29 abril 2009

Uma mente borbulhante sob uma cerâmica fria e relaxante;

Deitada sob a cerâmica fria, a cabeça dela fervia. Sua cabeça parecia uma panela com água fervente e vários ingredientes: sonhos, medos, alegrias, fantasias, sensações, emoções e ilusões.
Ela esperava que, com a fervura, os medos e as ilusões evaporassem da sua mente. Ela queria ser destemida; queria ter projetos realizáveis. Estava realmente cansada de ilusões; e estava mais cansada ainda de ser prisioneira do Senhor Medo.
Além das grades do portão, um mundo à espera. Acima dela, o céu. Além dela, o infinito.
Ela adorava ver o céu. Quando algo dava errado, ela olha para ele e obtinha novas forças e recomeçava o que estava fazendo.
Quando todos a abandonavam ou talvez nem ligassem para a dor, o choro dela, o vento chegava até ela e a acarinhava, lhe acalmava, brincava com ela, embaraçando os seus cabelos. Ela sorria de novo. Ficava correndo, brincando com o vento.
Um filme passava em sua mente. E um novo filme se projetava na mente daquela linda menina-mulher deitada sob aquela fria e acolhedora cerâmica. Ali ficou por algumas horas; sonhando, se emocionando, sentindo o vento, vendo o céu e sorrindo para o infinito.

(Erica Ferro)

27 abril 2009

Falta o ar;

Não consigo respirar, me falta o ar
Não sei por quanto tempo vou suportar essa falta de ar
E é a tua falta que está me sugando o ar
Todas as manhãs, tardes e noites penso em ti
Você está ali, sentado na cadeira
Você está ali, ao lado da minha cama
Você está aqui na minha mente
Eu te vejo em todo lugar
Chego a sentir o teu calor
Tua respiração
Queria tanto ter 10% da tua atenção
Não quero muito, não
Eu preciso de tão pouco pra voltar a respirar

(Erica Ferro)

25 abril 2009

Mata!


Formigas têm sentimentos, sonhos, segredos, vida?
Matei uma formiga
Acabei com uma vida
Me sinto mal

Será que eu matei, juntamente com ela, seus sonhos?
Matei uma formiga
Acabei com uma vida
Matei

Todo mundo mata
Uns nem sequer veem os defuntos, passam por cima triunfantemente ou displicentemente; passam
Todo mundo mata

Mata por não conhecer
Mata por se sentir ameaçado, às vezes nem está, mas acha e mata
Mata por achar que conhece
Mata por discriminação
Mata por achar que o outro é tão pequeno, que não fará diferença se estiver vivo ou morto
Mata com uma palavra
Mata pela falta da palavra
Mata, mata e mata

Na mata vivem
Na mata sobrevivem
Na mata morrem
Mata na mata
Mata na cidade
Mata!

(Erica Ferro)

23 abril 2009

Céu;

"O céu estava deprimido
Se fechou
Desbotou
Chorou
A noite e o dia inteiro
Cansou
Se abriu
Sorriu
O sol surgiu e fez companhia a ele..."



Confesso, me pareço muito com esse céu. Me deprimo, choro, me visto de cinza, preto e branco... As cores me ferem os olhos... Não! Elas não me ferem os olhos...
Elas me alegram, e têm momentos em que eu só quero a tristeza, a solidão.
A solidão não é tão má; não quando se tem a si mesmo.
Mas se somos insuportáveis até a nós mesmos, a solidão é um pesadelo.
A solidão não é como pintam...
Ela serve pra pensar, pra se encontrar...
Tudo bem que não serve pra viver.
Viver é mais do que pensar e se encontrar. Viver é sonhar, realizar, dividir, amar.
Chorar? Normal. Fechar-se para o mundo por um ou uns dias? Normal. Voltar a acreditar no mundo, nas pessoas e em si mesmo? É preciso.
Vivo assim...
Chorando e rindo, indo e vindo, brigando e me reconciliando, errando e corrigindo.
Sou um céu. Às vezes cinza, às vezes azul.
Mas um céu.


(Erica Ferro)

21 abril 2009

Alegria sutil;

Hoje acordei sem saber se seria um dia alegre.
Se eu faria algo útil, bonito, que me trouxesse paz e alegria.
Eu fiz...
Comi pipoca e bebi refrigerante (guaraná) com meu irmão, rimos de nossas besteiras, nossas brincadeiras.
Oh... Escuto alguém retrucar:
"Mas que coisa simples! O que tem de alegre e diferente nisso?"
Aos olhos de quem já se psicoadaptou com o amor, com a tristeza e a dor, não há nada de alegre e diferente nisso. Mas aos olhos de quem tem uma sensibilidade relevante, uma pessoa que não psicoadaptou-se com a alegria, vê nisso uma grande beleza, uma grande fonte de júbilo.
Me invadiu um contentamento após esse lanchinho com o meu irmão; e eu nem sabia especificar, dizer o porquê.
Mas não há o que dizer, só se deve sentir, rir...
A cada dia se confirma a ideia de que as pessoas não veem mais a beleza das coisas simples.
As coisas simples... As coisas simples... As coisas sutilmente belas...
As coisas que, aos olhos apressados, nem se notam. Eles não enxergam e perdem, perdem...
Perdem o melhor, o mais sutil da vida.
É uma pena.

(Erica Ferro)

Deserto;

Pensei que estava sozinha no deserto.
Avistei uma jarra com água, fiquei admirando-a. Estava me aproximando lentamente, apreciando o momento.
Foi quando alguém, que surgiu rapidamente e sem que eu percebesse, correu, passou em minha frente, chegou primeiro e bebeu toda a água que tinha na jarra.
Cai de joelho na areia quente e chorei.
Escutei vozes. Vozes vindas de mim, da minha mente. Elas diziam que se eu não tivesse parado no meio do caminho para contemplar a jarra, se tivesse corrido logo até à jarra e bebido toda a água, não teriam me tomado ela.
Me levantei, enxuguei minhas lágrimas e continuei andando. Era difícil de achar outra jarra com água naquele imenso deserto, mas eu continuei buscando, tentando matar a sede com a minha própria saliva (era o que me restava, era ela que ainda me fazia sobreviver).
Ainda estou no deserto. Ando atenta. Quero água. Sei que terá uma jarra reservada para mim. Sei que matarei minha sede.


(Erica Ferro)

19 abril 2009

Risquei as paredes do meu quarto

Risquei as paredes do meu quarto, queria ver como ficava. Eu sei, foi um impulso, talvez um momento de loucura, de pura loucura.
Porém pensei que tinha tinta pra cobrir os rabiscos. Mas não tinha
Agora todos que entram em meu quarto veem os rabiscos; se horrorizam. Mas eu digo-lhes que me arrependi de ter feito. Mas não me perdoam.
Dizem que foi um desvairamento. Eu sei que foi.
Mas eu me arrependi e aprendi que não se faz rabiscos em paredes, até porque acabam com sua beleza, sua delicadeza.
Isso não basta?
Será que sempre vão me apontar os rabiscos que eu fiz nas paredes?

(Erica Ferro)

17 abril 2009

Luz, câmera e NATAÇÃO!


Câmeras? Televisão? Microfones? Repórteres? Entrevistas?

Amanhã tem o "I Campeonato Aberto de Natação".
Os seguintes tipos de deficiência participarão do campeonato: física (meu caso), mental e visual.
A competição será transmitida em rede estadual, (parcialmente ou totalmente, não sei ainda) pelo programa AL ESPORTE - TV GAZETA.
Bom, se for apenas pra nadar e dar 'tchauzinho' pra câmera, até que é legal. Mas se tiver (mais uma) entrevista, já sei que vou tremer muito. É sempre assim. Não tem jeito. Sempre tremerei, perderei as palavras, me enrolarei e, por fim, passarei vergonha (pois é, VERGONHA).

Ai! Não sei. Não tenho nada contra os meus amigos repórteres, muito menos com o público de casa. E parece simples, apenas respondemos às perguntas e pronto, acaba a agonia. Mas, desde de quando fiquei sabendo da transmissão da competição, começo a tremer, minha barriga faz uns barulhos e causa umas sensações estranhas (não, não é diarréia; não por enquanto. e é melhor que não dê diarréia na hora, não é? mas que assunto podre, Erica!).
Estou escrevendo isso nem sei porquê. Acho que quero desabafar, me acalmar, mas não está funcionando.
Está bem! Não há motivos pra isso, Dona Erica Ferro! Se acalme, deixe os seus complexos de lado.
Vá amanhã nadar, faça o que você sabe. Se um repórter e uma câmera vir ao seu encontro, corra (ops!), quero dizer, fique calma, responda o que lhe perguntarem. Não vai doer, certo? Acredite, não vai.

(Erica Ferro)

16 abril 2009

Perdi o controle remoto

Estou distante, e tão próxima.
Me levanto, me aproximo, aumento o som da TV, penso em você, deito... Não... O volume está alto, e atrapalha meus pensamentos; levanto, diminuo o volume, deito, me irrito com a TV ligada. Não, não é nada com a TV, mesmo assim a desligo. Choro, grito. E tudo isso acaba com uma queda, caio num sono, um sono cansado, profundo e impregnado de saudade de você.

(Erica Ferro)

15 abril 2009

Rivalidade;

Competição marcada. Márcio estava ansioso. Era uma competição importante pra ele, mas estava com medo, receoso. Foi conversar com Juliana, sua amiga que sempre tinha um conselho pra dar, uma palavra reconfortante.
- Nossa! Se aquele cara de Brasília vier, acho que vou perder pra ele! Ele nada muito!
- E você tem medo de perder? - Indagou-lhe Juliana.
- Lógico! Será uma vergonha pra mim!
- Posso te dizer uma coisa?
- Pode.
- Vergonha seria você perder e não saber perder, não saber tirar proveito dessa perda. Todo mundo perde, e nem por isso são perdedores eternos. Um dia se perde, um dia se ganha. É assim que é a vida. O importante é saber perder, levantar e amanhã vencer.
- É...
- Não tenha medo de perder, Márcio. A vida acontece através de escolhas, atitudes. Se você se esconder atrás do seu medo, nunca vencerá nada, porque você é escravo de seu medo. Liberte-se. Não tenha medo de nada. Tenha medo de não sair do lugar, de não tentar.
- Poxa, muito obrigada pelas palavras, Juliana! Me animou e me encorajou bastante. Estou até mais confiante.
- Por nada, meu amigo. Se precisar, é só chamar.

Márcio venceu seu medo. Chegou confiante na competição. Não ganhou a prova, mas isso não o desanimou totalmente. Ficou triste, é claro. Mas teve a certeza que um dia conseguiria alcançar suas metas, bastava não desistir nunca nem desanimar. Sua meta maior não era ganhar do seu maior rival nas piscinas, e sim vencer a si próprio.

(Erica Ferro)

14 abril 2009

Cansar, continuar, chegar.

Do 'não', eu farei o 'sim'
Da descrença, farei a crença
Do projeto, farei a realização
Da falta de apoio, farei minha auto-sustentação
E não importa nada não
Já me importei demais
Se não acreditam, eu acredito
Se não enxergam o 'além', eu continuarei a enxergar
Não, eu não vou desanimar
Querem
Mas não vão conseguir
Eu não vim aqui pra cair
E desistir
Posso cair
Mas me levantarei
E continuarei
Cansarei
Mas nunca
NUNCA pararei.

(Erica Ferro)

13 abril 2009

Você! ♥

Se eu tivesse você
A música seria alegre
O vento seria refrescante
Tudo seria claro
Mas está escuro
Não consigo enxergar
Ilumina minha visão e o meu coração
Me devolve a alegria
Me tira dessa agonia

Não te ter me causa patologias
Que remédio nenhum cura
Só te ter me curaria

Ontem sonhei com você
No sonho
Sua voz me embriagava
Teu olhar me investigava
Teu sorriso me acalmava
Disseste que eu não precisava temer nada
E que estarias comigo para o que eu precisasse

Você também disse que
Se eu caísse
Você estaria ali
À postos
Disposto
Me levantaria
Curaria as minhas feridas
E seguiríamos por essa estrada
Sem temermos nada
Estaríamos juntos
Isso bastava

Mas tudo não passou de um lindo sonho
Aqui estou eu na solidão real
Lutando contra esse mal
O mal de não te ter
Acredito que dele posso morrer
O que ainda me faz sobreviver
É a esperança de um dia ter você

(Erica Ferro)

12 abril 2009

Ressuscite!

Ressuscite o amor que um dia habitou o seu coração, mas
que, com os sofrimentos da vida, morreu.
Ressuscite sua esperança que, com as derrotas da vida, acabou desfalecendo.
Ressuscite a sua alegria, que, com tantas tristezas, já não
vive mais.
Ressuscite a sua fé, que, por vezes provadas, saiu
desenfreada por uma estrada cheia de buracos, e acabou se
acidentando e morrendo.
Ressuscite os seus motivos de viver.
Se ressuscite, se preciso.
Só não desista.
Não morra.
Viva.
(Erica Ferro)

10 abril 2009

"O maior vendedor de sonhos!"

"Ninguém espera uma reação inteligente de uma pessoa torturada, ainda mais pregada numa cruz. A memória é bloqueada, o raciocínio, abortado, o instinto, controlado, o medo e a raiva dominam. Jesus foi surpreendente quando estava livre, mas foi incomparavelmente mais surpreendente quando foi crucificado.
Na primeira hora da crucificação, ele abriu as janelas da inteligência e bradou: "Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem." Perdoou homens indesculpáveis. Compreendeu atitudes incompreensíveis. Incluiu pessoas dignas de completa rejeição.
Um dos ladrões ao seu lado ouviu essa frase e ficou assombrado. A Dor lhe cortara o raciocínio, seus olhos estavam turvos, seus pulmões ofegantes. Mas, ao ouvir o brado de Jesus, recebeu um golpe de lucidez.
Seus olhos se abriram. Virou o rosto e viu por trás do corpo magro e mutilado de Jesus uma pessoa encantadora. Pouco tempo depois, ainda que sem forças, o criminoso pediu-lhe: "Quando estiveres no teu reino, lembra-te de mim."
Os gestos de Jesus o fizeram sonhar com um reino acima dos limites do tempo, um reino complacente e que transcendia
a morte. Que homem é esse que mesmo dilacerado era capaz de inspirar um miserável a sonhar?
Os que estavam aos pés da cruz ficaram fascinados. Reações fascinantes como essas ocorreram durante as seis longas horas da crucificação. Foi a primeira vez na história que alguém sangrando, esmagado pela dor física e emocional, surpreendeu os que estavam livres.
Quando Jesus deu o último suspiro, o chefe da guarda romana, encarregado de cumprir a sentença condenatória de Pilatos, disse: "Verdadeiramente este era o filho de Deus." Enxergou além dos parênteses do tempo. Viu a sabedoria ser transmitida por um mutilado na cruz.
Muitos políticos e intelectuais não conseguem influenciar as pessoas com suas idéias, ainda que estejam livres para debater o que pensam. Mas o Mestre dos Mestres abalou os alicerces da ciência ao levar as pessoas a velejarem pelo mundo dos sonhos enquanto todas suas células morriam.

[...]

O Mestre dos Mestres nunca pressionou ninguém para seguí-lo, apenas convidava. Não andou mais do que trezentos quilômetros a partir do lugar em que nascera. não tinha uma escolta, não possuía uma equipe de marketing, nunca derramou uma gota de sangue. Sua pequena comitiva se constituía de um grupo de apenas 12 jovens de personalidade difícil. Mas hoje, para nossa surpresa, bilhões de pessoas de todas as religiões, de todas as culturas, de todos os níveis intelectuais o seguem.
Seguem alguém que não conheceram. Seguem alguém que nunca viram. Seguem alguém que lhes inspirou emoção e encheu suas vidas de sonhos."
(Augusto Cury)


Os ensinamentos de Jesus me ajudam a viver, me ajudam a vencer.
Jesus é o meu maior exemplo!
Nunca se viu ninguém tão perfeito quanto ele!

Nessa páscoa, reflita. Reflita sobre tudo! Que o ovo de chocolate não seja a sua prioridade!


Feliz páscoa!

09 abril 2009

"A sorte está onde nós a deixamos morar!"

Frequentemente escuto pessoas reclamarem da falta de "sorte" que elas têm ou estão tendo naquele momento. Esquecem que
elas têm papel principal na materialização dos seus projetos e sonhos.

Não dá pra ficar apenas sonhando.
É lindo sonhar. E os sonhos são essenciais, sim. Mas a luta deve existir, é o passo para se conseguir o que se quer.
É a tal da "inspiração e transpiração". Os sonhos são a inspiração, e a luta é a transpiração. Duas coisas que se completam perfeitamente.
É preciso sonhar, e é essencial lutar.
Só que muitas pessoas preferem esperar, esperar e esperar. Esperam o quê?
Um milagre? Esperam que os seus desejos se concretizem como um passe de mágica?
Levando em conta que seria mais cômodo e mais imediato, o "passe de mágica" nos atrai muito. Mas onde fica o gosto de "eu lutei, eu suei e eu consegui!"?
Que gosto teria essa materialização por passe de mágica? O mérito não seria nosso, seria da magia, dos mágicos, de qualquer coisa que o valha, menos nosso.
Eu acredito que sorte não esteja ligado à milagre. Milagre é algo que precisamos, mas ganhamos de graça, quase por passe de mágica. Sorte se assemelha mais a um complemento.
Por exemplo: comprei um bilhete de loteria, e ganhei. Não teria ganhado se não houvesse comprado. No caso do milagre, eu teria ganhado milagrosamente, o dinheiro chegaria até às minhas mãos de uma forma sobrenatural. Poderia também citar exemplo de um nadador que treinou rigorosamente para uma maratona aquática, se empenhou bastante para aquela competição, mas conta com a "sorte" de o mar estar calmo, de não chover, da temperatura estar agradável, enfim, muitas coisas que influenciariam na perfomance do atleta. Milagre, se tratando ainda da travessia, seria uma pessoa que não fizesse ideia de como se nada, chegasse lá e ganhasse a competição e ainda batesse o recorde da prova.

Para se ter sorte, é preciso dar o primeiro passo.
Como disse Shankar, personagem da novela Caminho das Índias: "A sorte está onde nós a deixamos morar."

Pois é, se cuidarmos da nossa vida, se trilharmos caminhos seguros, se agirmos em prol da realização, da concretização de nossas metas, a sorte certamente nos acompanhará, mas se você sentir que a sorte te abandonou, não se desespere, ela só foi passear, logo vai voltar. Continue fazendo o que sempre fez: sonhar e lutar. A sorte voltará quando você menos esperar.

(Erica Ferro)

07 abril 2009

Me encontrando, te encontro. ♥

Luzes apagadas. Não é hora de acender as luzes. O silêncio do dia paira. O sol brilha.

Ninguém em casa. Tudo para fazer. Mas não agora. Ainda não é hora. É hora de pensar, raciocinar, organizar, reeditar.

Falo comigo. Escuto o que eu digo.

Sou minha melhor amiga. Entendo o que eu digo, concordo, discordo, rebato, desisto de discordar, paro de pensar. E vou
deitar. Quero sonhar que um dia vou te encontrar. É um sonho tão impossível, que é mais fácil gritar:

"Oh, meu menino! Venha me ver, eu amo você."

Você pode ouvir? Não, eu sei. Não tem ninguém aqui. Você não pode me ouvir. Mas eu não posso desistir de ti. Se você não vier, acho que vou te procurar pelo mar, pelo céu, pelo infinito desconhecido. Só paro essa minha busca até te encontrar. Vou te esperar até o dia raiar. Se você não chegar, juro, eu não vou mais esperar. Começarei a te buscar, sei que um dia hei de te encontrar.

(Erica Ferro)

05 abril 2009

imperAÇÃO;

A covardia impera, e o viver me espera!

Medo...
Insegurança...
Covardia...

Sim, eu sou covarde!
Sou a pior das covardes!
Minha covardia é comigo mesma.
Eu tenho medo de sofrer as consequências da vida, de viver.
Medo de machucar.
Medo da rejeição.
Medo desse mundo cruel (muitas vezes eu sinto que cai no planeta errado. As pessoas desse planeta me assombram. São cruéis, discriminadoras, preconceituosas, fúteis).
Não! Eu não me acostumei com a covardia.
Não pense que eu vivo bem desse jeito.
Na verdade, eu nem vivo. Apenas sobrevivo.
Nada me acontece, nem de ruim nem de bom.
A covardia me deixa estagnada, aparentemente bem, ilesa ao sofrimento.
Mas eu sofro! Sim, eu sofro!
Sofro quando imagino os progressos que faria se não fosse presa à covardia.
Ah! A teoria...
Sei de tantas teorias para o sucesso, tantos métodos.
Mas, não! Eu nunca consegui triunfar totalmente!
Fico no quase. Quase sempre.
Quase...
Oh! Os “quases” são tão presentes na minha vida.
“Quases” me tranquilizam algumas vezes.
Mas na maioria das vezes me martirizam, me sufocam, me cobram o tudo, o todo.
Ah...
Eu preciso me libertar dessa covardia que me domina noite e dia.
Por favor, acredite, eu luto contra ela.
Luto... Luto...
Mas eu tenho medo de perdê-la e sofrer.
Mas é certo que eu não posso ter medo de sofrer.
Augusto Cury disse: “Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.”

Isso! É isso!
Eu preciso criticar a minha covardia e os meus medos.
É...
Eu preciso ver se os meus medos têm real fundamento ou se são fantasiosos, exagerados.
Será que eu fiz da borboleta um dinossauro?
Talvez... Talvez...
Mesmo que seja um dinossauro, eu preciso enfrentar.
Eu cansei de sofrer por não viver.
Se eu sofrer vivendo, pelo menos deixei de sobreviver.
O sofrimento será a prova que estou vivendo.
Renascer! É isso que devo fazer depois de morrer, morrer de dor, morrer de saudade, morrer de amor... Morrer.

- Ânsia de viver, me toma, me domina. Derrota essa covardia que me angustia, que me impera.

Não, não!
Eu que derrotarei essa covardia que há em mim.
Meus medos? Os enfrentarei!

E tudo isso não é mais uma bela teoria.
Eu estou prestes a pular do prédio da covardia.
Mas, calma, estou usando para-quedas.
E o viver está à minha espera.

(Erica Ferro)

02 abril 2009

Mergulhar;



Há como se jogar sem equipamentos adequados no fundo do mar, e depois voltar?
Preciso de equipamentos de mergulho, não é?
Mas só disso?
Não, eu preciso de mais.
Mais o quê?
Não sei...
Mas eu preciso.
Eu sei nadar. Mas se o ar me faltar? E se a câimbra me pegar?
Mas se eu não mergulhar, nunca conhecerei os segredos e as belezas do fundo do mar.
Por isso vou me arriscar.
E eu sei que posso retornar à superfície desse mar.
É só nunca parar de nadar, mesmo sem ar, mesmo sem forças, continuar, continuar...

(Erica Ferro)

01 abril 2009

Verdade!

Certo dia, Pedro vai a casa da namorada e solta:
- Está tudo acabado entre nós. Cansei de você. Nunca mais me procure.
A namorada responde, violenta:
- Eu que não te quero mais. Já não te aguento. Você é detestável!
- Mas, meu bem... eu só queria fazer...
- Uma brincadeira, não é? Ah, pensou que ia me pegar no primeiro de abril, hein? Bobinho!
- Que susto, meu amor! Pensei que você estava pensando mesmo em me dar um pé no traseiro.
- Que isso, Pedrinho! Mas... bem que você poderia ser mais romântico, me mandar flores, fazer serenata, ligar pra mim cedinho, só pra dizer que me ama...

***

É, primeiro de abril também serve pra falar umas verdades.


(Erica Ferro)