31 julho 2009

Você vê o tempo voar?

Tempo que voa
Tempo que vai
Tempo que não consigo ver mais

Na imensidão azul Julho mergulhou
Julho se matou
Se eternizou

E com chave de ouro seu caixão foi fechado
Julho será alegremente lembrado

(Erica Ferro)

***

P.s: Sempre me bate aquele choque de realidade quando chega o final do mês - "Os dias estão passando, Erica!". Mas hoje foi um dia que foi bonito de ser vivido. Não foi nada de outro mundo, não levando em conta a simplicidade da coisa que fiz hoje. Almocei com pessoas especiais e isso fez minha tarde inesquecível.
Conversas, risos, brincadeiras. Uma equipe.
Uma das melhores coisas que me aconteceu nessa minha vida foi entrar naquela equipe de natação. Passar um dia com a equipe fora da piscina é lindo, maravilhoso.
Acho que um dos melhores dias desse mês, com certeza, foi hoje.
Fechei o mês com chave de ouro. Amo vocês, meu povo natacionístico.

E vocês, blogueiros, como foi o mês de julho? O que fizeram? O que farão daqui pra frente?
Vivam, gente!

28 julho 2009

Seja o núcleo!

Por que temes, querida?
Por que te importas tanto com o que pensam de ti o padeiro, o açougueiro e todos os brasileiros?
O que tu pensas de ti própria?
Satisfeita estás com tua trajetória, com o desenrolar da tua história?
Por que choras?
Por que estás escondida atrás dessa cortina?
Derruba essa cortina, ela impede de o sol entrar dentro do teu ser!
Tua alma se encontra tão escura e fria!
O sol há de te aquecer e clarear!
Eu sei que temes esses muitos olhos que te cercam sempre quando sais de trás da cortina.
Mas não te importes!
São apenas olhos, não são bocas!
Não arrancarão pedaços de ti!

Eu sei também que sonhos habitam teu coração
Mas você se sente pequena, desimportante em meio a multidão
Se importa em agradar, em não decepcionar a quem para ti olhar
Mas a multidão é falha como você também é
Então, se você falhar, não é para a si própria condenar
Você deve querer é da próxima vez acertar
Nada de chorar
De se agoniar
Mantenha a calma
Fixe-se no alvo
Não se desvie dele
Solte a flecha
E sorria
Você há de acertar o alvo
Há de realizar
Há de ser
Há de vencer
Basta você fazer por onde isso acontecer

(Erica Ferro)

***

P.s: Estou bem, gente. Aqueles dias ruins e tristes ficaram para trás, nem me lembro mais.
Quero, sim, manter essa alegria que sinto agora. Sei que tenho e sempre hei de ter mil e um motivos para sorrir, para me alegrar. Quando a tristeza vier de novo toda metida à 'comigo nem Erica pode', dou um rasteira nela, lembro das muitas coisas boas que me aconteceram e que vão acontecer e o nó na garganta há de se desfazer. Mas, se ainda assim eu ainda chorar, terei a convicção dentro do meu coração que, quando o próximo dia chegar, as lágrimas secarão e um lindo sorriso brotará de dentro da minha alma e para fora se projetará. Então, não vou mais chorar.
A verdade é que as nuvens encobrem o sol, mas sempre o deixam brilhar novamente.
Muito obrigada por todos os comentários na postagem anterior me desejando melhoras. Muito obrigada mesmo!
Fico por aqui.
Tenham uma linda e feliz quarta-feira.

24 julho 2009

O sangue da ferida que não existe.

A ferida não existe, mas a dor existe
O sangue escorre
A lágrima rola
Os soluços imploram
Imploram um pouco de alegria
Um pouco de fantasia
Um pouco de ânimo

A tristeza me abraçou
Agora me aperta
Me sufoca
Me faz chorar
Mas não quero chorar
Também não quero conversar
Só quero assim ficar
Sozinha
Calada
Triste

Não, eu não quero ficar triste
Não sei porquê me sinto assim
Aparentemente não há razão
Mas há!
Todas as razões de lágrima, choro e dor que na minha alma se escondem, se manifestaram agora
E eu quero fugir
Eu quero ir embora

Não aguento esse meu lamento
Não me aguento
Me sinto nada
Totalmente desimportante
Irritante

Escolho parar
Escolho me calar
Me render?
Não
Só me recolher
Espero um dia me levantar
E continuar a andar

(Erica Ferro)

***

P.s: Não me sinto bem. É madrugada, 01:12, e ainda não dormi. Não quero com esse poema passar uma imagem depressiva, mas não dá pra fingir que está tudo bem. Só espero que melhore logo. Não gosto de me sentir assim. Me sinto fraca, desmotivada. Essa tristeza está sugando até a inspiração de escrever, a vontade de nadar, de ler, de viver.
- Tristeza, vai embora, me deixa.

21 julho 2009

Para os meus amigos!


"Amizade que no meu peito não cabe.
Amizade que o meu coração invade.
Amizade que a minha alma inunda.
Amizade, que coisa mais bela e profunda!"

Estes versos são tão singelos, tão simples e insuficientes para demonstrar todo o apreço e alegria que sinto em ter pessoas tão especiais, únicas, incomparáveis e indispensáveis que costumo chamar de amigos.
Queria poder dizer com toda exatidão a emoção que no meu peito há ao mencionar a palavra amigo.
Amigo, aquele querido, aquele que está contigo na tempestade, na chuva fina, no raiar do dia, no pôr-do-sol, em toda a tua vida.
Amigo que te ampara, que te embala, que te repreende, que te entende, que não te entende, mas tenta determinadamente.
Amigo que te quer por perto, de braços abertos, com uma palavra de afeto, uma palavra acalentadora, uma palavra que devolva o brilho dos olhos, o calor das mãos, o pulsar do coração.
Amigo que está contigo sempre, que caminha atentamente na selva da vida.
Amigo que te protege do perigo, que está junto a ti nos momentos turbulentos e confusos.
Amigo que vê além dos olhos, além da condição social, além da cor. Amigo que vê com os olhos da alma, que sente o amor mais puro, que sente a necessidade de estar perto, mas não só para não se sentir sozinho, e sim porque já não se sente mais completo, mais feliz e realizado sozinho - necessita-se de um amigo para ser completamente feliz, para a alma ser puramente translúcida, para o coração pulsar com mais vontade, para se ter mais vida, para os passos serem mais firmes, para a vida ter mais brilho e mais cor, mais amor, mais sabor.
Amigo que te abre os olhos, te faz enxergar que "viver é bem melhor do que sonhar", que te mostra os métodos de realizar os sonhos: que é lutar, persistir e conquistar.
Amigo que entra na guerra contigo, que te ajuda a vencer, mas que antes examina e te diz se vale a pena a guerrear, se você não está se jogando à morte, se vale mesmo a pena ou se você está jogando com a sua própria sorte.
Amigo não é aquele que te apóia em tudo, que te diz sempre sim. Amigo é aquele que te diz o que você deve e precisa ouvir.

A amizade não pode ser entendida, não completamente.
Poderia dizer tantas coisas mais...
Poderia fazer tantos agradecimentos.
Poderia tentar traduzir em letras, frases, poemas, poesias, todo o meu sentimento de agradecimento, de contentamento por ter amigos tão maravilhosos, valiosos.
Mas sinto que tudo é tão pouco, tão simples.
Vocês merecem a poesia mais linda e ritmada; o poema mais intenso, mais belo e sincero; a melodia mais linda e harmoniosa.
Vocês merecem o que de melhor existe dentro de mim.
E isso eu vos ofereço, vos entrego, vos apresento a minha face limpa, despida de qualquer maquiagem, de qualquer inverdade.
Com vocês não preciso fingir, disfarçar o que sou.
Vocês me amam do jeito que eu sou.
E eu os amo bem do jeito que cada um de vocês é.
Preciso de vocês como preciso de ar para respirar.
Preciso de vocês como preciso do sol para me aquecer.
Preciso de vocês para viver.
Preciso de vocês para ser o que sou.
Preciso de vocês porque sozinha não consigo. Sou frágil, medrosa.
Mas com vocês eu não temo. Com vocês me sinto forte. Com vocês eu consigo ir em frente, alegremente, docemente.

Quero que vocês saibam que eu os amo de todo o coração. Vocês percebem a intensidade do amor que eu sinto?
Minha alma grita, meu coração exclama que eu os amo.
Suas almas escutam, queridos? Elas escutam, sim. Eu sei que sim. Pois nossas almas foram ligadas desde quando os nossos olhos se encontraram, nossos corações pulsaram numa mesma batida - a mágica da amizade começou a acontecer naquele instante.

Me perdoem por tudo, por cada falha, por cada palavra mal empregada, pelo meu jeito muitas vezes estúpido de ser, por ser tão teimosa, por ser tão chata e irritante. Garanto, não é de propósito. Nunca é. É meu jeito, vocês sabem, e eu sei que me perdoarão.

Eu os perdôo, sei que todos nós somos falhos, errantes, e sempre seremos.
Mas, como já disse, as nossas almas estão interligadas por algo mais forte que qualquer erro, algo que supera qualquer dificuldade, algo que nos faz quer sermos melhores, algo indestrutível, puro: a amizade, amor de verdade, amor para toda a eternidade.

(Erica Ferro)

***

Pauta para o PostIt.
Edição especial - Dia do amigo.

19 julho 2009

Duas almas, dois corações e um amor inesgotável!

Ai...!
É uma dor intensa, forte, cortante.
E um grito explode da garganta.
Já não aguento.
Não consigo mais suportar.
Assassinato ou suicídio?
Tenho que matar isso que está a me consumir, a me destruir.
Eu te quero, você não percebe?
Eu preciso dos seus olhos em direção a mim.
Eu preciso da sua voz ecoando nos meus ouvidos, me falando coisas de amor, coisas apaixonadas, lunáticas.
Mas são só lembranças que eu tenho de ti.
Perdi as esperanças de te ver mais uma vez, de te abraçar, de ver o brilho do teu olhar ao me olhar.
Por que não vem me ver? Por que não deixa eu te ver? Que mal há? Não me amas mais? O que eu disse? Te fiz mal? O que eu te fiz pra você me desprezar assim? Por que colocaste uma parede no meio de nós dois? Por quê?
Eu estou morrendo. Sabe o que é falta de ar?
É isso que sinto sem ti. Parece que meu tempo de vida está se esgotando...
Você é o meu alimento, o meu sustento.
Me salve, não deixe que eu morra. Eu, sinceramente, não quero morrer. Eu queria viver uma vida com você. Mas você parece não ter esse mesmo querer. Por isso a vida já perdeu a cor, o brilho...
O amor que eu sinto me sufoca.
Não! Não é o amor que me sufoca, é que eu coloquei fermento nesse amor. E ele cresceu, como um bolo no forno, cresceu e cresceu... agora me sufocou, tomou conta de todo o meu ser. Cadê você?
Só você podia me tirar dessa agonia...
Só a você eu poderia dar metade desse amor, para não morrer asfixiada.
Na verdade, eu daria todo o meu amor.
Não, não... Não daria, porque te mataria.
Te daria, aos poucos, então...
Assim viveríamos de pitadas de amor.
Assim seríamos felizes...
Assim seríamos completos.
Duas almas, dois corações e um amor inesgotável.

(Erica Ferro)

16 julho 2009

Magnólia e suas lembranças...

Magnólia estava como de costume sentada na sua cadeira de balanço olhando para o céu com seus olhos pretos tristes, melancólicos. O céu estava escurecendo.
E Magnólia estava cinza. A vida desta mulher de 60 anos andava muito cinza, sem acontecimentos, o que mantinha a chama de vida acesa dentro dela eram as boas lembranças, aquelas que cheiram a esperança, a alegria, a renovação de vida.

Magnólia cansou de ficar se balançando na sua cadeira confortável de balanço, levantou-se e resolveu sair de casa, ver as pessoas, as árvores, o céu estrelado, a lua, quem sabe. Queria se sentir viva.

Ela ia caminhando com passos lentos, mas longos, olhando tudo, prestando bem atenção em tudo que via. Ela avistou uma roseira, tocou nas pétalas das rosas. Como eram macias! As cheirou. Como eram cheirosas! Quis pegar uma, mas desistiu. Ficariam mais lindas se ficassem na roseira, permaneceriam vivas e belas!

Continuou seu trajeto, se aproximou de uma praça, que era também uma espécie de parque.
Viu então duas crianças de aproximadamente 5 anos de idade, eram duas irmãs gêmeas.
Estavam brincando na gangorra. Os olhos da senhora brilharam, uma lágrima rolou dos seus olhos. Ela lembrou das suas filhas, Marieta e Julieta.
Marieta... Ah, como Magnólia sentia falta dela.
Mais lágrimas saíram dos olhos de Magnólia.
Lágrimas de tristeza, de saudade, de amor.

Marieta tinha morrido aos 7 anos de idade. Um acidente...
Um carro desgovernado a atropelou quando saía do colégio. Julieta escapou por pura sorte.
O carro acertou em cheio a pequena Marieta.

Por meses Magnólia ficou em estado de choque, mal conseguia se alimentar, dormir. Parecia um zumbi.
Mas seu marido Joaquim foi um anjo, cuidou dela, de Julieta, de tudo, lhe mostrou que a vida continuava e que Marieta estaria com ela sempre, em seu coração, gravada na sua alma.
Jamais a esqueceria. E que as lembranças maravilhosas que ela tinha da filha seriam o maior consolo dela. E a vida toda de fato foi.
Mas como ela queria ter visto suas filhas crescerem, casarem, terem filhos, prosperarem...
Mas não foi possível, não para Marieta.

Mas Julieta se tornou uma pessoa maravilhosa. Casou, teve dois filhos, mora no exterior. Tem uma vida próspera, ama o marido e o marido parece a corresponder verdadeiramente. O que faltava mesmo para ela ser completamente feliz era justamente que sua mãe morasse perto dela. Mas Magnólia não quis, gostava do Brasil. Além do mais ela via a filha duas vezes por ano, falava com ela pela internet e a via todos os dias pela webcam. Não era o ideal, mas dava para matar um pouco da saudade. A verdade é que Magnólia andava acostumada com a solidão e falta de acontecimentos em sua vida. Ela caminhava para morte, e não temia.
Simplesmente ia.
Magnólia enxugou as lágrimas, resolveu sair da praça. Continuou sua caminhada, passou por uma igreja, um lindo casamento estava acontecendo. Ela resolve parar e olhar.

Inevitavelmente lembrou de seu casamento, um dos dias mais felizes de sua vida.
Como Joaquim estava lindo! Como seu vestido era lindo!
Ah... como tinha se emocionado, borrado toda a maquiagem! Mas não importava, ela chorava de alegria!
O sim mais firme que disse. As juras de amor...
Até que a morte os separe...
E separou...

Joaquim teve uma parada cardíaca numa noite de domingo, um domingo estrelado. Tinham dito um domingo tão feliz, intensamente feliz. Overdose de felicidade...
Seria isso que o tinha matado?
Julieta veio o mais rápido que pôde para o Brasil. A família toda estava inconsolável.

Principalmente Magnólia. Mais uma perda, mais um choque.
"Ela não aguentará!" - Pensou Julieta.
Mas Magnólia aguentou. Julieta a ajudou, passou uns meses no Brasil, com os filhos. O marido não pôde, por causa de negócios, enfim. Mas permitiu que Julieta ficasse, ele adorava a sogra, coisa rara hoje em dia. Queria vê-la bem, recuperada e vivendo de novo.
Foi difícil, muito difícil. Mas dia a dia Magnólia se fortalecia. E o que a fortalecia? As lembranças. Ela tinha sido muito feliz com Joaquim.
Agradecia a Deus, sempre, por ter dado a chance de ter convivido tantos anos com ele, 20 anos. Sempre que a saudade batia, ela via fotos dele rindo, brincando com a família e em lindas paisagens. Ah, como ele adorava viajar. A quantos lugares tinha ido? Vários! E estava tudo registrado em vídeos e fotos! Eram lembranças que valiam ouro!

Alguém tocou no ombro de Magnólia.
"A senhora está bem?" - Perguntou um jovem.
Ela afirmou que sim, que tinha parado um pouco para ver o casamento, e que lembrou do dia do seu próprio casamento e se emocionou, mas só foi isso, ela estava bem, podia ficar tranquilo.

Magnólia viu os noivos saindo da igreja, felizes. E ela desejou que eles fossem assim sempre. Que aqueles sorrisos se repetissem todos os dias.
Magnólia abraçou suas lembranças e prosseguiu com passos leves, diria até mais alegres.

Quase no fim da estrada, que não era sem saída, ela viu duas estrelas muito brilhantes. Estrelas que se destacavam facilmente das demais.
"Eu amo vocês!", disse Magnólia.
"Vocês estão vivos em mim, na minha memória, no meu coração.
Me lembro sempre dos seus olhos, minha pequena Marieta, eles tem esse brilho de estrela, esse brilho que ilumina qualquer escuridão.
E, quando eu me sinto só, perdida, quase sem vida, você vem me iluminar, me resgatar do precipício. Como hoje. Obrigada por colorir meu dia.
Meu Joaquim, meu eterno amor, nunca encontrei sorriso tão lindo como teu. Agora, só de lembrar, eu começo a sorrir também. Tua alegria contagiava a todos. E ainda contagia, principalmente a mim nesse momento.
Prometo não deixar meus dias se acinzentarem de novo. Vocês não gostariam. Sei que vocês me querem bem, vivendo.
Sempre os amarei." - Disse, por fim, Magnólia.

Os pés a direcionaram para a casa.

Se sentir viva...
Era isso que Magnólia desejou quando saiu de casa, e seu desejo foi atendido.
O dia que estava cinza, ficou colorido. O sorriso perdido, foi ressurgindo em seus lábios. Os olhos tristes e opacos foram ganhando um brilho forte e belo.

Ela decidiu que ia visitar a filha no exterior. E, quando voltasse, ia frequentar uma ONG de mulheres viúvas que fazem trabalhos sociais. Queria se sentir útil. Queria aprender, viver...

Queria ter mais lindas lembranças para contar aos netos num amanhã não muito distante.

Ela aprendeu que as más lembranças devem ser filtradas. Devemos obter um aprendizado delas. Como uma laranja, retirar o suco e jogar fora o bagaço. Ela crê que devemos priorizar o que faz bem ao coração. Que ser atormentado por más lembranças não é saudável. E a vida é infinitamente grande e bela, e nos convida a cada dia para a felicidade.

Por fim, as boas lembranças a abraçaram, secaram todas as suas lágrimas, a acalentaram e a incendiaram de uma alegria, de uma fome de vida e de uma iluminadora esperança. E ela sorriu feito uma criança!

(Erica Ferro)

***

Pauta para o Blorkutando.
Tema: Lembranças.

12 julho 2009

Escrevo para mim, para me sentir aliviada, compartilhada, eternizada, revelada!

Era fim de tarde. Eu estava sentada no banco da praça, o vento refrescante balançava meus cabelos, e eu sentia a refrescante brisa acarinhando o meu corpo. Naquele dia, quem me olhasse, achava que eu estava triste, cansada, mas não, só estava pensativa, contemplativa. Pensava em tudo que tinha me ocorrido nos últimos dias. Tinha obtido ótimos resultados na competição que tinha participado, tinha ganhado a coleção de livros que tanto queria, minha família estava mais unida do que nunca, mas eu sentia um aperto no coração, como se eu estivesse muito cheia, precisando me esvaziar. Abri a bolsa, encontrei meu diário, minha caneta de embalagem azul bebê decorada com flores cor-de-rosa. Meus dedos pegaram aquela caneta, meus olhos se direcionaram para o papel em branco, e a minha alma me revelou:
Eu precisava escrever para eternizar o que eu tinha vivido naqueles dias.
Então comecei a escrever... Esbocei que me sentia num estado de alegria tão profundo e imenso, que a única saída que eu encontrei foi escrever, para não morrer de overdose de felicidade, se é que isso é possível.
Estava tão concentrada escrevendo, que não percebi que havia sentado ao meu lado uma menininha, tinha uns oito anos de idade e atenciosos olhos azuis, cabelo castanho, gordinha e que queria me perguntar algo, acho que não estava com coragem de me incomodar, me tirar da viagem que eu estava fazendo sem sair do lugar.

Então ela me perguntou:

- O que você está fazendo? - Disse a menina, timidamente.
- Oi... Er, eu estou escrevendo. - Respondi, aterrissando no banco da praça.
- Hum.... O quê?
- Ah, uma porção de coisas.
- É seu diário?
- Sim. Bonito, não?
- Muito! Você gosta de escrever?
- Sim, adoro.
- E por quê?

Nessa hora tive que pensar um pouco... Fiquei procurando uma resposta que respondesse fielmente àquela pergunta. Minha alma me ajudou a responder. Enfim, disse:

- Escrevo porque sinto uma necessidade tremenda de traduzir o que se passa dentro da minha alma, dentro do meu interior. Escrevo quando me sinto alegre, para eternizar o que foi vivido. Escrevo quando me sinto triste e perdida, com a esperança que eu encontre uma saída, uma salvação, uma revelação, uma razão para voltar a sorrir. Às vezes também não me entendo, não entendo o misto de sentimentos que travam batalhas dentro de mim, então escrevo. Muitas vezes consigo decodificá-los. Outras vezes, chego perto. Outras, não. Mas pensa que eu desisto? Não. Continuo a escrever. E sabe por quê? Porque, pra mim, escrever é uma das maneiras de viver. Através das palavras, eu exponho o que eu sinto, eu defendo minhas opiniões, eu revelo meus sentimentos, eu escondo, eu condeno, eu absorvo, eu invento, eu destruo... Eu escrevo!
Escrevo o que a minha alma sopra. Escrevo o que o meu ser vomita, pois não me serve de edificação, só faz mal ao meu coração. Escrevo para mim, para me sentir aliviada, compartilhada, eternizada, revelada. - Disse, empolgada.


Olho para o lado, a menina me fita de olhos arregalados.

- Nossa, não entendi muita coisa! Mas pelo o pouco o que eu entendi, você ama escrever e isso faz parte de você, do teu viver.
- Poxa, pequena. Acho que me empolguei, não expliquei claramente. Mas é isso mesmo: amo escrever e isso faz parte de mim, do meu viver...
...Maria... - A voz da mãe da menina interrompeu nossa conversa, estava chamando-a.
- Bom, preciso ir. Minha mãe está chamando. Ah, e continue escrevendo... Não pare jamais! - Disse a menina, um pouco apressada, mas com um lindo sorriso no rosto.
- Vá com Deus, lindinha. Ah, e pode deixar. Nunca vou parar de escrever... Senão morreria aos poucos. Escrever me faz viver!

(Erica Ferro)

***

Pauta para o Bee Writer
Tema: Por que você escreve?

09 julho 2009

E vale a pena perseverar quando se tem uma meta a alcançar!


Perseverança: qualidade dos que não se deixam abater pelos problemas, as dificuldades; qualidade dos fortes, dos 'teimosos'.
Perseverança é a teimosia boa, diria assim. Por que comparei a perseverança com a teimosia? Ora, porque ser teimoso é persistir numa ideia ou num ato mesmo que tudo conspire para que ele desista, para que ele mude de opinião.
Tudo bem que há teimosos que estão errados e cegos, digamos assim, que não se dão conta que estão insistindo numa coisa que não é certa, que não é boa.
Mas há também pessoas que são sonhadoras, obstinadas por seus objetivos, que são perseverantes, que são, de uma forma boa, teimosos.
Pessoas perseverantes geralmente não têm vidas fáceis, sofrem, caem, mas se levantam. E por quê? Porque há algo dentro deles, algo maior, mais forte, que os impulsiona a viver, a buscar um sentido para as suas vidas, a realizar seus sonhos, concretizar seus projetos.
Posso dizer com certeza que a vida não é fácil, e a maior parte da humanidade sabe e vive o lado difícil da vida.
As dificuldades que o mundo enfrenta vão de falta de comida na mesa à falta de sentido para a vida.
Como Augusto Cury diria: Há muitos miseráveis morando em mansões.
Concordo com ele.
Sabe por quê?
Porque é uma verdade gritante. Nós vemos muitas vezes pessoas ditas humildes sendo modelos de felicidade, de amor pela vida, de perseverança. Sofrem, tem uma vida difícil, mas também tem sonhos. Sonham em fazer a vida valer a pena. Querem um sentido para sua existência. Querem ser notados. Querem honrar sua condição de ser vivo: viver a vida com força e coragem.
Há aqueles também que não tem sentido, propósitos, para as suas vidas. Alguns são ricos, outros são pobres, mas, de qualquer forma, estão no mesmo grau de pobreza espiritual. São vazios, sem rumos, sem desejos. Essas pessoas precisam se encontrar com elas mesmas, precisam ter um momento de reflexão, precisam se reavaliarem. Precisam descobrir um motivo ou arranjar um motivo para respirar. E o mais esperável é que elas encontrem, enxerguem, elas próprias. Isso não é ser excêntrico, não é ser narciso, é apenas se amar de uma maneira saudável, pois isso é preciso, é fundamental.
Quantas vezes me vi à prova? Quantas vezes fracassei e quis desistir? Mas o amor que eu tinha por mim e pelo o que acreditava me movia a continuar o meu trajeto em direção ao alvo, ao meu sonho, ao meu desejo. Nessas horas eu me agarrava à fé, aos sonhos, à perseverança.
A vida é engraçada também. Mas é engraçadamente inteligente, racionalmente. Por isso na hora do aperto, na hora da agonia, a gente não consegue ver graça nas peças que a vida nos prega, pois não estamos no nosso melhor estado de racionalidade, agimos por impulso, pela força de emoção, ou seja, irracionalmente.
Vou contar uma estória, ficção, pra exemplificar um caso de perseverança:
(...)
Márcio era um rapaz de família de classe média baixa, nem tão rico nem tão pobre. Não tinha condições de pagar uma faculdade privada, por isso sempre se empenhou na escola. Não para ser notado por outras pessoas, mas porque ele gostava de estudar. Não estudar apenas fórmulas, teorias já prontas. Ele gostava mesmo de descobrir, de mergulhar no mundo do conhecimento. E conseguia.
Era o melhor aluno, sempre se destacava onde quer que estudasse. Era o chamado nerd, cdf, ou como queiram chamar. Ele não se importava por ter esses apelidos. Ele tinha um sonho muito grande: queria ser médico. Ajudar as pessoas mais pobres principalmente, por serem tão esquecidas pelos “poderosos”. Queria cuidar da saúde: coisa fundamental na vida de um ser humano, e que dinheiro, tenta, mas não compra.
Estava no 3º ano, iria prestar vestibular para medicina, já estava decidido há muito tempo atrás.
Todos diziam: Nossa, Márcio, é uma profissão linda, mas é muito difícil passar nela. A concorrência é grande. Eu sei da sua inteligência, mas é muito difícil mesmo, não quero te desanimar, mas...
Mas nada, Márcio era perseverante, obstinado, apaixonado pela medicina, e não pensava em desistir só porque a maioria das pessoas tentava desanimá-lo. Elas realmente não iam conseguir sufocar seu sonho. Algo maior o impulsionava: uma força, um ser divino: Deus.
É, ele tinha uma fé inabalável, acreditava piamente em Deus, mesmo que o mundo e suas teorias tentassem a todo custo provar o contrário. Mas, pra ele, Deus não estava ligado à teorias, à regras, à tudo isso que todos pregam e tentam alienar as pessoas.
Márcio acreditava que Deus está ligado ao acreditar sempre, a lutar mesmo em meio a tantas batalhas perdidas. Deus está ligado ao amor, à bondade, à justiça, à perseverança.
Então, com essa fé inabalável, Márcio foi prestar vestibular pela primeira vez. Tinha estudo muito, muito mesmo. Tinha todas as fórmulas químicas, físicas e matemáticas em mente, não que ele achasse essencial, mas é assim que o mundo trabalha, com uma educação sistematizada e pouco espontânea. Então ele agiu como era necessário: decorou fórmulas, datas, medidas e estava pronto para a prova.
Porém, na hora, Márcio começou a ficar trêmulo, a hora estava chegando, uma prova importantíssima, a realização de um sonho.
A prova estava em suas mãos, e o coração dele também.
Mal se continha. Estava começando a suar, enxugou as mãos na perna da calça. Não parava de tremer, não conseguia se concentrar direito. Parou, pediu sabedoria e calma a Deus naquele momento. E recebeu. Não tanto como precisava, mas isso não era culpa de Deus. Talvez fosse culpa dele próprio, que não soube receber, não soube enxergar a calma que Deus tinha lhe dado. O que aconteceu é que Márcio não passou no vestibular, passou na primeira fase, mas na segunda não deu. Ele estava mais nervoso ainda na segunda fase, deve ter sido por isso que ele não conseguiu entrar para o curso de medicina. Isso o deixou muito abatido, triste, mas não vencido. Ele se reergueu, decidiu estudar de novo, recomeçar do zero, se preciso. Arregaçou as mangas, colocou suas botas para chuva e enfrentou a tempestade. ,
O que formava a tempestade? Muitas dificuldades, muita descrença por parte de 'amigos', muita concorrência, mas ele era um sonhador perseverante, amava o seu sonho e não desistiria dele nunca. E assim o fez. Tentou exatamente quatro vezes, e fracassou nas quatro. Não digo que ele não se entristecia e nem pensava em desistir nas vezes que não via seu nome na lista de aprovados, mas ele era forte e tinha um Deus mais forte ainda com ele, e isso era o que fazia ele perseverar e lutar até o fim, até conseguir o que queria. Na 5ª vez que tentou, passou, e em primeiro lugar. Uma nota excelente, foi alvo de repórteres, de jornais reconhecidos em todo país. O que ele tinha feito era realmente notável, ele tinha acertado praticamente a prova toda. Ele tinha brilhado, ia realizar seu sonho de fazer medicina, de ajudar pessoas, de cuidar de vidas.
E foi assim, com esse amor pelo o que fazia, que ele cursou sua faculdade e se tornou um médico bem conceituado e muito competente.
Trabalhava na rede pública quase que exclusivamente. Tinha amor em cuidar, em ajudar a sarar aquelas doenças. Porque o mérito, ele sempre dizia, era de Deus, que ele, sim, era o médico dos médicos.
(...)
Bom, essa foi uma estória inventada por mim, Erica Ferro. É ficção, mas não está fora da nossa realidade, acontece e pode acontecer no mundo em que vivemos. É o exemplo de uma pessoa perseverante, que tem amor pela sua vida e pela vida de outras pessoas, que não desistem em meio aos fracassos, que sonham e buscam, não se acomodam, não esperam acontecer, eles fazem acontecer.
E é isso que devemos ser: lutadores obstinados pelos nossos objetivos, desde que eles sejam honrados e belos, com princípios e valores, que não sejam egoístas, que sejam desejos puros, sonhos lindos realmente.
A perseverança nasce com todos, dentro de todos nós, só que, por tantos buracos que tenhamos caído, acabamos esquecendo dessa força que temos em nós, perdemos o foco, perdemos a nossa visão e acabamos perdendo também nossos propósitos de vida. E isso, em hipótese alguma, deve acontecer. Temos que nos manter olhando para o alvo, sem pestanejar, firmes e fortes, inabaláveis, mesmo que o mundo esteja desabando a nossa volta.


(Erica Ferro)


04 julho 2009

O poder do teu olhar...

O meu coração dispara sempre que te vê
E eu finjo não saber o porquê
Dizer que sem você não posso viver
É muito pouco pra expressar o meu querer

Quero respirar teu ar
Sentir o acalento ao te abraçar
Ouvir a melodia do teu falar
Iluminar a minha vida com o brilho do teu olhar

Eu só sei te amar
Não consigo disfarçar
Todas tentativas de te esquecer
De não te querer
De deixar de te amar
Falharam com o simples mirar do teu olhar no meu olhar

(Erica Ferro)

***

P.s: Estou muito revoltada e zangada por não ter participado do Blorkutando e do PostIt essa semana. Não tinha nada pronto até ontem, é verdade, mas tinha ideias. Tinha também escrito algo na minha caderneta, mas a minha internet desgraçada não funcionou depois das 15:30. Eu pretendia postar à noite, mas a internet não voltou. Miserável, mil vezes miserável! Mas tudo bem, agora já era. Acho que vou postar aqui as pautas que fiz. Vocês querem? Se vocês quiserem ler, eu posto.
Ah, eu estava com saudade de postar algo aqui, mas "a coisa não estava fluindo". Acho que acontece com todos que escrevem, não é?
Por hoje, é só isso. Mas amanhã tem mais. Aliás, se a minha internet cheia de frescuras deixar, certo?
Um excelente final de semana pra vocês.