29 junho 2009

Teu abraço tão terno, se fez eterno...


"Tão doce, tão quente e acolhedor foi teu abraço naquela tarde.
Meus sonhos, minha esperança, estavam abaladas, mas teu abraço me confortou e me conforta até agora, só de lembrar, começo a senti-lo, não como foi, mas uma leve sensação do que foi. Precisava provar do teu abraço de novo, pra sentir aquela sensação de novo, a sensação de conforto, de segurança. Foram poucos segundos que estive em teus braços, mas que foram os mais intensos e um dos mais lindos de toda a minha vida.
Poucos braços e abraços me fizeram ter a sensação de 'porto seguro'. O seu é assim, porto seguro, mas não estou segura. Não posso sentir isso por ti, não posso te querer assim, é errado, é pecado.
Por que não me declarei antes? Por que não disse o quanto te amava antes que você se casasse e fosse pai? Por que deixei você sair assim da minha vida sem nem sequer entrar de fato?
Te amei calada, sufoquei meu amor tão belo e tão sincero.
Mas sabe por quê? Porque eu sentia que não era recíproco. É, e eu sempre senti errado ou tão certo que doía e me entristecia.
E o que eu sentia era que você não me amava, me ignorava.
Mas agora você demonstra um interesse novo, um respeito, uma admiração e preocupação especiais por mim. Isso me alegra, e me amedronta. Não quero alimentar uma falsa esperança. Não quero despertar um amor que estava desacordado dentro da minha alma. Mas não adianta mais, não adianta falar baixinho que eu te amo, o amor, que estava desacordado, já despertou. E sabe quem foi o culpado? Aquele abraço...
Ah, eu poderia ter ficado ali pelo resto da minha vida.
Mas a consciência me lembrou: ele é casado, se afaste dele. Tudo bem que você não está fazendo nada demais, ele é seu amigo, apenas, só quer te apoiar nesse momento difícil, mas, levando em conta o que você tem aí dentro da alma - um grande amor por ele - é melhor que se afaste, antes que esse amor que você sentiu e ainda sente se acorde realmente e te tire a lucidez.
Então, eu me desvencilhei do seu abraço tão terno, deixei que ele se fizesse eterno em meu pensamento, em minha alma.
Sei que não te terei. E é por ter essa certeza que estou indo embora. Não quero mais te ver. Te ver só faz que eu te queira. E eu não posso te querer. Na verdade, eu queria morrer, morrer só pra não te querer, pra não cometer esse pecado, que é pensar em ti noite e dia.
Queria te esquecer...
Ah, eu queria...
Até pensei que tivesse esquecido. Mas aquele abraço acordou tudo que estava desacordado em mim: o amor, a paixão, a ilusão e a loucura.
Hoje, me vejo te amando, me vejo louca, sem rumo, o único caminho que vejo, ou que quero ver, é você. O caminho para o pecado, para o abismo da paixão, para o inferno.
E o clima do inferno não me agrada, é quente demais por lá. E eu já vivo em brasas, a paixão que eu sinto por ti me queima demais.
Quero o paraíso, mas queria que você fosse comigo. Mas não é possível.
Então eu vou seguindo, seguindo por caminhos que eu nem sei quais são, mas eu vou...
No fim do caminho, queria te encontrar sorrindo, de braços abertos, me aguardando com aquele abraço tão terno, que eu já conheço e é eterno."

E esses dizeres estava em uma folha de papel amassada em um lixeiro no quarto de Jane.
E era para Pedro.
Seu amor, seu amigo, sua salvação, sua perdição, sua ilusão, seu amor.
Ele nunca leria. Nunca saberia. Talvez sentiria. Talvez...

(Erica Ferro)

27 junho 2009

Sem ação, a lei da atração é apenas uma teoria ilusória!

O segredo é a lei da atração!

Tudo o que entra em sua vida é você quem atrai, por meio de imagens que mantém em sua mente. É o que você está pensando.
Você atrai para si o que estiver se passando em sua mente.

"Cada pensamento seu é uma coisa real - uma força."

(Trecho do livro 'The Secret')

A lei da atração...
O poder dos pensamentos...
Pense em coisas boas, que você atrairá coisas boas.
Será?

Para se obter coisas boas, é preciso buscá-las, e não somente pensar que já as conseguiu só por pensar nelas.
Mas o que a lei da atração prega é isso: "Pense no que você quer e sinta que você já tem!"

Pra mim, isso é se enganar. De tanto você pensar que já tem, chegará o dia que você não duvidará mais e se conformará com o que tem (ou achará que tem, quando, de fato, não terá nada). Não se preocupará em buscar, porque o tempo todo você pensou que tinha.

Sinceramente, achei o livro 'O segredo' muito engraçado. Sério! Ri muito...

Leiam esse trecho do livro e riam comigo (ou não, talvez só eu achei engraçado):

"Para perder peso, não se concentre em "perder peso". Em vez disso, concentre-se em seu peso ideal. Sinta o seu peso ideal, e você o atrairá para si."

Eu que não malhe, não faça uma reeducação alimentar, não! Até parece que se eu só pensar que tenho o peso ideal, atrairei isso pra mim.
Ah, tem uma parte do livro que fala que eu tenho que agir como se já tivesse meu peso ideal. Comprar roupas de número menor, o número que eu usaria se fosse magra, evitar pessoas gordas, porque, assim, eu estaria atraindo a gordura delas pra mim. Um absurdo isso!

Mas, tudo bem, admito que para se consiga uma coisa é preciso acreditar, pensar positivo, mas também entra o papel da 'ação', é preciso agir, não basta teorizar.
Por exemplo, preciso fazer a minha parte (malhar e reeducar a minha alimentação), mas também preciso acreditar que vou conseguir obter o peso ideal. E conviver com as pessoas gordas não vai atrair a gordura delas pra mim. Que ideia ridícula a desse livro! Credo!

Esse trecho aqui é o fim:

"Quando surgirem imagens que lhe desagradem, aproveite a deixa para mudar seu pensamento e emitir um novo sinal. Se for uma situação mundial, você não estará impotente, pois detém todo o poder. Visualize todos felizes. Concentre-se na abundância de alimento. Dedique seus pensamentos poderosos àquilo que é desejado. Você tem a capacidade de fazer tudo isso pelo mundo ao emitir sentimento de amor e bem-estar, apesar do que acontece ao seu redor."

O fim mesmo.
Se fosse assim, de tanto que eu peço a Deus que o mundo seja um lugar pacífico, mais humano, mais feliz, estaríamos todos vivendo num verdadeiro paraíso.
Não basta pensar, é necessário fazer. Fazer acontecer. Buscar soluções para o caos que o mundo se encontra. E acreditar nelas, acreditar nas soluções, colocá-las em prática.
Acredito, sim, na união das duas forças: do pensar e do agir. Elas, juntas, são imbatíveis.

Acredito que o acontece é que muitos se agarram à só uma força. Alguns sabem, de fato, e comprovaram o poder das duas juntas.
Os acomodados se apegam à lei da atração. É, porque a lei da atração prega aquela coisa de: pense que você já conseguiu, o Universo fará seu desejo se realizar sem que você se esforce, basta você pensar que já tem e terá.
Os lutadores, mas que são pobres de fé, se agarram à ação, agem com todo o fervor em prol dos seus desejos, mas, por lhes faltar fé, não chegam ao objetivo. Eles fazem, eles tentam, mas não crêem que possam chegar.
Os guerreiros de fé, esses, sim, chegam, realizam. Porque lutam com garra, com fé. Acreditam no que muitos acham impossível.

Eles acreditam porque sente o quanto são poderosos, não só por acreditarem no que querem, e sim por verem o seu esforço e sentirem algo dentro deles os impulsionando: a fé, o desejo.

A lei da atração não funciona sem a ação. E a ação não funciona sem a fé. Logo, querer é poder, mas não só basta querer, é preciso fazer, agir. Transformar a teoria em prática, o pensamento em ação.


(Erica Ferro)


***

Pauta para o PostIt!
Tema: A lei da atração.

25 junho 2009

Continue nadando... Continue...

Nem ia escrever aqui hoje. Não sei nem o que eu estou fazendo aqui.
Estou triste, muito triste.
A viagem pra Natal foi massa. Mas só a viagem.
Conheci algumas pessoas, conversei pessoalmente com umas que falava pelo msn e orkut.. Foi legal.
A competição?
Foi a pior da minha vida.
Na quinta, antes de entrar no táxi, caí na lama. É, caí mesmo... Me sujei toda. Tinha escolhido com tanto gosto a roupa, os acessórios, a sandália. A coitada se encheu de lama, nem deu mais pra usar ela.
Comecei a chorar na hora que me vi na lama. Não, eu não me machuquei, não me arranhei. Não foi isso.
Foi o conjunto da coisa. Já tinha passado por algumas coisas aqui. Prefiro não comentar. Mas, enfim, estresses normais, mas que desestabilizam qualquer um.
Entrei em casa, tomei banho chorando, vesti outra roupa qualquer chorando, entrei no táxi chorando e permaneci chorando por um bom tempo. E minha mãe mandando eu parar de chorar, mas eu não conseguia. Era bem mais forte do que eu. Estava chorando por tudo, a queda foi só o pipocar da pipoca, se é que me entendem. Pronto, a partir dali, já fiquei abalada. Mas tentei me acalmar, pensar que ia dar tudo certo, que eu não treinei um ano pra me deixar abater por pouca coisa. Foquei na competição, tentei afastar os pensamentos negativos...
A viagem foi animada, todo mundo naquela bagunça no ônibus. Só não gostei muito do DVD que tocou lá...Ruim demais, um forró fuleiro lá. E pior que tocou o mesmo DVD na ida e na volta. Credo!
Teve uma música desse DVD que infectou minha cabeça. É assim:

Ô, gatinha, você gosta mais de red label ou ice? Pra mim, tanto faz red label ou ice...♫


Infectou de um jeito! Só vivo cantando isso agora. Minha mãe que já vive cheia...
Tenho que me viciar em outra música pra largar dessa desgraça.

Enfim...
Deixem-me contar a desgraça que foi a competição:

Menstruei lá.
Sabia que isso podia acontecer, mas estava tranquila.
Pensei: Nado com o short, como sempre nadei.
Só que as regras mudaram, e eu só soube lá, na véspera da competição.
A regra é internacional: Não pode usar mais de uma roupa quando for competir.
Ou seja, não poderia usar o short. Na água, dizem que o fluxo para. Maravilha!
Mas, e antes? Antes da prova começar? Como ia ser? Ia deixar escorrer perna à baixo?

- OB, Erica.

- Oi? Sou virgem. Não se pode ser virgem mais, meu Deus!

Dizem que virgem, algumas, que fique claro, pode usar OB, mas, primeiro, é preciso ir ao ginecologista.

Ou seja, não daria pra ir ao ginecologista lá, não é?
Aí pronto, lascou.
Corri o risco lá, na hora. Coloquei uma calcinha por baixo do maiô com o absorvente normal. Corria o risco de ser desclassificada por estar quebrando a regra. Mas fui na fé, crente que não iam me desclassificar. Me ferrei. Assim que eu terminei a prova, escuto:
Nesta prova, a atleta da raia 2 foi desclassificada.

Escuto isso como se fosse agora. Foi triste pra mim. Passei o ano todo treinando, gente. E acontece um troço desses comigo. Tudo bem, não foi um ano perfeito em termos de treinamento, poderia ter sido melhor, mas foi um ano todo que eu esperei pra essa competição.
Enfim... meu técnico foi lá tentar conversar, ver se eu não era desclassificada, mas não teve jeito. É uma regra internacional, como eu disse, não pode quebrar, abrir exceções.
Chorei muito, muito mesmo. Tinha a prova dos 100m costas logo após dos 100m livre - prova que tinha sido desclassificada.
Estava no banheiro, totalmente desorientada, chorando muito, me sentindo uma azarada, uma desgraçada. Escutei chamando Erica Ferro para a prova dos 100m costas, nem me mexi. Continuei chorando. Escutei meu técnico me chamando... Mas nem fui. Como ia? Não tinha condições mais... Não ia colar o absorvente no maiô molhado... (que assunto nojentinho o meu, hein? mas precisava desabafar, vou continuar...)
Perdi a prova dos 100m costas. Ou seja, fui eliminada da competição.
Na sexta, um dia antes da competição, tem o congresso técnico. Lá os técnicos confirmam as provas que os seus atletas vão nadar. Eu estava confirmada nos 100m livre, 100m costas, 100m peito e 50m livre. Agora, depois de confirmar, não pode mais deixar de nadar a prova. Senão, está eliminado da competição e, talvez, corra o risco de sofrer mais alguma punição.
Ou seja, minha situação estava pretíssima, aliás, vermelhíssima.
Graças a um atestado médico, pude nadar os 50m livre no domingo, que também limpou meu nome, não estava mais eliminada nem ia sofrer punição. Amém.
Mas, gente, já tinha perdido três provas, praticamente. A competição estava sendo horrível pra mim.
Nadei os 50m livre no domingo. É, nadei... mas não foi como eu esperava, não alcancei o índice mínimo pra participar da etapa nacional, só ganhei uma medalhinha de prata, mas que, sem o índice pra etapa nacional, valeu de nada. Foi triste, caros leitores. Foi muito, muito triste. Dói lembrar. Se bem que agora eu estou bem melhor. Recebi muito apóio do meu técnico, dos meus colegas de equipe. Mas nada me consola totalmente, entendem? Acho que sim...
É uma marca, negativa, obviamente, na minha carreira de atleta; ou de quase uma.
Um ano perdido. Jogado no mar vermelho. VERMELHO.

Não me conformo. Mas não posso ficar me lamentando, de braços cruzados, esperando não sei o quê. Tenho que me levantar, tirar o cloro do maiô, lavar, colocar pra secar, vestir de novo, colocar a touquinha, os óculos e remar, remar todos os mares do mundo.
É, vou contornar as marés altas, torná-las baixas. Vou na fé. Posso ter perdido o ano, na natação, mas 2010 vem aí. E pode ser O MEU ANO. Vou fazer de tudo pra que seja. Tenho muitos projetos. Teorias... teorias...
Sempre volto cheia delas depois de competições. Mas não... a teoria vai se transformar na prática. Vou além! Vou chegar! Vou nadar!

Amanhã parece que vai ter uma gravação com quem foi pra Natal. Não queria ir, queria ter algo bom pra mostrar, tempos excelentes. Mas não tenho... só tenho uma mísera medalha de prata que não veio com o índice, então... não tenho nada pra mostrar.
Porém, mamãe e papai querem que eu vá, dizem que é bom, que eu preciso mostrar meu trabalho. Que trabalho?
Certo, certo...
Sou boa. Nado legal... posso ser a nova recordista na natação. Isso é verdade! Basta que eu me esforce, E MUITO.
E eu vou. Calma, vou me esforçar. Claro que eu ambiciono ser recordista. Mas, calma aí, não é? Vamos por etapas.

Bom, termino a postagem por aqui. Nunca postei nada tão pessoal aqui no blog, apesar de ser meu, nunca falo muito de mim. Penso que não gostariam, sei lá...

Desabafar, era isso que eu queria. Me sinto um pouco melhor.

Não sei se as pessoas que vou citar agora lerão isso aqui, mas quero agradecer a toda a equipe da ADEFAL, mas, especialmente, a essas pessoas:

Ao meu técnico, Diego Calado. Ao meu amigo, Júnior Alexandre, por toda a força e incentivo que sempre me dá. Ao Márcio, que foi uma pessoa muito importante nessa competição, me passou uma força muito grande, me incentivou demais. Sem vocês, teria sido bem mais difícil sobreviver a isso.
Mais uma vez: Muito obrigada!

Acho que estou sendo injusta. Outras pessoas me apoiaram muito antes e depois dessa competição. É que eu não estou raciocinando muito bem, entendem? Estou cansada, meio chocada ainda. Se eu não citei alguém, não foi por maldade nem por esquecimento, e sim por não estar sabendo ordenar, nesse momento, os pensamentos. Mas, saibam, cada palavra, cada 'boa sorte', foi muito válido pra mim, me ajudou bastante.
Ah, Otávio Machado... Meu amigo...
Esse daí é, como dizem, MARA. É massa falar com ele. Super legal. Adoro a pessoa dele.

Queria agradecer a tantas pessoas, tantas...
Mas simplifico assim: Obrigada, meus fãs.
(Viram? Toda besta, achando que tenho fãs... Não viaja, Erickinha!)

(Erica Ferro)

18 junho 2009

O perdão...

Era uma noite estrelada, mas Mariana e sua mãe estavam dentro de casa, sentadas no sofá, assistindo televisão.

"Boa noite! Estamos começando mais um programa 'Descomplicando a vida'." - Disse Glória Marinho, apresentadora do programa.
- Acho tão legal esse programa, mãe.
- É, filha. Realmente é um programa interessante, aborda temas mais interessantes ainda.

"O tema do programa de hoje é perdão. Você consegue perdoar facilmente? Como você vê isso de 'pedir perdão e perdoar'?”
Liga para cá e dê a sua opinião. O número do telefone está no rodapé do seu televisor. Estamos esperando a sua ligação e a sua opinião. Mas, enquanto isso, veremos as opiniões de pessoas que foram entrevistas nas ruas da cidade."

- A senhora já teve que pedir perdão ou perdoar alguém? Como foi essa experiência? Como você vê o ato de perdoar e o de pedir perdão? - O repórter interrogou uma mulher que ia passando na rua.
- Olha, meu filho, já perdoei e já perdi perdão por muitas coisas em minha vida. Mas não é fácil pedir perdão. O orgulho muitas vezes não deixa. E perdoar é tão difícil quanto pedir perdão, se não for mais difícil. Pois o ser humano é um bicho esquisito: ele erra, mas quer que seu erro seja perdoado. Mas, se alguém erra com ele, ah... aí não tem perdão, não.
- Muito obrigada, dona Gilvânia, por participar dessa enquete do 'Descomplicando a vida'...- Falou o repórter. - Ei, moça...- Disse apressadamente o repórter Flávio, dirigindo-se a uma moça.- Poderia dar sua opinião sobre a enquete do programa 'Descomplicando a vida'?
- Sim, claro. Respondeu a moça, prontamente com um leve sorriso envergonhado.
- Quais os tipos de coisa que você não perdoa?
- Traição, mentiras e falsidade.
- Não perdoaria jamais? - Perguntou o repórter.
- Jamais mesmo.
- E por que essa resposta tão definitiva?
- Ah, porque eu não tolero mentiras, apesar de também mentir. - Respondeu a moça, confirmando o que a senhora, sábia senhora, tinha dito mais acima.

"Bom, essas foram duas das opiniões que colhemos nas ruas da cidade, mas, daqui a pouco, tem mais. Agora vamos chamar três convidados...”.

Justo na hora que ia chamar os convidados da noite, teve uma queda de energia. A mãe de Mariana, muito rápida, pegou umas lanternas, uma para ela e outra para Mariana.

- Poxa, mãe, logo agora a energia faltou. - Se lamentou Mariana.
- Pois é. Que pena, não?! - Falou a mãe.
- Mãe...
- Oi, filha.
- E você, o que acha disso de traição, mentiras e perdão?
A mãe de Mariana ficou um pouco quieta, uma onda de nervosismo a tomou, mas conseguiu disfarçar e responder:
- Bem, Mariana, eu acho que tem casos perdoáveis. Aliás, tudo é perdoável se realmente existir o arrependimento.
- Boa resposta, mamãe. Mas acho que eu não conseguiria perdoar tão facilmente em nenhuma situação. Sou muito exigente comigo e com os outros. Procuro não machucar e ser fiel com as pessoas e espero o mesmo para comigo.
- Entendo você, minha querida.

E assim foi a noite, Mariana e sua mãe conversaram sobre perdão. Sua mãe um pouco nervosa, mas só por dentro, interiormente. Tentava não deixar transparecer isso. Não poderia deixar, Mariana não poderia saber que...

(...)

Passaram duas semanas depois daquele programa, e Mariana chegou em casa chorando muito. Passou pelo segurança em toda a velocidade, entrou dentro de casa, subiu as escadas correndo, desesperada, quase escapulia do degrau, a mãe estava na sala, foi ao seu quarto saber o que tinha acontecendo ou o que estava acontecendo:

- Mariana, meu amor, o que houve?
- Ai, mãe, eu quero morrer.
- Mas, meu bem, não diga isso, por que você quer morrer?
- O Júlio, mamãe, o Júlio e a Carol...
- O que aconteceu com eles?
- O que aconteceu comigo, você quer dizer, não é?
- Como assim, minha filha?
- Eu vi eles se beijando, mãe. - Disse desconsoladamente.
- Não posso acreditar, minha filha. Você conversou com eles? Perguntou o que estava acontecendo?
- A senhora nem parece ter essa idade que tem, mãe. Eles me traíram, mãe. Foi isso que aconteceu: uma dupla traição. Minha melhor amiga, de infância, que me conhece e dizia que me amava, que se importava comigo. E o Júlio, meu amor desde menina. Sempre brincávamos eu, a Carol e ele. Éramos o trio parada dura...- Choramingou Mariana.
- Minha filha, deve haver uma explicação. Não tire conclusões precipitadas.
- Mãe, eles me disseram, mesmo eu dizendo que não queria ouvir, que não quiseram me magoar; que eles iam falar. Acredita que eles disseram que se apaixonaram sem querer? Que me amavam, que não queriam me ver sofrer? Tanto é que não disseram antes por medo da minha reação. Mas eu descobri tudo, mamãe. Descobri tudo... Não tem perdão, mãe. Traição não tem perdão, e logo duplamente...
- Mas, filha, você não viu sinceridade nas palavras deles?
- Não quero nem saber de sinceridade. O que importa é a destruição que está acontecendo dentro de mim, meu coração está destroçado, nunca conseguiria perdoar isso.

Mariana passou a noite chorando, se perguntando onde tinha errado com sua amiga e seu namorado para que eles tivessem feito uma coisa tão horrível assim.
Porém, a verdade é que Júlio e Carol tinham se apaixonado de uma maneira sincera e sem intenção, realmente. É assim que é a paixão, sem aviso prévio e não escolhe quem vai arder nas chamas dela. Vem, fica e não sai tão fácil. Foi assim com Júlio e Carol, eles bem que relutaram contra isso, mas não conseguiram. Decidiram contar pra Mariana assim que criassem coragem, estavam inseguros, com medo da reação dela, por isso sempre adiavam, mas Mariana descobriu tudo antes de qualquer coisa e não os perdoou.

(...)

Passaram-se meses. Mariana já tinha esquecido um pouco a história, também não poderia ser diferente, ela estava passando por um drama muito grande. Sua mãe estava em fase terminal, foi descoberta uma doença gravíssima, sem cura. Mariana estava inconsolável, mas sua mãe estava firme e forte, em termos, claro. Sua alma era forte. Realmente, era uma grande mulher.
Passou 17 anos de sua vida ao lado de Mariana, deu-lhe uma vida de luxos, no começo não foi fácil, mas conseguiu vencer na vida e dar uma vida de princesa a Mariana. Uma vida de qualquer um gostaria de ter: amor e conforto, a perfeita combinação. Estava com a sensação de morrer tranquila. Mariana logo faria 18 anos, poderia tocar a empresa, e ainda tinha o seu irmão que, era um homem bom e honesto, poderia ajudar Mariana a administrar a empresa.

(...)

A morte bateu à porta da mãe de Mariana, ela sentiu que não passaria daquele dia, chamou Mariana e decidiu revelar uma coisa:

- Mariana, eu te amo muito.
- Também te amo, mamãe. Não se esforce. Eu quero ter a senhora por mais tempo, pra sempre.
- Mas não é possível, meu bem. Sinto que estou indo. Mas eu ficarei bem e você também. - Pausa. - Escute, pequena, aliás... uma mulher, uma linda mulher. Tenho uma coisa a dizer, preciso do seu perdão antes de morrer...
- Perdão? Como assim, mamãe? - Falou assustada.
- Mariana, eu não sou sua mãe biológica. Você precisa saber de toda a história, minha filha... mas eu sinto que não irei conseguir terminar de contar... mas me perdoe, por favor. Me perdoe por ter ocultado isso de você.

Mariana levantou-se rapidamente, colocou as mãos na cabeça, estava desesperada, não conseguia raciocinar, sua mãe estava agonizando. Ela se desesperou, começou a chorar descontroladamente, sua mãe a chamou com um fio de voz, mas Mariana saiu do quarto do hospital, chorando e se descabelando. Sua mãe morreu sem seu perdão. Mariana soube da notícia horas depois de ser achada vagando nas ruas. Estava sem reação, se encontrava em estado de choque.

(...)

Uma semana se passou, Mariana estava chocada ainda, não tinha conseguido chorar no enterro da mãe. Estava decepcionada com aquela mulher, aquela que sempre lhe pareceu tão sincera e verdadeira. Por que escondeu isso dela? De quem ela era filha? Onde estava sua mãe biológica?

(...)

Certo dia, olhando as coisas da mãe, Mariana achou uma carta:

"Mariana, minha filha, minha querida, minha princesinha. Sei que, quando leres essa carta, não estarei mais contigo.
E escrevi esta carta justamente por saber que você não conseguiria me perdoar no meu leito de morte. Até te entendo, minha pequena. Passei anos escondendo um segredo de ti, mas, acredite, foi para o seu bem, para te proteger. Contarei toda a história:
Meu marido Maurício e eu tínhamos uma loja muito bem sucedida, famosa em toda a região. Tínhamos vários clientes. Um deles chegou numa sexta-feira à tarde. Uma linda mulher, em torno de seus 19 ou 20 anos, não mais que isso. Na época, eu tinha 30 anos, seu pai 40. Era uma mulher atraente, comunicativa, encantadora, muito simpática. Sempre ia na nossa loja, comprava sempre e conversava muito conosco. Fomos ficando amigos, eu, Maurício e a tal mulher, que se chamava Janete.
Mas eu não esperava pelo o que veio depois. Num dia qualquer de inverno, cheguei na loja, tinha ido comprar umas mercadorias, vi Maurício e Janete aos beijos. Me escondi, para continuar vendo a cena, não queria que me vissem, queria ver até onde aquilo ia parar. E vi.
Por tempos Maurício me enganou com Janete, aliás, achou que me enganava, mas eu sabia de tudo. Queria mesmo saber no que aquilo resultaria. Janete iludiu Maurício, o manipulou, o fez passar todos os bens dele para o nome dela e, para isso, disse que, assim, eu não teria como lucrar nada com a separação. É, ela o fez ilusionar que ela queria que ele se separasse de mim e se casasse com ela. Mas não, ela só queria todos os seus bens. Disse também que estava grávida, que ela, o bebê e ele fariam uma linda família feliz. Ela estava grávida realmente, mas nunca amou a filha. Era uma filha...
Passaram-se meses, ela continuou com ele, só estava esperando a filha nascer pra completar o plano.
A essa altura, já tinha conseguido roubar todos os bens de Maurício. Logo depois que a filha nasceu, numa noite dessas, chegou em nossa casa com uma arma decidida a matar Maurício. Sim, porque, com ele vivo, seria bem mais perigoso, ele poderia denunciá-la depois de perceber que ela tinha dado um golpe nele. Atirou em Maurício impiedosamente na minha frente. Corri, me ajoelhei ao lado de Maurício, ele não sobreviveria, a bala tinha o atingido no peito. Tinha poucos minutos de vida e usou todos os eles para pedir perdão a mim.
Disse que foi um tolo, que tinha sido muito vulnerável, que a vida toda tinha sido assim, carente, idiota; que, na verdade, o que ele sentiu por aquela mulher - Janete - era algo proibido, pecado, que alimentava um desejo insano dentro dele. Mas amor... amor ele só tinha sentido por mim. E eu vi isso nos olhos dele, Mariana. Eu vi o arrependimento nos olhos dele. Eu o perdoei. Ele morreu logo depois, mas com um leve sorriso no rosto, acho que um sorriso de alívio.
Mas não parou por aí. Janete quis me matar também, eu saí correndo feito louca, tentando me desviar das balas, então, nesse tiroteio, um choro de um bebê ecoou. Ela saiu atrás, pegou o bebê que estava fora da casa, no carrinho. Quis se livrar do bebê, apontou a arma para cabeça do pobre ser indefeso, deu uma gargalhada e disse: "Não seria nada mau me livrar de você, sua merdinha! Já consegui tudo que eu queria mesmo." Supliquei-lhe que não matasse aquele ser indefeso, então ela disse que se eu me preocupava tanto com o fruto do pecado do meu marido, que ficasse com ele. Jogou em meus braços e saiu batendo a porta. Não me matou porque as balas de seu revólver tinham acabado. Aliás, não nos matou. Esse bebê era você, Maurício era seu pai. Janete Martins Ferrari sua mãe biológica, não diria nem mãe, você simplesmente foi gerada dentro dela, pois ela é uma psicopata sem escrúpulos, sem amor nem piedade por ninguém, nem por ela própria. Se todo esse tempo eu escondi isso de você, foi por não querer ver você sofrer. Se eu disse que seu pai tinha morrido num acidente quando você era pequena, foi por não querer ver a desilusão e a tristeza de ter sido gerada por uma criatura tão abominável como é essa Janete.
Mariana, eu nunca te vi como o fruto de um pecado. Quando eu vi teu rostinho e teu sorriso sincero, esqueci de que você saiu de uma criatura horrenda. Você veio dos céus pra mim, minha querida. Eu a amei desde quando eu a vi. Você é um presente de Deus pra mim. Quero que você seja muito feliz, minha filha. Deus estará contigo na tua caminhada, e eu também, dentro do seu coração e na sua memória. Depois de ler tudo isso, minha cara, espero que me perdoe. Onde estiver, sentirei o seu perdão. Pode ter certeza.
Te amo e para sempre te amarei.

Sua mãe, a única."

(...)

Depois de ler a carta de sua mãe, Mariana chorou, um choro de tristeza, um choro confuso e de remorso. Sabia que sua mãe estava falando a verdade naquela carta. Se arrependeu por não ter dado o perdão a mãe, mas também ela não sabia de toda a história, estava atordoada demais na hora pra falar qualquer coisa. Perdoou a mãe e a si mesma.
Descobriu que perdão é tão divino que só os humanos conseguem perdoar de verdade. Porque ser humano é quase divino. Humano é aquele que consegue se arrepender, aquele que sente o arrependimento do outro nos olhos lacrimejantes. E é aquele que sente o amor, a dor, o perdão, latejar no seu coração.

(...)

Depois de uns dias, assistindo o telejornal, Mariana viu a notícia de que uma tal de Janete Martins Ferrari tinha sido morta na noite anterior, pela mulher de um empresário famoso. Ela tinha tentado dar um golpe, mais uma vez. Dessa vez não tinha escapado com vida. Mariana sentiu um misto de pena, indiferença e justiça.

(...)

Não se sabe se Mariana uma dia conseguiu perdoar Janete. Acho que ela teve mais pena do que perdão por ela. Pena por ela não ter tido sentimentos, por ter sido uma pessoa vazia, pena por ela não ter conhecido o amor, a felicidade.

(...)

Mariana passou a ver o ato de perdoar de uma maneira mais acessível. Viu que todos erram e que alguns erros, mentiras, ocultações, são uma forma de proteger, de temer que se sofra mais com a verdade - esse foi o caso de sua mãe verdadeira, a sua única mãe, a que a criou, que a amou, que foi e sempre será a sua mãe.

(...)

Mariana, um dia desses, aos passar por Júlio e Carol disse: Eu os perdôo.
E continuou andando, mas Júlio e Carol não precisaram de mais palavras, entenderam perfeitamente a mensagem. Ela os perdoou. Entendeu que eles tinham se apaixonado de uma forma sincera, sem intenção de magoá-la nem nada do tipo.

(...)

E, assim, Mariana seguiu seu caminho. Errou muito na sua vida, acertou mais ainda e perdoou a si mesma sempre e aos outros tentou os perdoar sempre também. Não era fácil, mas também não era impossível.

(...)

O amor é a força que nos impulsiona para o perdão. Quando se ama verdadeiramente, se perdoa qualquer coisa, claro, desde que haja o arrependimento sincero da outra parte. E isso, de alguma maneira, sentimos. Basta observar os olhos, o tom da voz de quem pede o perdão. Não é tão difícil assim perdoar nem pedir perdão. Basta, também, ter a consciência de que todos nós somos seres errantes e fadados ao erro num momento chamado sempre. Se não houvesse o perdão, estaríamos perdidos. Como viveríamos sem ter sempre uma segunda chance, terceira, quarta...?
O que vale nessa questão é o arrependimento sincero e a inclinação para o perdoar.
Não sou defensora do erro e o do perdoar em qualquer hipótese. Aliás, sou a favor do perdoar sempre quando se sente que o arrependimento é sincero. Sou a favor da visão de que somos errantes e que sempre seremos. Sou a favor da segunda, terceira e infinitas chances para um novo recomeço, desde que isso seja realmente verdadeiro e real: o querer recomeçar, o se arrepender.

Isso é uma bela teoria, não é?
Na prática, as coisas se complicam um pouco. Mas, se conseguirmos colocar a teoria na prática, descomplicamos a vida.

Perdoe-me por ter feito você ler isso tudo. Mas, de coração, espero que não tenha sido em vão. Que, de tudo isso, você tire alguma lição. Essa foi a minha intenção: ensinar alguma coisa que servisse para sua vida, que tocasse o seu coração, que abrisse a sua visão.

***
Pauta para o PostIt!
Tema: Perdão.

***

P.s: Agora, sim, minha postagem ficou enorme. A estória fez sentido? Ficou tosca? Espero que não.
Eu amei todos os comentários anteriores. Bati o recorde de comentários, 20. Não posso responder agora porque vou arrumar a mala agora. Estou indo pra Natal hoje. Me desejem sorte. Quando voltar, respondo a todos comentários, certo?


14 junho 2009

A Cidade do Sol!

45 dias - esse foi o tempo que gastei pra ler A cidade do sol.

"Erica, minha filha, como você lê devagar!"

Não, eu respondo. Não é que eu leia devagar. É que A INTERNET NÃO ME DEIXA LER.

Certo, eu que não tenho controle sobre mim e me deixo dominar por meu vício (ai, que vergonha confessar isso!). Maio inteiro pra ler um único livro. Passava três, quatro, cinco dias sem ler nenhuma página do livro. E, quando mal começava a ler, a internet ficava me chamando. É, ela ficava me chamando. E eu ia, ia... e ficava. Quando me dava conta, o dia tinha acabado e eu tinha que dormir. E assim foi.
Mas, hoje, finalmente, eu concluí a leitura do livro. E como é BOM, esse livro. Conheci um pouco da cultura do Afeganistão, o quanto que esse povo sofreu e ainda sofre, essa opressão que esmaga, que não resolve nada, o sofrimento, a privação da liberdade, sonhos mortos, realidade dura e cruel e, ainda sim, encontrar a felicidade nos pequenos detalhes, nas pequenas coisas, nas pessoas boas e verdadeiras que ainda rodeiam esse povo.
Um livro que qualquer pessoa deveria ler. Erica Ferro recomenda (agora você falou como se fosse grande coisa, uma crítica literária, uma super entendida de livros e literatura, hein, Erica?!).

Mas, sério, podem pesquisar sobre o livro, vocês vão ver que falam muito bem dele. Eu gostaria de saber fazer um resumo dele, mas, de verdade, eu não sei resumir as coisas. E vocês já devem ter percebido isso. Geralmente, meus textos são enormes, até penso: "Poxa, devem ser até cansativos!" São cansativos, gente?
Me digam, por favor. Não me sentirei magoada. Sério, eu gosto de ouvir opiniões, críticas construtivas, só não gosto de críticas destrutivas (risos). Afinal, ninguém gosta de ser xingado e menosprezado, certo? Temos que falar verdades, quando são cruéis, de um modo não tão cruel, devemos falar com eufemismo, eu diria. Então, falem o que acham, mas falem com jeitinho pra eu não chorar (risos).
E que mania é essa de 'risos', hein, Erica?!

Certo, vamos ao resumo que fiz. Aliás, não é um resumo, porque, senão, acabaria falando sobre o livro todo. E eu não quero isso. Quero que vocês leiam o livro, e não apenas um resumo mal feito por mim. Então vamos à uma pequena introdução do livro, que eu fiz, sei que está bem ruinzinha, mas tudo bem, acho que dá pra vocês terem uma noção de como vale a pena ler esse livro:

O livro fala da história de Mariam e Laila.
Mariam, uma bastarda, mora com sua mãe numa casinha pequena e simples longe da cidade. Seu pai, um comerciante rico, semanalmente a visitava. E como ela ficava ansiosa pela sua visita. Tinha o pai como a perfeição, um homem bom, o pai perfeito. Sua mãe sabia que não era bem assim, que ele tinha vergonha da filha, ou melhor, de assumir publicamente que era seu pai. Por isso nunca a levou à cidade, para conhecer tudo aquilo que ela só conhecia de nome. Talvez ele tivesse medo do que as pessoas iam pensar, enfim...(Erica, não conte o livro todo, é só um resumo, sim?!).
No dia de seu aniversário, Mariam resolve ir à cidade, ir à casa do pai. Não foi atendida, seu pai não saiu para vê-la, mentiu dizendo que não estava, foi renegada. Mariam passou a noite na rua. Quando voltou pra casa, sua mãe tinha feito o que sempre disse que faria: "Mariam, se você for para a cidade, eu morro." Se matou.
Mariam ficou sem ninguém. Aliás, tinha o pai. Foi, então, morar com o pai, mas não por muito tempo. As esposas de seu pai não permitiriam também que morasse ali por muito tempo, afinal, ela era uma bastarda, logo deram um jeito de se livrar de Mariam. E que jeito? Casando-a com um homem muito mais velho que ela, uns 30 anos. À primeira vista, Mariam teve náuseas ao pensar que teria que se casar com aquele homem.
Mas, logo depois, teve a noção de que teria que ser assim, não tinha outro jeito. Estava triste com Jalil, com remorso por não ter acreditado na mãe, que sempre falou que Jalil não era tão bom quanto pensava, tão justo quanto ela julgava que fosse. Então resolveu se acostumar com a nova realidade: cuidar de uma casa, de um marido e ter muitos filhos.
Não demorou muito pra ela engravidar, para alegria de Rashid (seu esposo). Mas a gravidez não vingou, então veio os 'problemas'. Engravidou mais uma porção de vezes, mas nenhuma conseguiu chegar até o fim, então começaram realmente os maus tratos, o sofrimento. Rashid era um homem violento, um diabo realmente. Mariam passou anos sendo espancada, maltratada, humilhada por esse homem. Até que surgiu Laila.

Laila teve uma infância e uma adolescência mais feliz do que a de Mariam. Talvez por ter nascido numa época diferente da sua, digamos que uma época mais ‘liberal’. Tinha um pai maravilhoso, que a amava, que se preocupava com ela, ao contrário de sua mãe, que vivia pensando nos irmãos que tinham ido à guerra. Mal lembrava que tinha uma filha, e Laila sofria com isso. Laila também tinha Tariq, um amigo querido, o seu amor, desde a infância. Ia à escola, tinha um rendimento muito bom. Seu pai sempre a incentivava a estudar mais ainda, que ela poderia ser o que quisesse, só era querer, ‘fazer por onde’.
Mas nem tudo são flores ou a vida nem sempre é tão boazinha. Na verdade, a vida é imprevisível.
Laila sofreu com a partida de Tariq, o seu amor. Mas não antes de se entregar a ele (não conte que ela engravidou, certo?).
Depois, pra piorar, perdeu seus pais devidos aos bombardeios, à guerra. Quase morre também. Ficou surda de um ouvido (mas isso é coisa pequena se comparado ao fato de que perdeu seus pais, pra sempre).
E é aí que as vidas de Mariam e Laila se encontram.
Rashid é quem encontra Laila nos escombros da casa dela, a leva para sua casa, pede que Mariam cuide dela. Mas Rashid é um homem sem piedade por ninguém, não é daqueles que fazem coisas sem pensar no que vão receber. Tinha um propósito (e que não, não vou dizer se não, não vai ter graça de vocês lerem o livro, não é?)...


***


Pronto, agora é com vocês. Comprem o livro, baixem pela internet, mas leiam. Vocês não vão se arrepender, de verdade.


***


E eu, Erica Ferro, prometo dividir melhor meu tempo e ler todos os livros que eu tenho pra ler, que estão na gaveta me esperando. São eles:

- O livreiro de Cabul;
- Dom Casmurro;
- O caçador de pipas; (sim, sim, do Khaled Hosseini, o mesmo autor d'A cidade do sol, ganhei de presente de aniversário)
- 1808;

Lerei nessa ordem. Hoje ainda ou amanhã começo a ler O livreiro de Cabul. Me parece ser ótimo. Pretendo terminar até quinta (escuto risos de algum leitor nessa hora).
"Erica, você é engraçada. Você passou exatamente 45 dias pra ler um livro, e está me dizendo que vai ler um em menos de uma semana?!"
É o que pretendo com todo o meu ser. Só depende de mim, do meu controle diante do vício. E, Internet, não me chama, vai. Deixa de ser chata.

É que eu preciso terminar logo, sério. Ainda tenho que comprar tantos livros, ler uns que tenho no PC. Sem falar do livro da Ana Seerig, minha amiga blogueira, que acho que termino daqui pra amanhã.
"Ei, Ana, teu livro é massa."

E também preciso ler até, ou antes, quinta porque viajarei e só voltarei, provavelmente, na segunda. E sei que lá não terei tempo pra ler. Vou competir em Natal. Estou ansiosa, estou ficando realmente nervosa. Só de falar no assunto, já sinto uma tremedeira nas pernas, um suor nas mãos (ai, que emoção!).
"Para com isso, Erica Ferro, cadê a calma, hein?"
Eu estou calma (mentira!). Mas eu procurarei me acalmar. Dará tudo certo. Amém.

E, mais uma vez, pra não ser diferente, meu post ficou enoooooorme. Será que alguém vai ler isso, Deus meu?!

(Erica Ferro)

12 junho 2009

Paciência: exercite-a.

Paciência...
Todos temos. Sim, temos, mesmo que em potencial; pronta para ser trabalhada e posta em prática.
Ser paciente é ser uma rocha no meio de um mar, que tudo suporta e permanece inabalável.
Vivemos em uma época estressante. Corremos de um lado para o outro, resolvendo mil assuntos, indo, voltando, nos estressando. A paciência nos livraria de quase todo o estresse que, por ventura, viesse querer nos desestruturar. Ser paciente não é ser indiferente ou fingir que está tudo bem, quando está tudo desmoronando. Ser paciente é ter controle, equilíbrio, saber que toda aquela tempestade irá passar.

(...)


Trânsitos engarrafados, buzinas desesperadas, pessoas xingando-se mutuamente porque estão atrasadas, ou por qualquer outro motivo, mas permanecem no mesmo local, engarrafadas, ainda atrasados e agora estressadas. O estresse nesse caso não irá adiantar, muito pelo contrário, só as faz perder tempo e perder as estribeiras. Já se sabe que está atrasado, sabe a condição do trânsito, não dá pra mudar isso; então senta, coloca uma música que você goste, curta o momento e espere o trânsito melhorar. É, isso pareceu meio irônico de minha parte. Mas tem algo melhor para se fazer?


(...)

Falta de paciência com os erros alheios: o fato mais comum que há.

As pessoas exigem demais das outras, querem que elas sejam perfeitas, impecáveis. E, quando não é assim, as maltratamos, as humilhamos; nos estressamos com elas.
Não diria que se perde a paciência, simplesmente se esquece de usá-la, mas ela está lá, dentro de nós, o tempo todo.
A paciência é uma virtude, claro, isso é um fato indiscutível. Mas é uma virtude que todos podem ter, basta querer. Querer e trabalhar, usar e manter.
Ser paciente também é ser perseverante, convicto que com fé e espera pela hora e o momento certo se chegará ao objetivo.
Exemplos desse tipo de paciência:
- Pessoas que lutam pela vida nas filas de hospitais, esperam por uma vaga para se consultar, fazer uma cirurgia, ou até mesmo conseguir um órgão que será a sua salvação. Mesmo com toda a demora, com toda a dificuldade, elas estão ainda acreditam, elas ainda esperam pelo, quase, milagre.
- Sonhadores que são tachados de loucos por ter sonhos um tanto quanto grandes demais para o corpo pequeno e frágil, mas, ainda sim, permanecem sonhando e lutando, acreditam nos sonhos, esperam pacientemente o seu momento de realizar.

É preciso não perder o controle, não explodir, nos momentos de puro aperto: filas grandes demais, ônibus lotados demais, trânsito devagar demais, pessoas que erram demais e por aí vai. É preciso analisar a situação e enxergar se você tem razão ou não naquela situação, se vale a pena se estressar, se descontrolar com algo e/ou alguém.
Temos que ter a consciência que, muitas vezes, somos seres irritantes também. Às vezes nem é intencional, é algo natural, mas que incomoda o nosso próximo; e é aí que vamos entender o quanto é ruim sentir a impaciência de alguém para conosco.
Trabalhe a sua paciência, busque o equilíbrio entre você e os outros. Não exija demais dos outros, nem de você mesmo.
Está passando por momentos estressantes, está convivendo com pessoas mais estressantes ainda? Mantenha a calma, respire fundo, analise a situação e aja com paciência.


Lembrete: Todos temos paciência, mas geralmente esquecemos que temos. Deixamos o calor da hora nos dominar e acabamos nos queimando ou queimando os outros.

(Erica Ferro)

***
Pauta para o PostIt!
Tema: Paciência.

***

P.s: Pauta muito mal escrita, estou com sono, atrasada, enfim, foi feita às pressas. Sei que não terei chances dessa vez, mas a intenção, primeiramente, é participar.

Ame-se sempre, independentemente, mas não cegamente!

Cada pessoa pode perfeitamente dizer que ama a si mesma, que é feliz sendo ela mesma, com todas as suas características físicas e manias. É bem fácil dizer isso. Mas é complicado se amar, se valorizar, se sentir bem quando o mundo diz que não, que você não é especial, que não tem nada a acrescentar, que você não tem valor, que você é um zero à esquerda. Nessa hora, no foco de tensão, quando as pessoas te desvalorizam, é que você deve colocar em prática esse amor próprio.
Amar a si mesmo não é ocultar os defeitos, ver só a beleza de si próprio. Amar a si mesmo é ter visão e perdão por você mesmo. Por exemplo: quando realmente nos amamos, enxergamos as nossas qualidades e cada vez mais queremos lapidá-las, pois é necessário enxergar essas qualidades sempre como um ouro bruto, porque, sinceramente, nunca seremos perfeitos, mas essa busca deve ser ininterrupta, não pelos outros, mas por nós mesmos, por nós amarmos e querermos ser melhores para nos sentirmos verdadeiros e justos conosco. Quando realmente nós nos amamos, conseguimos ver nossos defeitos e falhas, tentamos, então, consertá-las e nós perdoarmos; pois quem ama, educa, aconselha, cuida, transforma. O amor verdadeiro, em todos os aspectos, é transformador, é bom. Então o amor por si mesmo será benigno e fundamental também, pois é ele que irá nos segurar, nos acolher nos momentos de dor, de desamor do mundo para conosco.
Há aqueles que gritam para o mundo: Eu me amo, me acho o máximo, a super - mulher ou o super - homem!
Mas a verdade é que, quando o mundo é cruel com eles, eles choram nos seus cantos, na escuridão dos seus quartos, um choro abafado, mas muito, muito doloroso.
Não adianta fingir ter uma coisa que não se tem, assim, só se está se enganando a si mesmo. E as pessoas, boa parte, percebem que isso só é uma capa protetora furada contra a chuva do desamor da sociedade exigente, que essas pessoas se molharão, se ferirão e sofrerão por não se amarem de verdade, por só fingirem.
Se amar de um modo puro e sincero não é tão complicado assim. Basta olhar para si próprio, enxergar que você tem defeitos, mas que você pode melhorá-los e a força e a veracidade desse amor próprio serão fundamentais para esse melhoramento, para a lapidação do seu eu. Se temos qualidades, uma beleza interior e exterior notáveis, devemos reconhecer isso. Mas reconhecer de uma maneira saudável. Ter amor próprio é bem diferente de se amar exageradamente. Quando nós amamos exageradamente, perdemos a visão do que somos e do que queremos ser. Aliás, quando nos amamos dessa forma, perdemos o querer, achamos que estamos num grau de excelência máxima. O que, de fato, nunca estivemos e nunca estaremos. Mesmo que sejamos ótimos, maravilhosos, sensacionais, sempre temos algo para melhorar, aquele detalhe que precisa ser ajustado, aquela característica que precisa ser retirada ou reeditada. E o amor nos faz melhor, nos faz enxergar o que a cegueira do desamor, da desvalorização, do foco de tensão, não deixou que enxergássemos.
Devemos nos sentir especiais, essenciais, únicos, nesse jardim cheio de flores cheirosas ou não tão, de várias cores e formatos, chamado mundo. Somos protagonistas de nossas vidas, somos autores de nossa história, somos autores de nós, somos autores e jardineiros da semente do amor. Deixe que ela brote verdadeiramente, cuide dela. Deixe que ela vire uma planta linda, forte e indestrutível.
Ame-se sempre, independentemente, mas não cegamente!

(Erica Ferro)

***

Pauta para o Blorkutando.
Tema: Amor próprio.

11 junho 2009

Um dia alegre!

E um dia alegre pode ser um dia chuvoso com muito sol dentro de casa.

O sol que ilumina a casa vem de um sorriso, um sorriso sincero, um olhar azul esverdeado, um coração puro, mãos pequenas, pele macia e branca.

Conversas que são faladas em bebêis, mas que eu entendo perfeitamente. Uma linguagem coracional, sincera. Um contato direto com a alma.
E é doce, acalentador, fortalecedor, estar contigo, minha pequena, minha priminha, minha princesinha.
Você está num local do meu coração que sempre foi seu, sempre esteve à sua espera.
Você não demorou para achá-lo, chegou e veio iluminando, decorando com flores e aromas do campo. Eu te amo!
Você é linda, minha querida.
Uma beleza indescritível, pois vem da alma e se projeta pra fora e ilumina o mundo.
Esse mundo, por vezes obscuro.
Mas, sinceramente, quando estou contigo, quando escuto o teu riso e vejo o teu sorriso, teus olhos meigos e tua alegria, esqueço de todo o lado sombrio desse universo. Eu vejo que realmente há esperança pra tudo isso, que nem tudo está perdido.

(Erica Ferro)

P.s: Mais um texto onde falo da minha pequena Rayara. Ah, como eu amo essa pequena. Amo tanto, tanto e tanto. Sinto que isso é recíproco, vejo isso no seu sorriso.

08 junho 2009

Além do que se vê...♫

Minhas pernas já estão cansadas dessa caminhada. Meu fôlego está quase acabando. Estou quase fraquejando. Tento me manter caminhando. Os meus olhos fixados no final da estrada, que parece não me levar a nenhum lugar, que parece nunca ter fim. A minha razão agarrada à desconfiança, à descrença. O meu coração agarrado à esperança, a fé no que não se pode ver (ainda).
E é essa fé, essa esperança, que me faz andar, continuar. Confesso que, em vários pontos da caminhada, meu corpo tendeu para trás e para frente, para um lado e para o outro. Mas o acreditar é o que sempre me segura, o que me equilibra nesses momentos.
É, caminhar não tem sido fácil.
Já pisei em poças de lamas, sujei minhas canelas. Já tropecei, cai e me machuquei. Em algumas vezes, me machuquei muito. Outras, nem tanto.
Mas o fato é que eu tenho marcas. Cicatrizes pequenas, grandes, médias, umas quase imperceptíveis a olho nu. É, tenho cicatrizes que necessitam de uma maior atenção do observador, de um equipamento específico para enxergá-las - a sensibilidade. Apenas eu as vejo, as identifico. Lembro-me muito bem de cada acontecimento que culminou naquelas marquinhas.
Mesmo marcada, cansada, não consigo ficar por muito tempo estagnada.
O tempo da estagnação dura só o tempo de explodir num choro louco, enxugar as lágrimas, sacudir a poeira da roupa e, depois disso, já me levanto e saio andando; mancando ou não, ferida ou saudável, eu busco chegar. Chegar no vilarejo das realizações, da alegria, da felicidade, da verdade. Mas é tão, tão distante, que parece que nunca chega, que é em vão caminhar tanto, se esforçar assim. Será que é melhor desistir? Será que é melhor sentar no asfalto e chorar? Depois esperar um carro qualquer vir e me matar? Mas seria tão ruim assim, um fim deprimente, covarde. É melhor continuar andando, mesmo sem muita convicção de que vou realmente chegar até onde quero.



(Erica Ferro)

07 junho 2009

Quem com ferro não fere, será ferido também. ♫

Não sabia a dor da brasa queimando a pele
Já tinha pulado muitas fogueiras
Mas até agora nada tinha me acontecido
E eu pensava: "Que alívio!"

Pulando alegremente eu estava
Quando, de repente, fui empurrada
Dei de cara com um monte de brasas
E ardeu, doeu

Levantei
Olhei de lado
O vi
Rindo, se divertindo

Ele estava de mãos dadas com outra amiga
Uma nova amiga
A amiga que ele sempre dizia que queria
A perfeita, a que tinha um mundo a oferecer

O que eu tinha a oferecer?
Minha amizade?
Minha cumplicidade?
Minha solidariedade?

Ela não...
Ela era a pura perfeição
Pacote completo
Quem sabe até seria a sua grande paixão

E, então, levantei em chamas
Inflamada pela dor
Minha face ardia
Meu coração pegava fogo e em cinzas se fazia

Humilhada
Desvalorizada eu estava
Corri pra casa
Me escondi, dormi, morri

(Erica Ferro)

***

P.s: Eu escrevo coisas sem sentido (pelo menos para os outros). Não espero que entendam essa minha postagem. Até eu acho que não entenderia. Não fui clara, não falei dos fatos como realmente aconteceram. Só quis escrever uma coisa que aconteceu comigo de uma maneira que não ficasse tão explícito. Enfim...
Não liguem. Não sei escrever. Não sei me expressar. Me pergunto sempre o porquê de ter feito um blog se eu não sei escrever. É uma coisa curiosa. Bom, é isso. Só. Desculpem por fazer vocês lerem isso tudo em vão.

05 junho 2009

Balancear é preciso!

Internet:

Quem vive sem ela nos dias de hoje? Pouquíssimas pessoas.
Ela é atraente, encantadora, facilitadora, viciante. Cheia de boas oportunidades, conhecimento, entretenimento. Porém, em alguns casos, ou até mesmo em muitos, é perigosa, maliciosa.

Quais os perigos? Entre tantos, estão estes:

- Ser vítima de roubos;
- Ter suas senhas (cartão de crédito, conta bancária e etc.) descobertas e ser vítima de golpes;
- Ter seu computador invadido por arquivos maliciosos, por pessoas mal intencionadas;
- Difamação (sim, é muito fácil e, quase, irreparável a difamação pela internet);
- Ser enganado(a) por um namoradinho(a) virtual que dizia te amar incondicionalmente e só queria, na verdade, te torturar até a morte - e eu não exagerei;
- Passar a viver uma vida virtual. Tudo superficial. Nada de contato. Só cliques. Só palavras digitadas. Se esquecer da beleza natural e real da vida, a vida de agora, de já;
- Encontrar amigos perfeitos, aqueles que fazem nós nos sentirmos as melhores e as pessoas mais agradáveis do mundo, mas depois as máscaras deles caem no melhor do carnaval e a gente percebe que o carnaval não era tão legal; que talvez nunca tenha existido o carnaval, de fato; que o folião mascarado era um mero roqueiro, e nunca foi e nem nunca será carnavalesco.

(...)

Mentes perigosas - o psicopata mora ao lado.
Adoraria ler esse livro.
É incrível a estatística de que tem vários psicopatas na sociedade. Muitos deles bem disfarçados, bem mascarados de boa gente.
Psicopatas são incríveis. Sim, é incrível como somos facilmente enganados por eles. Eles são criaturas extremamente espertas, sagazes, estudam milimetricamente cada passo que dão.
Não, eu não mudei de assunto. Pode ter parecido.
Mas eu quero chegar ao seguinte ponto:
- A facilidade que o psicopata tem de nos enganar na vida real. Imagina, agora, na virtual. Por isso, muito cuidado:
O psicopata
pode estar do outro lado da tela!

É muito mais fácil, mais cômodo. Eles armam toda a arapuca e esperam, pacientemente, você se posicionar num ângulo que dê pra arapuca te pegar de jeito.
A internet está cheia desse tipo de pessoas: psicóticos, psicopatas, perturbados, pilantras...
E eu, confesso, tenho medo.
Certo que tenho alguns amigos virtuais. Os quais considero como se fossem amigos reais.
Antes achava tão natural, tão legal, conhecer novos amigos virtuais.
Mas, de uns tempos pra cá, analisando, estudando as crueldades que vemos todos os dias na mídia, ando ressabiada, desconfiada desse mundinho virtual.

É difícil saber se aquela pessoa que diz ser sua amiga é amiga deveras. É difícil saber se aquele cara, que diz ter se apaixonado por você, que diz pensar todos os dias em você, realmente sente isso mesmo e se quer algo bonito e sincero contigo, ou é um perturbado, louco, psicopata, que só quer te usar, te torturar, te enganar ou, pior, te matar.

Mas, calma, não quero jogar pedras em todo mundo que usa a internet, nem dizer que tudo aqui é perigoso, é ruim.
Porém é difícil navegar por esse mar chamado internet e se sentir seguro; verdadeiramente seguro.
Mas é verdade também que esse mundo tem lá suas vantagens: compras rápidas, acesso a milhares de informações, um vasto conhecimento a ser descoberto. Você pode velejar pelo mundo usando, apenas, cliques. E também pode conhecer pessoas verdadeiramente legais e que podem se transformar em grandes amigas, se bem que você nunca vai ter 100% de certeza da sinceridade que ela prega e diz ter. Mas isso de não ter certeza das coisas é o fato mais corriqueiro que existe. Não temos certeza de muitas coisas nas nossas vidas. Apenas sentimos, achamos, especulamos.
Em meio a tudo isso, uma coisa é certa:
Um dia a máscara cai!

Nenhuma mentira perdura pra sempre. Pode durar muito tempo. Mas um dia o mentiroso tropeça nas palavras, nas ações e você acaba descobrindo a verdade.

Qual a solução, então, pra saber lidar com essa máscara chamada internet?

Ora, a investigação é uma boa pedida. Investigar, especular, buscar se informar sobre tudo o que você anda vendo e quem você anda conhecendo.
Não deixe se iludir facilmente. Não conte tudo sobre você. Não de imediato. Ou, talvez, nunca.
Tem coisas que a gente só guarda pra nós mesmos. Isso não é condenável. É necessário, às vezes.
Use antivírus, baby. Em todos os sentidos.
Faça um scaneamento em seus pensamentos. Analise, critique e veja qual o tamanho da influência que a internet tem na sua vida.
Veja se você a usa de um modo prejudicial, tanto pra você como para os outros. E, se sim, tente mudar isso.

"Mas a vida lá fora, tá chamando agora. E não demora." ♫

A vida passa tão rápido. Quase como a velocidade da luz.
Certo, eu exagerei um pouco.
Mas quando você chegar aos 80 anos (Deus queira que chegue), você entenderá essa minha colocação e até, talvez, concordará.
Então, perca menos tempo na internet. Ganhe mais tempo vivendo. Vivendo verdadeiramente. Vá andar por aí. Conhecer pessoas que você pode ver realmente, conhecer, olhar nos olhos, sentir o arrepio do toque, o pulsar do coração quando as mãos se encontram.
A nossa vida é bem inquieta. Ela não para, não te espera. É que ela gosta de ver você correr, de ver você vive-la.
Viva la vida!
Saiba balancear essa equação. Saiba dividir seu tempo para os dois mundos: virtual e real.
Temos que saber encarar, saber vivenciar e solucionar os problemas que vierem surgindo nas nossas vidas.
Há coisas boas e ruins em toda parte. Devemos ter cuidado, atenção, discernimento, moderação.

Como diz a música:
"Tudo é perigoso. Tudo é divino maravilhoso!"♫

(Erica Ferro)

***

Pauta para o Blorkutando.
Tema: Uma máscara chamada internet.

04 junho 2009

E o fim é belo, incerto, depende de como você vê! ♫

00:00
Mundo dos Sonhos

A essa hora, uns dormiam; outros assistiam; outros comiam, outros vagavam pelas ruas, sem rumo e sem ninguém.

Quem estava assistindo ou escutando rádio, soube desta notícia:
"Cientistas alegam que um objeto não identificado está vindo em direção a Terra. E, pelos cálculos que fizeram, o mundo explodirá, acabará em 24 horas!"

Pouco tempo depois de a notícia ter sido dada na mídia, a correria começou.

Sirenes gritavam nas ruas. Era o sinal de que tudo estava prestes a acabar. Era um sinal de que as pessoas tinham pouco tempo para aproveitar. Aproveitar a vida, ver as pessoas queridas; ir aos lugares que não tinham ido, claro, alguns, pois não havia mais tempo pra conhecer todos, nem um terço. Era um chamado para vida.
Pessoas choravam, se descabelavam, se beijavam, pulavam, xingavam, esperneavam, brigavam, se reconciliavam, juravam amor eterno, enfim...
Aconteceu uma explosão de ações e sentimentos naquele mundo.
Nunca tinha se visto tantas pessoas de mãos dadas nas ruas, abraçadas. Nunca tinha se escutado tantos risos, visto tantos sorrisos. Não havia tempo para brigas no mundo. Só tinham tempo para amar, serem felizes ao máximo. Só um dia.
Um dia para ser feliz. Um dia pra viver plenamente. É muito pouco, eu sei. Mas era o que tinham.

23:50
E o mundo se lamentou quando a hora se aproximou. Se lamentou por tanto tempo ter lutado uns contra os outros. Entenderam que unidos eram, realmente, mais fortes.
Resolveram dar as mãos, fizeram uma grande corrente. Nunca se viu um mundo tão unido.
Decidiram que seria assim: o mundo acabaria como deveria ter começado e sempre ter sido - verdadeiramente unidos.

23:59:59
De mãos dadas, olhos apertados, dentes cerrados, o mundo sentiu o abalo.

(...)

Era só uma estratégia dos poderosos aliados aos cientistas para, quem sabe, instalar o amor e a paz através do medo. É, o medo é incrivelmente eficaz, em alguns aspectos, claro. O medo de morrer, de perder, de não conhecer, de não viver.

(...)

O impacto pode não ter sido tão poderoso, mas desmaiaram só de susto, acharam mesmo que iam morrer.
Acordaram achando que estavam todos no céu ou no inferno, sei lá. Mas não cogitaram a ideia de que estavam vivos, não de imediato.
Mas, aos poucos, tiveram conhecimento de que tudo não passou de um plano. O plano do amor, da paz.
Uns se irritaram, claro, xingaram, mas depois pararam pra analisar e agradeceram. Agradeceram por essa injeção de consciência que os 'poderosos' lhes tinham dado. Enxergaram o além. O além de cada um. O além do outro. O além de si mesmo. O além dos sonhos.
Viram que tudo tem seu além, seu porém.
Tiveram conhecimento que além dos defeitos, há uma pessoa/uma situação; que além das decepções, há a esperança e o sonho desmaiado, pronto pra ser acordado.
Perceberam o quanto eram fracos, solitários e insuficientes. Levaram um choque, viram que necessitavam um do outro, pra serem completos, felizes.

(...)

O plano
paz e amor funcionou!

(...)

Funcionou apenas no
Meu Mundo dos Sonhos. Seria um fim lindo para o mundo.
Mas acho que, se isso fosse verdade realmente, seria bem diferente, só não sei como exatamente. Só sei que não seria como eu sonhei, seria menos pacífico, menos bonito, talvez.

(...)

Se o mundo realmente fosse acabar amanhã, eu nem sei bem o que eu faria, pra ser franca.
Talvez eu arriscasse mais. Fosse mais eu, entende?
Não tivesse tanto medo da rejeição ou da falta de compreensão.
Viveria mais, planejaria menos.
Sorriria mais, choraria menos, bem menos.
Dançaria mais, me envergonharia menos dos meus passos desengonçados.
Acreditaria mais, desconfiaria menos.
Amaria mais, detestaria menos.
Correria mais, andaria menos e não me arrastaria nunca.
Eu não contaria os minutos, eu faria os minutos.
Faria cada segundo valer a pena; muito a pena.

Mas isso são planos, possibilidades, a verdade é que nunca se sabe até quando vamos viver. E se morrermos daqui a 10 minutos ou, pior, daqui a 1 minuto?!
O que você faria?
Acho que em 10 minutos não dá pra fazer muitas coisas, não é? Muito menos em 1 minuto.
No mínimo, você ia se lamentar, e muito, de tudo o que você não viveu, de tudo que você perdeu.
E, caro leitor, pra que isso não aconteça, pra que na hora da sua morte - que pode ser inesperada ou avisada às pressas ou com antecedência, mas que causa pânico do mesmo jeito - você não venha se arrepender do que fez e do que não fez, do que não ganhou, dos sonhos que não se concretizaram, passe a viver agora. Já. É, imediatamente.
Não quero, também, que você saia por aí, louco, desesperado, se arriscando, se jogando no precipício.
Calma aí. Também não é assim.
Eu quero, simplesmente, que você não tema tudo. O que eu não quero é que você não cometa o erro de nunca arriscar, de nunca se jogar.
A gente sabe, mais ou menos, o terreno que estamos pisando e sabemos se vale a pena ou não nos jogarmos nele, não é?
Enfim...

Parte clichê do texto, mas verdadeira e sincera:

A vida é única, é rara. Pede pressa, não espera.
Achamos que por sermos jovens, temos muito tempo pra viver. Por isso, adiamos nossas vidas sempre pra amanhã.
Mas já disse e repito: nunca se sabe até quando vamos viver.
Não importa a sua idade, você tem uma vida e deve aproveitar isso e imediatamente. Deve honrar esse nome de
ser vivente.
Viva, realmente.
Deixe um pouco de lado suas inseguranças, sua falta de esperança.
Arme-se de uma coragem, uma coragem de viver independente de tudo o que vier pra te abater.
Abra os braços, sinta a brisa tocar seu rosto. Ela denuncia. Denuncia que você está vivo e que isso é tão bonito.
Veja isso!
Sinta a vida latejando nas suas veias.
Sinta a fome, a voracidade de comer, comer de uma vida que você nunca comeu realmente. Você, até agora, só tinha se alimentado de migalhas. Migalhas que você mesmo se dava.
Prepare um
banquete, caro leitor.
E me convide, claro.
Sinta-se convidado para o meu, certo?
(Erica Ferro)
***

Pauta para o PostIt!
Tema: E se o mundo terminasse amanhã?