29 maio 2009

Liberte-se do que te prende!

É tão vasto isso de liberdade, de ser livre.

Mas escolhi algumas frases e me posicionarei em relação à elas.


"O mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão."
(François Fénelon)

Nazismo, talibãs... repressão.
Poderia citar vários outros movimentos que oprimem um determinado povo, lhe tiram a esperança, o direito de escolher, o direito de ir e vir, de fazer o que se gosta, de não fazer o que não se gosta.
Eu fico pensando: "Será que eu conseguiria viver nessas situações de extrema repressão?!"
Eu sinto que eu tenho uma resistência relativamente grande em relação à opressão, à repressão. Todos os dias eu saio da minha prisão. Me liberto dos meus medos. Mas, na maioria das vezes, eu volto à prisão. Fico lá, respirando ofegante, com medo de sair. É que, fora da minha prisão, tem monstros enormes, dentes mais enormes ainda, armados de espadas, espingardas...

Quando me veem, geralmente, apontam pra mim, ameaçam atirar, eu começo a chorar, minhas pernas agem quase inconscientemente, me levando à prisão. E lá eu fico em paz. Pelo menos, até aquela coragem medrosa aparecer de novo, e eu saio mais uma vez, tentando driblar aqueles horripilantes monstros. Às vezes, eles nem me veem ou nem ameaçam a atirar.
Então, eu saio, vou às ruas, sorrio para as pessoas, canto, pulo. Me liberto. Me liberto de mim, dos meus próprios monstros imaginários, dos meus medos, que podem são menores do que eu julgo ser. Preciso ser livre, mesmo que tudo e todos me espremam, me apertem, não posso ceder. Eu tenho que continuar a honrar meus pensamentos, meus sonhos. Tenho que continuar sendo livre, mesmo com o mundo em chamas, mesmo com tudo desmoronando. Porque a liberdade mora em mim, e eu preciso deixar ela sair, preciso deixar ela irradiar o mundo.

"Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos."
(Abraham Lincoln)

Acho que não devemos prender ninguém, obrigar a ninguém a pensar, a enxergar as coisas do ângulo que nós vemos. Não podemos impor nossa opinião, devemos expor. 
Geralmente quem prende, quem reprime os sonhos, a esperança de alguém, é o verdadeiro escravo da questão. Ele é escravo dele mesmo, dos traumas de infância ou, até mesmo, traumas que está tendo na fase adulta. O opressor sofre também, sofre calado. Não espalha, não compartilha do que o atormenta. O único remédio e a saída que ele encontra pra sanar, pra aliviar toda a sua agonia, de tentar afrouxar as correntes que tem nas mãos, nos pés, é prendendo, oprimindo, impondo suas ideias e suas vontades à outra pessoa. É difícil isso. Ele sofre, mas também, ao mesmo tempo, faz outras pessoas sofrerem. A saída seria quebrar as correntes de uma vez por todas. Se libertar pra não prender e nem ser preso.


"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar."
(Mahatma Gandhi)

Eu sou livre pra errar, se bem que meu alvo, minha intenção, é sempre acertar. Mas quando se está buscando ou simplesmente descobrindo a liberdade, erramos em algum ponto; e isso não é o fim, isso não é tão abominável assim. Somos livres. Somos humanos. Somos seres que buscam a felicidade, a realização do eu, e a liberdade nos ajuda nessa caminhada. É através dela que nós fazemos e descobrimos o mundo, ou pelo menos parte dele.


"A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras."
(Carlos Drummond de Andrade)

Pregam a liberdade e a buscam com a violência, com o 'Cala a boca', com o 'Está vendo o que eu tenho comigo? Sim, é uma arma. Portanto, fique quietinho e faça o que eu mando!'
Não é assim que funciona. Aliás, até funciona, não é? Mas funciona só exteriormente. Dentro, o sonho da liberdade, o sonho de ser livre, vai permanecer naquele ser que é liberto de todo e qualquer opressor.


"...Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo."
(Luis Fernando Veríssimo)

Medo do ridículo...
Ora, se você se sente bem com aquele seu vestido rosa 'choque', mas não sai nas ruas vestida assim por medo de ser atingida por pedras, ser atingida por palavras humilhantes ou risinhos abafados ou gargalhadas cortantes, você está reprimindo uma vontade sua, está se reprimindo. E, como diz a música, meu caro: Não se reprima!
Sinceramente, não vejo nada de mau em andar com uma roupa chocante, impactante. É até bom que você não se perde no meio de uma multidão.

Certo, falando sério agora. Nós não devemos nos preocupar com o que vão pensar de nossas roupas, no estilo musical, nossas manias. Todo mundo tem seu jeito de ser. Cada um é livre pra ser o que é. E ninguém tem o direito de impedir isso.


(...)

Eu poderia dar vários exemplos do que é ser livre, do que é a liberdade. 
Mas a verdade é que a liberdade vai bem mais além do que a minha imaginação consegue ir. Vai bem mais além do que eu consigo dizer e viver. Só sei de uma coisa: a liberdade mora em cada um de nós. Basta caminharmos com ela. Te garanto, ela é legal.


Dica da Erica Ferro: Liberte-se do que te prende!

(Erica Ferro)

***


P.s: Pauta para o PostIt!
Foi complicado escrever sobre liberdade. Mas consegui escrever algo razoável.

Os fins justificam os meios...

Justificam?
Depende.
Depende do que se trata, qual é a situação, os envolvidos e o alvo que se quer atingir.
Acredito que quando nós temos um plano, um projeto, um sonho, ou qualquer coisa que almejarmos, devemos procurar meios que nos impulsionem para a tão sonhada conclusão - o fim.

Mas tem meios e meios, não é?
Cada um pode, perfeitamente, alcançar suas metas de maneira digna, humana e leal consigo e com os outros.
Mas o problema está aí mesmo: a falta de lealdade com o próximo e até conosco mesmo. Ferimos os outros por puro prazer ou por pura cegueira - é, uns ficam cegos, não enxergam mais nada a não ser o objeto de desejo, o fim... o fim...

Cada um quer chegar o mais rápido possível ao topo da escada, nem que pra isso cabeças rolem escada a baixo. O importante é sair derrubando, empurrando para o final da escada aqueles que impedem a passagem, a sua escalada até ao alvo, ao topo - essa é a lei hoje em dia, na sociedade injusta e injustiçada.

Digamos que você chegou ao topo da escada, mas subiu com calma. Tinha pessoas na sua frente, mas você esperou a sua vez.
Não empurrou ninguém. Não desistiu. Esperou com determinação, mas com paciência a sua hora.
Então, o meio que você escolheu, que foi o da determinação, da espera, justificou o fim de ter chegado ao topo, que era o que você mais queria, e o melhor, livre de ferimentos e com a consciência limpa de que também não feriu ninguém.

Devemos correr pela estrada das realizações com força, com coragem, mas não podemos sair empurrando os outros corredores. Fiquemos ao lado deles, façamos uma inteligente, mas leal, ultrapassagem. Façamos uma corrida limpa. Façamos os nossos fins verdadeiramente justificarem os meios que escolhemos.

(Erica Ferro)

***

P.s: Ufa! Finalmente consegui escrever algo razoável para a pauta do Blorkutando. Ontem não consegui organizar as ideias. Não gostava de nada do que escrevia. Aliás, nem gostei muito dessa pauta que eu escrevi hoje. Mas, enfim, foi o melhor que eu consegui fazer.

26 maio 2009

O meu presente de oito anos;

Quando era criança, sempre pedia presentes aos meus pais.
"Pai, quero aquela bota linda da xuxa!"
"Mãe, quero uma boneca!"

E por aí ia a minha lista de desejos.

(...)

Quando estava perto do meu aniversário, esperava sempre que eles surpreendessem com os mais lindos presentes e com as maiores manifestações de afeto. E eles sempre me surpreendiam.
Na época, eu não tinha a visão de que a maior surpresa, a maior alegria que eu podia sentir na vida, era acordar pela manhã ir até a cama deles, os ver ali, respirando, vivendo. Saber que tudo aquilo era real, era verdadeiro, e o maior presente, a melhor coisa que eu poderia ganhar. Mas eu era uma criança, e toda criança gosta de presentes materiais no dia do seu aniversário (e adultos também gostam, claro, mas criança entende menos quando não ganha - pelo menos é assim que eu acho).
No ano de 1998, ganhei o maior e melhor presente de toda a minha vida. Ia fazer oito anos. Não sabia bem o que ia querer ganhar de presente, talvez a boneca, uma coisa qualquer que eu devo ter ganhado. Mas o presente que não tem como esquecer, nem quando estiver com cem anos (se é que eu vou chegar a tanto), e foi o maior, o melhor presente que eu já ganhei em toda a minha vida. E tenho certeza que eu nunca vou ganhar presente tão grande, tão maravilhoso quanto eu ganhei quando fiz oito anos. Aliás, esse presente chegou na vida da minha família um dia antes do meu aniversário. O processo de encomenda e fabricamento desse presente (lindo, por sinal!), tinha sido feita tinha alguns meses, praticamente um ano (mas não um ano mesmo, porque o presente não sobreviveria). Eu sabia que ele tinha sido encomendado, estava sendo fabricado, mas eu não sabia que o resultado e a surpresa de ter o presente diante de mim ia me emocionar tanto e me fazer tão feliz durante toda a minha vida.

1998, 26 de maio, terça-feira
.

O presente foi entregue a minha mãe. É, minha mãe conhecia todo o desenvolvimento desse meu presente. Aliás, desse presente que foi dado a mim e a toda a minha família. Um presente tão grande, tão especial eu não poderia querer só pra mim, não é? Era egoísmo.
Quando eu soube que minha mãe tinha ido "pegar" meu presente, fiquei ansiosa, contando os segundos pra que ela chegasse com ele em casa. Ela chegou, ele também, claro.

1998, 27 de maio, quarta feira - meu aniversário
.

Estudava no turno matutino. Tinha ido a escola naquela manhã, não lembro de ter me concentrado muito na aula, mas acho que não me concentrei bem; estava interessada em chegar e saber que meu presente estava à minha espera.
Cheguei em casa ansiosa. Tinha voltado da escola quase correndo. E lá estava ele. Lindo.
Quando eu o vi, senti uma alegria me tomar, quase gravitei de tanta emoção, de tanto contentamento. Na hora eu não consegui dizer ou definir o que eu estava sentindo. Passei a mão sobre o meu presente. Uma textura macia, gostosa.
Não, não era um bolsa de coro nem uma bota.
Era um bebê! Um lindo bebê! Meu irmão, Erick Ferro, o bebê mais lindo que eu tinha visto na vida. O boneco vivo com o qual eu sempre tinha sonhado. Eu ia deixar de ser filha única, eu ia ter alguém com quem multiplicar as minhas alegrias, dividir as minhas tristezas, ter mais alguém pra chamar de minha fortaleza.
Hoje o Erick fez 11 anos. Enquanto eu digito essas palavrinhas, um nó em minha garganta se forma. Não é tristeza, não é dor, é alegria, é a felicidade de olhar pra trás e perceber que eu pude ver meu irmão se desenvolver como ser humano, eu vi ele caminhar, eu vi ele falar, eu vi ele indo a primeira vez à escola, eu vi ele se queixando da primeira recuperação que tinha ficado, eu vi ele falando da primeira menininha por quem ele tinha se encantado.
Eu vi e estou vendo todo esse desenvolvimento. Sei que verei muito mais. Me orgulharei muito mais.
O Erick é um menino maravilhoso, sincero (adoro isso nele), sensível (sim, é uma pessoa que se preocupa com os "umbigos" dos outros), inteligente, teimoso (por um lado é bom, por outro é péssimo, mas o lado péssimo, ao longo da vida, ele vai eliminando) engraçadíssimo (quase a família toda é assim).
Um rapaz, é... um rapazinho lindo. Daqueles príncipes de cinema, sabe? Meu irmão é assim. Por onde passa, deixa "marcas". Marcas boas... marcas de um coração grande e puro, marcas de risos, marcas de felicidade. Meu irmão é marcante. Marcou o meu ano de 1998 de uma vez pra sempre.
O melhor presente, o mais lindo, o mais surpreendente, o mais amável, que eu já ganhei em toda a minha vida. Nunca vou ganhar algo semelhante. Nunca. Todo o ouro do mundo não me proporcionaria a alegria eterna de ter um irmão como o Erick.

***

- Erick, coisa linda, você sabe que apesar de tudo, de qualquer coisa, de qualquer briguinha, de qualquer desentendimentozinho besta, eu amo você, preciso de você. Você é meu irmão. O MEU IRMÃO. E isso é muita coisa.
O que eu desejo hoje, Erick? Que você continue sendo um menino saudável, inteligente, amável. Que você realize seus sonhos. Sempre acredite nos sonhos, Erick. Mesmo que todos digam que não, que não é possível. Tente. Tente sempre. Só deixe de acreditar em algo depois de tentar, e olhe lá.
As palavras fogem de mim agora, Erick... Não sei expressar com palavras todo o desejo de felicidade, de prosperidade, de saúde que eu desejo a você. Mas eu sei que você sabe e sente o quanto que é especial pra sua irmãzinha, o quanto que eu te amo, o quanto que eu quero que você seja feliz.
Erick Ferro, você é, simplesmente, o melhor irmão do mundo inteiro. Aliás, do mundo, não! Do universo, da galáxia toda. De tudo, tudo, tudo que possa existir.
Estarei sempre contigo.


(Erica Ferro)


P.s
: É com a maior emoção e alegria que eu faço essa postagem. Uma homenagem ao meu irmãozinho querido. Nem a metade do que ele merece. Mas fiz o melhor que eu pude, espero que ele goste.


24 maio 2009

Parte do misto que forma tudo isso;

A chuva caiu e alagou o Brasil.
Nem doril dá jeito. A gripe suína se espalha, mas não ponha a culpa no porco.
Morte cerebral, um corpo morto, uma infância interrompida. E o mal grita: maravilha, maravilha!
A matança, a violência, a falta de esperança. Tudo num volume crescente, num crescente volume.
E o volume é negativo. A raridade é rara. A esperança se torna escassa. E a gente não sabe mais o que que há, o que vai ser, o que fazer. Uns choram. Outros sorriem. Uns desacreditam. Outros continuam acreditando, mas acreditam pra amanhã se desiludirem. É assim a rotina dos esperançosos: acreditar, se desiludir e acreditar mais uma vez.
Eu vejo uma pessoa chorando pelos cantos. Eu vejo alguém orando ao pé da cama em outro ponto. Eu escuto um gemido esquisito, é frio. Eu ouço um grito, nasce um filho. Eu presencio um sorriso, é a esperança do Brasil.

(Erica Ferro)

***

P.s:
Tinha postado esse texto no Pensamentos Devaneantes, no dia 21/05. Como não tinha elaborado nada pra postar hoje, resolvi postar esse texto mesmo. Espero que gostem.

Milhões de selos;

Exagerei, não tenho milhões de selos pra postar aqui, mas tem muitos, muitos mesmo. Tem todo aquele processo de indicar blogs, responder às perguntas. Bem legal, isso de selos. Só que tem selos que eu recebi tem muito tempo, sabe? Não consegui postar na época, sempre dava erros e mais erros. Então acho que nem tem mais graça depois de tanto tempo fazer aquilo tudo: indicar os blogs; enfim, todo aquele processo (até porque a maioria dos blogs que eu ia indicar já tem esses selos =/). Ah, tem uns que recebi esses dias, mas os blogs que eu queria indicar já tem esses selos ². Vou só expor aqui os selos que ganhei até agora. Os que ganhar daqui pra frente, faço todo o ritual.


Para visualizar melhor a imagem, clique nela.

Bom, quero agradecer a todas que me deram selos.
Queria agradecer a Ana Seerig, Fernanda Leal, Daninha, Cary, Yasmin e Hosana Lemos. Ganhei delas esses selos (se eu esqueci de alguém, me desculpem, comentem aqui e falem 'você esqueceu de mim', aí eu adiciono seu nome aqui).
Amei os selos. Muito bom saber que gostam do meu blog. Grande abraço pra vocês. E, mais uma vez, obrigada.

(Erica Ferro)


22 maio 2009

Amizade...

Amizade: sentimento puro, mágico, único. Um dos sentimentos mais profundos, mais sinceros e indescritíveis que existe.

Pra ser/ter um amigo, não precisa ser rico, bonito, alto, magro, e etc e tal.
Basta sentir no peito um amor sem igual, um respeito, um querer bem como se quer pra si mesmo. Ajudar, aconselhar, repreender, mas amar, amar muito. Aceitar o outro do jeitinho que ele é, não se envergonhar por ele não ter o 'dente da frente', mas se orgulhar pelo coração do seu amigo ser completo.

Amizade é respeito, é amor, é atenção, é, acima de tudo, comunhão. Amizade não é só compartilhar. Não, eu sinto que há muito mais na amizade. Mas eu não sei descrever, só consigo sentir, bem aqui dentro do coração. A razão, nessas horas, não me serve de muita coisa, sabe?
Só tenho a agradecer por ter pessoas queridas morando em minha vida. Me ajudando a superar barreiras, me incentivando, me mostrando o que é viver. Me ensinando a vencer; compartilhando comigo as vitórias e me ajudando a driblar as derrotas. Sem vocês, não seria completa. Qualquer alegria, qualquer vitória, não seria a mesma sem vocês. Pois com vocês - meus amigos, a alegria se multiplica, a derrota se torna um convite a vitória, a tristeza se ameniza e o coração se tranquiliza. Obrigada por serem meus amigos e por deixarem que eu seja amiga de vocês. Espero estar honrando esse nome: amiga.



(Erica Ferro)

P.s: Texto feito, às pressas, para o blorkutando. Estava escrevendo o "P.s", quando faltou energia, falava justamente de que tinha feito às pressas, pois a postagem do texto tinha que ser até às 14:00, e eu postei 13:55. Ficou bem simples, não ficou completo, ficou ruim. Mas parte - admito que uma pequena parte - do que sinto e acredito ser amizade está aí no texto. Como eu esperava, não fiquei entre os vencedores do blorkutando essa semana. Até entendo. Mas, pelo menos, participei.
Bom, queria fazer uma pequena propaganda de um blog que eu e uma amiga fizemos em fevereiro, lá postamos músicas, poesias, poemas, devaneios nossos. Acho que vocês vão gostar (ou não!). Mas gostaria de ver vocês por lá comentando, criticando.
Postagens recentes que fiz lá:

- Parte do misto que forma tudo isso;
- Mar vermelho raivoso;
- Soltaram a minha mão;

Acessem o blog Pensamentos Devaneantes. Espero ver vocês por lá, hein?!



20 maio 2009

Abra o vidro do seu coração!

Crianças, jovens, parados no sinal, um instrumento de limpeza qualquer na mão e um coração.
Vidros de carros; uns abertos, outros fechados, e ainda uns que se fecham com uma rapidez incrível ao ver aquela criança/jovem/adulto se aproximando, pedindo um minuto de atenção, umas moedas, um dinheiro qualquer pra matar sua fome ou para "comprar" um pouco de dignidade pra ele e pra sua família. Você nem se dá ao trabalho de falar, apenas abana a cabeça num gesto apressado, fecha o vidro do seu carro, o sinal abre, você vai, e aquele coração fica ali, no sol escaldante ou numa chuva gélida.
No jornal da noite, você vê as notícias, se lamenta por ter tanta violência no mundo, por ter tantas crianças morrendo de fome e frio nas ruas e por todas as outras desgraças. Você se irrita com o governo, xinga, critica, fala se fosse o presidente, governador, prefeito, ou qualquer coisa que o valha, faria diferente, daria um jeito nessa bagunça e desgraça toda. Mas eu digo que não, você não faria. E sabe por quê? Porque você é bom "falador", só isso. Agir? Não é seu hábito. Você seria apenas mais uma daqueles que prometem e prometem.
Lembra daquela pessoa que te pediu, com os olhos marejados de lágrimas, uma quantia qualquer pra matar a fome, pra fazer qualquer coisa que o fizesse se sentir mais humano? O que você fez? Balançou a cabeça, negou ajuda. Você estava indo ao shopping (ah! você tinha dinheiro, não é?), comprou roupas e mais roupas, mesmo com o guarda-roupas cheio delas, umas novas, outras usadas, mas não surradas ou rasgadas, ainda dão para o uso por um bom tempo. Depois do shopping, foi à um restaurante, comeu das melhores comidas (e das mais caras, vale lembrar) saiu feliz e realizado, viu um "menino de rua", deu logo um jeito de se esquivar, negou ajuda e fechou o vidro do seu coração mais uma vez. Chegou em casa, tomou um bom banho morno, como já tinha jantado no restaurante, ligou sua TV e viu o jornal da noite; se lamentou e se irritou com esse governo que só promete, e não cumpre, não age, não se move para fazer nada útil para a humanidade, desligou a TV. Resolveu, então, ligar o computador, olhou seus e-mails, navegou por sua internet super rápida (e que você paga uma nota relativamente preta por ela). Depois disso tudo, deitou na sua cama, lembrou de como foi o seu dia, tinha sido ótimo, mas, lembrou daquelas pessoas, daqueles pedintes que você costuma chamar de sujinhos, pobres que não têm onde caírem mortos. Lembrou que negou, negou uma palavra, negou ajuda financeira, negou atenção, negou seu coração. Mas, logo, você dá um jeito de se livrar desses seus pensamentos. Você pensa: "Não é problema meu se o mundo vai mal. O que vai adiantar eu ajudar um ou dois ali? Não vai mudar o mundo."
Aí eu te digo, caro colega, se você não ajuda um ou dois ali, se você não faz coisa alguma, é que nada muda mesmo. O teu vizinho, deitado na cama, tem esses mesmos pensamentos. Então, me diga por que o mundo anda mal? Porque a culpa nunca é da gente, o dever nunca é nosso. É sempre do outro. Sempre do vizinho. A culpa é do mundo, não é? E você vive aonde, meu querido? Em Marte? Você é desse mundo aqui, responsável por ele, você tem o dever de cuidar daqui, das pessoas que o cerca (ou você não gosta de cuidados?). Dever que eu falo não é obrigação (daquelas tem que fazer de qualquer jeito, sorrindo, com raiva ou chorando), não. Não quero que as pessoas se sintam obrigadas a amar, a ajudar. Eu, uma pobre terrestre, uma pobre sonhadora, só queria que as pessoas desse mundo fossem mais humanas e honrassem esse nome que a ciência lhe deu - "ser humano".
Eu desejo ardentemente que as pessoas abram os vidros dos seus corações, se doem, amem, vivam pensando no bem geral. Claro, no seu bem também, mas pensando também no outro, no "irmão" que está nas ruas, vagando, com fome e frio. Tantas desgraças assolam o mundo. Tantas coisas poderíamos fazer, e ficamos parados, sem ação. Assistimos a tudo passivamente, apenas analisando, teorizando... Mas agir? Nada!
Tenho mais a falar (muito mais), mas, sinceramente, só com palavras não posso mudar nada. Paro por aqui.

(Erica Ferro)


''Abra o vidro do seu coração. O amor gera atitudes. Comece a agir, chega de falar, só com palavras não se pode mudar!''
(Oficina g3 - Indiferença)

P.s:
Deixarei um vídeo. É o vídeo da música Indiferença, da banda Oficina g3. Ao ouvir essa música, me veio o desejo ardente de escrever sobre esse tema, esse assunto tão presente em mim, em meus pensamentos. Reflitam, abram o vidro do seus corações, comecem a agir, falar não basta. Eu estou tentando fazer isso. Eu admito, não é a coisa mais fácil do mundo, mas não é a mais difícil, é uma questão de humanidade, de sensibilidade. Fiquem bem. Grande abraço pra vocês.

18 maio 2009

Tem um mundo que só está esperando você dizer SIM!


Tony Melendez nasceu em Nicarágua, mas morou praticamente toda sua vida nos Estados Unidos.
A mãe de Tony, durante sua gravidez, tomou um remédio chamado talidomida (segundo uma pesquisa que fiz na wikipédia, a indústria farmacêutica que a desenvolveu acreditou que o medicamento era tão seguro que era propício para prescrever a mulheres grávidas, para combater enjôos matinais), mas esse remédio o fez nascer sem os braços.
Durante a sua infância, Tony sofreu muitos preconceitos, foi vítima de diversas zombarias. Ficavam zombando por ele não ter os braços.
Mas Tony foi aprendendo a lidar com tudo isso. Aprendeu a fazer as coisas com os pés. Ele queria ser independente, não queria ficar dependendo da "boa vontade" de ninguém. Apesar de ser muito amado por sua família. Seu pai o amava muito, deixou seu país (Nicarágua) e levou sua família para morar nos Estados Unidos. Ele queria que Tony tratasse sua deficiência, queria que ele aprendesse a fazer as coisas sozinho.
Tony sempre sonhou em se casar. Encontrou vários empecilhos na sua estrada amorosa, muitas moças fugiam dele e gritavam: "Um rapaz sem os braços!". Mas Tony encontrou o amor de sua vida, se chama Len. Adotaram dois filhos, porque não podiam ter filhos.
Tony desde cedo se apaixonou pela música, e essa paixão só cresceu com o passar dos dias. Sua mãe cantava e seu pai tocava violão. E ele decidiu seguir essa mesma carreira. Tony afinava/afina seu violão de um jeito diferente. No começo, tocava de 6 a 7 horas por dia, tudo isso para melhorar a cada vez mais.
Tony sempre teve Deus como sua maior fonte de força. Sempre foi grato a Ele por sua família, por ter lhe dado a música.
Como ele diz no vídeo, com a música, ele se sente bem conectado com Deus. Tudo isso ajudou Tony a crescer como pessoa.
Muitas pessoas perguntam a Tony:
"Por que você se sente tão inteiro?"
Ele mostra os pés e responde: porque tenho estas coisas que fazem tudo. Tenho minha família, que é preciosa. O meu coração quer dançar, quer cantar e quer viver a vida. Porque aos olhos do meu Deus, eu sou inteiro!
Tony, em 1987, cantou para o Papa num evento chamado Gira Papal. Lá foi visto como um exemplo de força, de esperança, foi assim que o Papa se referiu a Tony.
Depois disso, Tony sentiu um desejo muito forte e crescente no seu coração de levar fé e esperança para o mundo, para os jovens, para todos através de sua música.
No vídeo, Tony diz que vê pessoas com todos os membros e, mesmo assim, dizem: "Não posso", "não posso". E, então, ele diz que elas podem, sim. Elas podem muito mais do que imaginam, basta que se levantem e digam: "Eu quero, eu posso e eu vou adiante!

Para finalizar, no vídeo, Tony diz uma coisa muito linda e muito verdadeira para nós:
"Não me digam que não podem...

Tem um mundo que só está esperando você dizer SIM!"



P.s:
Hoje senti vontade de compartilhar essa história com vocês. Já conhecia a história de Tony faz um tempo. Sempre me emociono ao ver o vídeo de novo. Eu também sou deficiente, e me identifico bastante com a história de Tony. E, quando tudo parece conspirar contra mim, contra os meus sonhos, é em histórias como essa que eu busco uma nova força, uma nova fé.
Espero que tenham gostado do vídeo e da história de Tony Melendez.

16 maio 2009

Triste saudade inútil!



Saudade não tem tradução
E tristeza também não
A tua falta rasga a minha alma
E a tua indiferença me faz derramar rios de lágrimas

É difícil ver que eu faço de tudo por ti
E tu nada fazes por mim
Tento te esquecer, te apagar da minha memória
Mas eu não consigo, é em vão

Juro nunca mais te procurar
E uma pedra de gelo me tornar
Mas a verdade é que eu me derreto sempre que te vejo
E você passa indiferente e imponente

Nem me nota
Nunca me notou
Nunca fui teu amor
Nunca

Já perdi as esperanças de um dia ser
Ser tua amada
Tua namorada
Ser notada por ti

Perco a esperança a cada momento
A cada recado não respondido
A cada telefonema não recebido
A cada sonho não realizado

Tudo isso que escrevo só serve pra me conscientizar
Preciso ter a consciência que preciso te esquecer
Preciso te jogar
Jogar no mar do esquecimento

Preciso te afogar por lá
Me desculpe por isso
Mas eu preciso
Sei que no fundo do mar você irá se lamentar

(Erica Ferro)

14 maio 2009

Mãe;

Dia das mães...
Quando é o dia das mães? No segundo domingo de maio? Qual é o mês das mães? Maio? Só?

Todo dia é dia das mães (isso pareceu igual a tudo que as pessoas dizem, mas é a verdade). Todo dia é nosso, é delas, é deles. Temos um dia com 24 horas, e é nesse dia que fazemos as nossas vidas valerem a pena. E mãe, que é mãe de verdade, faz cada dia valer a pena.


Ser mãe não é só carregar uma criaturinha durante nove meses e "estragar" seu corpo com estrias, varizes e ganhar uns quilinhos a mais (não que eu ache pouco, mas isso não é ser mãe na sua totalidade).
Ser mãe não é só "dar à luz" a uma criança. Porque muitas delas não sabem nem o que é luz. Não honram esse maravilhoso dom: o da maternidade. Só "expulsam" do seu interior um ser humano e deixam ele solto, sem proteção, nesse mundo louco e, por vezes, cruel.
Ser mãe é mais do que isso. Ser mãe é mais do que eu consigo dizer.

Posso tentar traduzir o que é ser mãe (mas é só tentar mesmo). E é isso que vou fazer nesse texto.


Mãe é aquela que cuida, que educa, que repreende seu filho, nunca passa a mão na cabeça dele quando sabe que ele está errado, mas também não usa cascudos para ensinar qualquer coisa que seja. É que a verdadeira mãe sabe a força que um diálogo tem. E é por meio de diálogo que mães de verdade ensinam as maiores lições aos seus filhos, e eles entendem, aprendem.

Mãe de verdade é aquela que faz de tudo para dar a melhor vida ao seu filho, tanto financeira como espiritual. É aquela que abre mão do seu prato de comida e dá ao filho, porque a maior alegria dela é ver aqueles olhos brilharem de satisfação, de alegria. Ser mãe é acordar à noite porque o filho acordou chorando de um pesadelo, e ela alegremente foi fazê-lo dormir de novo, de uma maneira terna, contou estórias e histórias até que o filho dormisse tranquilamente e alegremente por ter uma mãe tão dedicada e que o ama. Ser mãe é ir à luta, acordar cedo, trabalhar o dia inteiro pra dar uma vida digna aos seus filhos; e quando chega em casa, mesmo cansada, ainda esboçar um sorriso e abraçar seus filhos, conversar e os faz dormir. Ser mãe é mais do que eu consigo expressar em palavras. Mas ser mãe é saber amar. Mãe é amor.

Tem filhos que não se dão muito bem com suas mães, brigam muito, se desentendem praticamente em todos os assuntos. E é natural. Quando somos muito iguais, temos a tendência de nos repelirmos. Mas, claro, quando as coisas que temos em comum com as nossas mães são boas, temos os melhores momentos com elas. Posso dizer isso por experiência própria. Mas também quando elas vem com assuntos e manias que odiamos (que, na verdade, são nossos defeitos, nossas manias), nós nos irritamos, brigamos, xingamos. Por quê? Porque as nossas manias não nos incomodam em nós, mas as nossas manias reveladas em outra pessoa, ah, isso sim é bem chato e, quase, intolerável. Por isso que acontecem as brigas e os desentendimentos. Se bem que tem mães e filhos que são totalmente o inverso um do outro, e se dão muito bem (a pura revelação da teoria "os opostos se atraem").
Enfim, tem filhos e mães, iguais e diferentes, que se amam e se odeiam. Tudo vai da tolerância de um com o outro. Da disponibilidade que eles tem de se entenderem, de parar e conversar, de tentar ver aonde podem melhorar.


A minha relação com a minha mãe não é sempre um mar calmo. Tem seus momentos de tempestade e de "céus cinzas", mas a calmaria volta a dominar o mar e o sol sempre volta a brilhar.
Muitas vezes eu não concordo com ela, muitas vezes ela não concorda comigo. Temos gostos diferentes (principalmente pra roupas). Mas eu a amo, e acredito que ela me ama (se bem que ela não diz sempre, ela não consegue dizer 'eu te amo' sem chorar; é uma manteiga derretida, fazer o quê...). Ela não diz, mas eu sinto que ela me ama, bem no fundo do meu coração, no mais íntimo da minha alma.

Se bem que às vezes acho que ela não me ama. Às vezes eu tenho certeza que ela não me ama. Às vezes acho que ela gosta mais do meu irmão. Às vezes...
Confesso que eu sou uma pessoa difícil, desconfiada, complexada, e minha mãe tem muita paciência comigo. É por essas e outras que eu a admiro tanto. Na verdade, eu a amo. Admiração é pouco.

Por mais brigas que tivemos, mãe, por mais desentendimentos que tenhamos tido; eu te amo e não me imagino sem ti. O meu desejo, do fundo do coração, é que não brigássemos, que vivêssemos em plena e total união. Mas será que isso seria a perfeição? Acho que não! Acredito que nós cansaríamos de tanta união. Não, não é que cansaríamos, é que não saberíamos a verdadeira força e a extensão do nosso amor. Entende, mãe? As brigas nos ensinam a superar nossas diferenças. Nossos momentos de pura sintonia aprimoram nossas semelhanças. Nossos momentos alegres irrigam nosso amor, acariciam nossas almas, nos fazem melhores, mais felizes.

Mãe, obrigada por ter passado comigo noites em claro quando eu estava doente.
Por muitas vezes eu estive à beira da morte e você me resgatou de lá, com a ajuda de Deus, é claro, mas seu amor e sua vontade de que eu sobrevivesse foram fundamentais nas minhas recuperações.
Obrigada por me incentivar, por me repreender, por me amar.
Obrigada por ser minha mãe.

Mãe, me perdoe.

Me perdoe por tudo que disse, e que te magoou. Me perdoe por todas as vezes que errei contigo.
Já nos magoamos muito. Te disse coisas que te magoaram, das quais também me arrependi.
Já me disseste coisas que me magoaram profundamente, me irritaram, me fizeram chorar. Mas, mãe, isso não é nada comparado ao amor que lhe tenho. E é esse amor que me cura de qualquer dor, de qualquer mágoa que venhamos a ter.

Te amo, mãe. Muito.
E o seu dia é hoje, é sempre.


(Erica Ferro)

13 maio 2009

Bebê;


Teu sorriso, bebê, me traz uma alegria perdida
Perdi a minha alegria naquela esquina
Por todos esses dias andei perdida
Mas encontrei você em meu caminho

Você sorriu pra mim
E eu senti a alegria voltar de uma só vez
Esse choque de alegria me fez flutuar
Quase voei, bebê

Seus olhos são como uma lanterna em minha vida
Eu não sei mais o que é escuridão
Toda vez que ela tenta me cercar
Teus olhos vem me iluminar

Nunca vi sorriso mais sincero
Nunca vi olhar mais doce
Nunca vi abraço mais acolhedor
Nunca vi um amor tão puro

Um amor que não se traduz em palavras.
Nem se quer precisa de palavras
Pois o seu olhar, bebê
O seu sorriso, já me dizem tudo

(Erica Ferro)



***

P.s
: Singela homenagem que fiz especialmente para minha prima Rayara Beatriz. Ela não pode ler isso aqui ainda; ela tem dois meses
de vida, praticamente três. Três meses de muita alegria. Sua chegada irradiou nossas vidas. O sol brilha todos os dias, pois ela está conosco.
Rayara, um dia você lerá isso, eu sei. Mas eu já te disse isso em cada gesto meu, não é, pequena? Eu sei que você sente que eu amo você, e que você é muito especial na minha vida.



11 maio 2009

O aceno;

Você acenou pra mim e eu subi no ônibus, chorando.
Um aperto dolorido, um tapa na cara, um soco no estômago: foram essas as sensações que tive ao me afastar de ti.

Fiquei olhando pela janela, tentando enxergar, você ficou no meio da estrada, na calçada.
O ônibus foi andando, andando, e você dimuindo, dimuindo...
Não! Não pense que você desapareceu, nem que foi apagado da minha memória, muito pelo contrário; por mais longa a distância que o ônibus tenha tomado de ti, o meu amor por ti permanece tão grande quanto antes.
Guardarei pra sempre os seus ensinamentos, os momentos que compartilhamos juntos, as nossas alegrias, nossas brigas que logo após se transformaram em risos e pedido de desculpas.

Alguns acenam e trilham por estradas que ser vivo nenhum trilhou, acenam e se vão pra sempre.
Outros, acenam e voltam a se encontrar em algum outro ônibus, em alguma outra estrada.

Eu espero te encontrar em outro ônibus, em uma outra estrada, em outro dia nublado e faremos o sol, como fizemos de outras vezes.

(Erica Ferro)

07 maio 2009

Pra falar a verdade, às vezes minto...♫

A verdade é essa: todos nós mentimos, uma vez ou milhões de vezes, durante a nossa existência.


As pessoas preferem a mentira. É mentira?
A mentira é doce. É cômoda. Arrisco dizer até que é boa. Mas só é boa quando não é descoberta, e quando, principalmente, não somos as vítimas dela. Os mentirosos enganam os outros, enganam a si mesmos, mas não enganam a vida. A vida é precisa, dá o troco na medida exata, na hora certa.

"Mentira tem perna curta"

Tem mentiras que nem tem pernas, se arrastam. Vão procurando brechas, vão passando por debaixo, pelo lado, por cima. Vão se safando uma, duas, três vezes... Mas chega uma hora, que não dá mais, não tem mais brechas. A máscara cai mesmo, meu caro. Não tem como sustentar uma mentira durante toda uma vida.


Existem mentiras boas, aquelas que (você acha) não fazem mal?


Sua amiga lhe interroga se você achou a roupa que ela comprou para ir a uma festa bonita. Você, mesmo achando a roupa ridícula, diz que está linda e que, sem sombra de dúvidas, ela vai arrasar na tal festa. E você disse isso por quê? Só pra não decepcionar sua amiga. Pra não ver ela pelos cantos, triste, se achando brega.
Mas o que você não sabia era que ela ia te ligar três horas da manhã, bêbada, chorando mais do que um bezerro desmamado, se achando brega e a pior pessoa do mundo. E por quê? Porque ela tomou todas depois de uma certa ex-rival da escola ter cruzado com ela nessa festa, achado a roupa dela horrível e fez questão de cuspir essa verdade na cara da sua amiga. Ridicularizou-a na frente de todos, fez pouco da roupa (e principalmente da cara) dela. Ou seja, sua amiga serviu de palhaça pra muita gente, e você poderia ter evitado isso.
Poderia ter dito a verdade. Como? Ora, como! Dizendo: "Olha, amiga, com todo o respeito e amizade que lhe tenho, não gostei da roupa. Sinceramente, na minha opinião, ela é bem esquisita. Enfim, achei feia."

Mas você poderia dizer também que, se ela achou que a roupa estava boa, que ela sentiu bem com ela, então que danem-se todos (inclusive a sua opinião e, ops, você!) e só.
Talvez teria evitado que sua amiga tivesse passado essa vergonha ou pelo menos teria dado uma injeção de auto estima na sua amiga, assim ela poderia ter revidado na hora que foi humilhada. Enfim, você deveria ter falado a verdade.



A omissão é a melhor solução?

Você viu a namorada do seu melhor amigo aos beijos e abraços com um rapaz. Ah, e o pior, ela viu que você viu. Mas que
situação, hein?
E agora? Conta ou não? Melhor não, não é? Deixa seu amigo descobrir por ele mesmo. Foi o que você fez.
Só que você não contava com o que seu melhor amigo vinha planejando, que era se casar com a namorada dele. Ele tinha visto casas, visto anéis de noivado, orçamento de festas de casamento. Estava preparando uma surpresa pra ela.
Foi no dia que seu melhor amigo ia dar o anel de noivado pra namorada, que ela foi pega com a "boca na botija" (não, isso não é nada pornográfico não, viu?!). Quero dizer, ela foi pega aos beijos, amassos e abraços com esse tal rapaz. Ela nem viu a cor do anel (que por sinal era lindo, tinha custado uma nota pretíssima).
O seu melhor amigo ficou muito
irado, a chamou de várias nomes feios (nem vou dizer aqui, não é? pois meu blog é um blog sério, e é recomendado para toda a família). E ela, já cansada de ser esculachada, solta: "Você diz que eu o trai, que eu o sacaneei. Mas e o seu amiguinho, que certa vez me flagrou nessa mesma situação, e não falou nada pra você?".
Aí o seu melhor amigo sai louco atrás de você, desejando esganá-lo, esculachá-lo e jurando nunca mais olhar na sua cara. Então você diz que só fez isso para protegê-lo, que você não queria vê-lo sofrendo.
Então seu amigo escarra essa verdade na tua cara: "E você acha que eu não estou sofrendo? Que doeu menos ter descoberto isso agora? E mais ainda, teria me poupado de uma dívida que fiz hoje de 6 mil reais. Esse foi o preço do anel de noivado, que comprei pra pagar durante dois anos." Você fica triste por seu amigo, se arrepende de não ter dito a verdade, mas ainda tem forças de fazer a seguinte pergunta: "E cadê o anel?"
Seu amigo remexe nos bolsos, os olhos dele se esbugalham, ele começa a ficar agitado e nota que perdeu o anel lá na hora do alvoroço. Vocês dois saem correndo, mas não conseguem recuperá-lo.
Vocês nem imaginavam que tinha um espertinho de
olho bem atento lá na hora da confusão. E quando o anel caiu do bolso do seu amigo querido e desastrado, ele esperou as pessoas se afastarem, desocuparem o local, se aproximou de mansinho, como se fosse pegar uma pedra, bem disfarçadamente, pegou o anel, que estava naquela linda caixinha vermelha e foi direto dar um jeito de vendê-la. Vocês chegaram tarde.
Seu amigo passou meses irado contigo. Se sentindo um corno (o que não deixava de ser verdade) e ainda burro. Enfim, demorou muito pra seu amigo entender que você era amigo dele de verdade e só queria ajudá-lo. Ainda mais quando você se ofereceu pra pagar metade do anel. Voltaram às boas. Mas você aprendeu a lição de que não se deve enganar, omitir ou mentir, que isso pode custar mais do que 6 mil reais.


Prazer de mentir

Fabrício era do tipo encantador, conversador, se dava bem com todo mundo. A não ser quando esse "todo mundo" não colaborava com o que ele esperava. Fabrício era um psicopata. As pessoas, para ele, eram objetos, pontes para se conseguir o que ele queria. Ela fazia com as pessoas o que nos fazemos com as laranjas, sugava tudo o que elas tinham e, quando não tinha mais nada a oferecer, jogava no lixo. E partia para outra "laranja". Assim foi a sua vida toda. Li sobre psicopatia e vi que isso não tem cura. Quem nasce psicopata, morre psicopata.
Mas não só mentem por prazer psicopatas. Tem aquelas pessoas que
mentem por prazer, e não são necessariamente psicopatas. São pessoas ruins, frustradas. Que pensam: "Se eu não sou feliz, ela também não vai ser!". E, assim, infernizam, criam mentiras, confusões, fazem o circo pegar fogo realmente.
Se você sente um
prazer, mesmo que minimizado, em mentir, melhor procurar ajuda. Reveja seus conceitos, suas verdades, suas mentiras. Veja se isso está te fazendo bem e, o mais importante, se você não está fazendo da sua frustração a infelicidade de outras pessoas.


Nas nuvens da mentira

Jéssica era uma menina muito sonhadora. É cruel dizer que ela é mentirosa. Mas ela era mentirosa.
Ela era uma menina pobre, e preguiçosa. É, eu tenho que dizer que ela era preguiçosa. Ela não tinha coragem de lutar pelos sonhos e desejos dela. Ela não tinha garra pra isso. Aliás, ter ela tinha, mas isso bem lá no íntimo da alma dela. Ela só enxergava o que estava na superfície do íntimo dela. E o que estava na superfície? A imaginação, o faz-de-conta, a "mentira boa".
Ela trabalhava numa padaria, mas andava como se fosse uma empresária de sucesso. Para isso, se enchia de dívidas, saía
comprando roupas, acessórios caríssimos. Jéssica devia a Deus e ao mundo. Mas Jéssica se sentia bem assim. Se sentia feliz ao mentir que era rica.
Essa felicidade foi se arrastando até o dia em que foi presa. (PRESA?!) É, gente, presa.
Jéssica chegou
num ponto crítico, devia em todos as lojas possíveis. Não tinha mais como comprar nada. Os donos de lojas já espalhavam para outros donos a fama de Jéssica (de velhaca).
Jéssica tinha arrumado um convite (não sei como) para uma festa super balada, e de muito luxo. Só que suas roupas chiquérrimas já não causava mais efeito nela. Ela queria outras. Novas.
Jéssica tinha visto um vestido lindíssimo na vitrine de uma loja
(caríssima, também) e decidiu pegá-lo (traduzindo, roubá-lo).
Jéssica tinha perdido a noção do perigo. Pegou o vestido (crente
de que ninguém estava vendo), mas viram.
Jéssica foi presa em flagrante. Passou alguns anos detenta. Esses anos foram um

santo remédio para Jéssica. Ela viu a cruel realidade da prisão. Sentiu a dor de se ver presa, sem poder contemplar as coisas simples que ela tinha deixado passar por estar hipnotizada pelo luxo, pelo glamour; pelas futilidades.
Saiu da prisão renovada.
Levantou-se do tombo (tinha caído das nuvens da mentira).
Resolveu lutar por quem queria ser, e não imaginar, fingir que era algo que não era. Ela
descobriu que, esse tempo todo, a pessoa que ela tinha enganado mais, tinha sido ela própria.

***

Não acho mentir a saída para qualquer que seja a situação. Sejam pequenas coisas, sejam grandes coisas. Quando somos pegos na mentira, perdemos nosso "título" de confiável. As pessoas, dificilmente, voltam a nos dar crédito de novo. Por mais que elas mintam também.
Pois o mundo em que vivemos é assim: "Eu minto pra você, mas não minta pra mim, que eu não te perdôo!"


Mas, pra ser sincera com vocês, às vezes minto. Como disse, todos nós mentimos. TODOS.
Isso é preocupante. A verdade ficou conhecida como a "dolorosa, a dura, a crua, a nua". E a mentira "a boa, a salvadora, a legal, a essencial".
Nos desfizemos de nossos conceitos, da nossa ética. Queremos sempre tapar o sol com a peneira. E as mentiras são essas peneiras e o sol é a verdade. A verdade sempre vai brilhar, sempre vai prevalecer. Não tem pra onde correr!

Existem várias maneiras de se falar uma verdade. Podemos falar verdades de uma maneira dócil. Sim, dócil ou pelo menos não tão cruel! Com tantas palavras, com tantos adjetivos, por que mentimos? Tão melhor falar a verdade! Tão mais sensato! Tão mais sincero e honesto!

Busque sempre falar a verdade. Não baseie sua vida na mentira. Ela é como uma bolinha de neve, bem pequena, que é aumentada a cada mentira que você solta. Se você não tomar cuidado, ela vira uma grande bola de neve e esmaga você.

Fique esperto!



(Erica Ferro)

05 maio 2009

Já!

"Eu quero a atualidade sem enfeitá-la com um futuro que a redima, nem com uma esperança - até agora o que a esperança queria em mim era apenas escamotear a atualidade.
Mas eu quero muito mais que isto: quero encontrar a redenção no hoje, no já, na realidade que está sendo, e não na promessa, quero encontrar a alegria neste instante."
(Clarice Lispector, A paixão segundo GH)

Eu quero, preciso e encontrarei a alegria agora; já.

"Pois a atualidade não tem esperança, e a atualidade não tem futuro: o futuro será exatamente de novo uma atualidade."
(Clarice Lispector, A paixão segundo GH)

O futuro é agora
A esperança está contida no agora
Sempre é tempo de ser, de ter, de fazer
Faça agora
Faça já
Seja!
Esteja!
Veja!

O que você está a esperar?

Parar de chover?
Parar de chorar?
Deixar de viver?
Morrer?

Pegue o guarda-chuva

Enxugue as lágrimas
Vá andar pelas ruas
Vá viver, antes que tudo isso acabe

O tempo é contínuo

O tempo é um menino
Ele adora correr, voar
Você tem que acompanhá-lo
Ele só quer brincar
Só quer te ver viver
Lutar
Sonhar...

Viva, agora, já!
O tempo está a te cutucar!

(Erica Ferro)

***

Eu amo esse vídeo do Teatro Mágico. E hoje quero compartilhá-lo com vocês. Espero que gostem!




***

P.s: Meninas (Ana Seerig, Fernanda e Daninha), muito obrigada pelos selos. Eu amei. Não postei ainda aqui no blog porque está dando uns problemas. Quando eu tento postá-los, o blog fica esquisito, as letras ficam alteradas, gigantes. Não sei o que acontece, mas vou resolver logo isso. Vou ver aonde estou errando na edição da postagem e logo posto aqui os selos. Mas, mais uma vez, obrigada. Beijo grande pra vocês e pra todos que leem meu blog, que gostam, que comentam. Enfim, muito obrigada mesmo!

02 maio 2009

Amor tímido;

Hoje quero falar do amor tímido. (hã?! que troço é esse, Erica?!)
Certo, vou explicar.
Sabe aquela pessoa que ama outra, só que não fala isso? Mesmo depois de casado? (Não, eu não estou doida; isso acontece, sim)

Eu conheço várias pessoas desse jeito. Pessoas que dizem que beijar seu namorado/marido em público é frescura; pessoas que tem uma barreira (tipo a muralha da China) pra dizer um "eu te amo".
Sinceramente, eu sou daquelas pessoas que precisam ouvir um 'eu te amo', 'eu preciso de você'.
Tudo bem, eu sei também que um abraço, um beijo, um carinho muitas vezes falam coisas que palavras nunca conseguiram nem conseguirão falar. Mas, sei lá, eu ainda prezo e amo ouvir declarações de amor; preciso ouvir o amor de outra pessoa traduzido (ou quase) em palavras.


Eu conheço um casal que é casado há mais de 18 anos, e nunca foram, nem são de falar 'eu te amo'; não se beijam na frente dos outros; eu cheguei a achar até que o amor deles era meio frio. Mas não, refletindo sobre isso, concluí que o amor deles é tímido.
O amor tímido é o amor mais puro e sensível que existe. É sentido bem no íntimo do coração, e é expressado nos mais singelos gestos; naquele 'bom dia' de manhã; naquele 'alô' dele quando ele está no trabalho e ela em casa, e ele liga só pra ouvir a voz dela; naquele abraço; naquele 'quer que eu coloque seu almoço?'.

O amor tímido é um amor singelo, mas é um amor sincero.
Acho que eu já fui/sou uma adepta do amor tímido; em raras vezes, confesso. Eu sou de falar, de expressar, de abraçar, de amar, de ser adepta do amor escancarado.

E você? Como é o seu amor? Tímido ou escancarado? Seja como for, é amor.

(Erica Ferro)