.


É tão grande viver. Tanta coisa espero de uma vida. Tanta coisa eu espero da minha vida. Tanta coisa quero ler. Queria, até, escrever um livro ou coisa assim. Mas não, acho que não tenho todo o conhecimento e todos os requisitos para tal. Quero ser uma grande nadadora. Quem sabe até bater um recorde mundial. Eu tenho tantos sonhos. Tantos desejos. Quero provar de tantos perfumes. Viver um grande amor. Chorar de alegria. Rir da tristeza. Quero ser mais, mais do que eu sou hoje e mais do que eu penso que quero ser amanhã. Tenho uma fome tão grande de viver. Mas os meus medos parecem bloquear os meus pés para não andar nos lugares que anseio ir, eles dizem que eu vou cair e me ferir; bloqueiam minhas mãos para não tocar as flores do meu destino, meus medos sopram ao meus ouvidos que aquelas flores têm espinhos; bloqueiam meus olhos para que eu não veja a beleza do céu, mesmo nublado, meus medos dizem que vai chover e que eu vou me molhar. Tenho muitos medos, vários devaneios. Tenho medo de me magoar, de me ferir; de morrer de dor, de amor. Sei que não posso temer certas coisas, não a ponto de não viver. Preciso vencer, saltar as barreiras dos medos que me rodeiam. Danem-se os meus medos. Danem-se tudo aquilo que me impede de viver. Eu preciso viver, independente de tudo o que me amedronta. O tempo é curto. Os medos existem, a vida também. O relógio não perdoa, não espera. Não posso esperar o medo me abandonar. Eu que devo mandá-lo embora, e sem demora. Ah, hoje a ânsia de viver entrou em minhas veias. Espero que essa ânsia não me abandone e com ela me traga a coragem, a insistência, a fé para encarar e vencer os meus medos e tudo que me impede de ouvir, de falar, de sentir, de ser uma viva efetiva e, finalmente, viver.


(Erica Ferro)


01 março 2009

Sem você;

Sem você eu não vivo, sobrevivo
Sem você eu não durmo, cochilo
Sem você nem sequer respiro, você é o meu ar
Você é minha razão de acordar

Sem você, vejo meus sonhos desfalecerem
O sol esfriar
As estrelas começam a se apagar
As nuvens começam a chorar

Sem você não há razão
Não há emoção
Você é sustentação, alimento que eu preciso
Te amarei sempre, até o meu último segundo de existência.

(Erica Ferro)