30 agosto 2009

A perfeição pode surpreender...

Noite de festa. Vinte anos de casamento da senhora Lúcia e do senhor Josué Montenegro.
Uma festa muito luxuosa, para honrar a condição financeira da família. Mulheres vestidas com longos vestidos de seda, jóias reluzentes, saltos altíssimos, cabelos com penteados elegantemente bonitos. Homens devidamente penteados, sapatos lustrosos e vestimentas dentro dos padrões de uma festa black tie.
A casa, devidamente decorada, bem iluminada, garçons bem trajados com bandejas de vinhos, docinhos e outras maravilhas, andavam de um lado a outro, quase correndo, para atender bem a todos os convidados. Uma das características forte do senhor Josué era o perfeccionismo. Nada podia dar errado, tudo tinha que estar impecável. Então todos os encarregados do desenrolar da festa estavam fazendo além do máximo para que tudo ocorresse perfeitamente.
Lúcia estava vestida com um longo vestido verde musgo de seda. Um colar de brilhantes lindíssimo e um salto razoavelmente alto. Tinha o cabelo num coque com alguns adereços como enfeite. Mas adereços sutis e muito belos, nada muito extravagante. Lúcia era, acima de tudo, discreta. Não achava que uma mulher de 47 anos deveria se mostrar de uma forma exacerbada. Tinha como lei que "menos é mais".
Já Josué estava trajando um smoking muito bem apresentável, cabelos penteados lambidamente para trás. Um senhor que aparentava ter menos do que 50, que era o que tinha.
A festa corria muito bem. Todos pareciam satisfeitos com a música, a comida e bebida e a toda recepção dos Montenegro.
Josué aparentava estar feliz; orgulhoso também. Uma festa memorável. Digna de coluna social. Ele adorava ser notícia. Ah, como adorava. Lúcia, por sua vez, não gostava de exibicionismo. Ela gostava mesmo era de ficar atrás das câmeras.
Mesmo em meio a todo o luxo, a sorrisos e a abraços, notava-se um clima tenso e diria triste no ar. Lúcia se esforçava para esboçar um sorriso, mas Josué era todo sorrisos realmente.
Lúcia há tempos andava preocupada com o seu casamento. Josué, de uns tempos pra cá, não era mais o mesmo. O homem que era calorosamente amável, agora se assemelhava a uma pedra de gelo. O amor que Lúcia sentiu que Josué um dia lhe teve, parecia ter morrido ou desaparecido. Definitivamente, ele tinha mudado. Mesmo desconfiada e preocupada, se manteve em silêncio. Pensou: "É só uma fase, irá passar!". Mas não passou, as coisas só tinham piorado. Ela não sabia mais o que fazer. Pensou em conversar com ele, perguntar o que estava acontecendo com ele, onde estava o casal apaixonado que um dia eles foram.
Porém não conversou. Apesar de Lúcia ser uma mulher conhecida por ser paciente e discreta, ela teve uma ideia, uma ideia um tanto quanto ousada e talvez desnecessária. Mas só saberia se era desnecessária se colocasse em prática. Resolveu, então, colocar um detetive para vigiar o marido, para saber o que estava se passando de fato com ele. As investigações iam bem. O detetive já tinha o visto várias vezes entrar em um prédio num bairro nobre da cidade, mas nunca viu com quem exatamente.
No dia da festa, o detetive Marcus ligou para ela, disse que tinha notícias definitivas sobre o
caso. Só que, nesse exato momento, Josué chegou na sala dizendo que ela tinha que se aprontar para a festa. Ela não teve escolha, desligou o telefone e todo o seu ser tremeu de ansiedade e uma certa raiva pela falta de sorte que teve naquele momento. Se arrumou e, com um descuido do marido, conseguiu ligar para Marcus. Ela lhe disse da festa e de toda a correria que estava na casa, disse também que não podia falar muito, contudo no dia seguinte gostaria de vê-lo para saber tudo o que ele tinha descoberto. Marcus concordou.
Por isso Lúcia andava naquele desconforto e tensão toda durante a festa. Josué não teve essa sensibilidade para perceber, pois estava muito ocupado com os flashs e seu falatório em público.

Algumas amigas perceberam que Lúcia não estava tão bem quanto deveria estar.

- Você está bem? - Disse Judith
- Muito bem. Tudo está tão lindo.
- Sim, sim. Devidamente lindo. Diria perfeito. Mas sinto que há um nervosismo em você, um desconforto.
- Ah, engano seu. Por que estaria?
- É, deve ser as tantas taças de vinho que já tomei. Estão me fazendo ver coisas onde não tem. Até porque você é uma mulher linda, tem filhos lindos e um marido exemplar. Uma mulher de sorte, não? Então não há porque você estar triste ou tensa. É, com certeza foram as taças de vinho que me deixaram assim.
- Com certeza, minha amiga. Com certeza...- Lúcia falou pensativa e sem muita certeza e segurança do que falava.

(...)

A festa correu maravilhosamente bem. Josué aprovou o bufê e orquestra. Sim, para espanto de Lúcia, que conhecia o perfeccionismo do marido, Josué tinha adorado a festa e todo o seu desenrolar.
Foram deitar exaustos. Josué feliz da vida, no dia seguinte sua festa de aniversário de casamento seria notícia na coluna social do jornal mais bem conceituado da cidade. Lúcia estava muito ansiosa, não via a hora de raiar o novo dia. Ela precisava encontrar Marcus e saber o por que de seu casamento ter desandado e se tornado aquela coisa fria e de aparências. Um casal que era tido como exemplo de perfeição e felicidade. Lúcia não sabia se ria disso ou se chorava, já que tudo só aparentava estar bem.
Lúcia demorou para dormir, mas felizmente conseguiu, o cansaço a ajudou adormecer.

(...)

Um novo dia se anunciou. Lúcia foi acarinhada pelos raios de sol do novo dia. Josué já tinha ido para a empresa Montenegro, onde era o presidente. Lúcia procurou o relógio mais próximo e se espantou com a hora. 10:00 horas. Pensou "tenho que ligar para Marcus.
Preciso me encontrar com ele o mais rápido possível." Ligou para ele e marcou de se encontrar às 12:00, almoçariam juntos.

(...)

- Olá, Lúcia. - Disse Marcus num tom educado e gentil.
- Olá, Marcus. Como está? Espero que bem. Olha, eu estou muito ansiosa, gostaria de saber o que você descobriu imediatamente.
- Calma, senhora. Sente-se um pouco, respire fundo.
- Oh, me desculpe pela a minha afobação e quase falta de educação.
- Tudo bem, não tem problemas. Bem, eu descobri coisas que terríveis, senhora Lúcia. Coisas que irão chocar a senhora.
- Oh céus! Me diga logo, antes que eu morra de ansiedade antes.
- Seu marido...
- Sim, diga...
- Seu marido tem outra família, senhora. Outra família. Andei investigando e descobri que ele tem dois filhos com uma mulher de 32 anos chamada Rute Videl. E o mais cruel. Ela sabe que ele é casado com você, sabe de tudo. Dos filhos que você tem com Josué, de tudo.
Mas, mesmo assim, o aceita.
- Oh meu Deus - Lúcia falou entre soluços e lágrimas - Isso é terrível, é inacreditável... Como ele pôde fazer isso comigo? Nunca pensei que isso fosse realmente acontecer. Quer dizer, logo eu? Eu que sempre fui uma esposa atenciosa, amável, sensata e fiel. Por que, meu Deus? Por quê?
Ai, eu sabia que havia algo de errado. Eu cheguei a pensar em um caso sem importância, uma aventura com uma mocinha mais jovem. Apesar de que algo em mim não queria acreditar nessa hipótese. Porém eu me deparo com essa realidade, outra família? É demais pra mim, eu não posso crer.

Marcus mostrou fotos e vídeos que tinha conseguido de passeios que Josué teve com a sua família oculta. Nos vídeos ele aparecia sorridente, abraçando e beijando apaixonadamente a sua jovem esposa. Em outros, aparecia brincando alegremente com os seus filhos. Crianças lindas, uma família perfeita se não fosse o fato de ser clandestina.
Lúcia não quis mais almoçar. Pegou todas as provas do crime de seu marido e saiu do restaurante chocada e profundamente triste. Queria buscar forças para esfregar todos os vídeos e fotos na face de Josué. Queria gritar o quanto ele era canalha e indigno de amor verdadeiro.

(...)

Foi dura a conversa, Josué desconversou e negou. Mas, quando Lúcia exibiu todas as provas, ele não teve o que fazer a não ser confessar o seu adultério. E foi cruel no que disse. Disse que há muito tempo tinha perdido a paixão e o desejo por Lúcia, que Rute sim era digna dele, uma mulher atraente, inteligente e extrovertida. Coisa que coisa nunca tinha sido. Em meio a todo tipo de absurdos que disse, falou que Lúcia era uma mulher desinteressante e sem sal. Sempre tinha sido, o único atrativo dela era o dinheiro. Sim, o dinheiro que tinha herdado do pai. Foi isso que Josué viu de interessante em Lúcia. Só isso. Fingiu uma paixão desmedida e arrebatadora. A pediu rapidamente em casamento, pois, segundo ele, a paixão que tinha no peito ardia e pedia incessantemente a presença eterna de Lúcia ao lado dele. Passou anos fingindo, até que resolveu não fingir mais, já tinha conseguido o que queria. Fez Lúcia assinar certos papéis que dava metade da fortuna para ele. Ele se gabava de ter sido bom com ela. Jogou-lhe na cara como era ingênua e que, se ele quisesse, teria feito ela passar todos os seus bens para o nome dele. Disse ainda que ela deveria o agradecer. Lúcia quis matá-lo, esbofeteá-lo, mas não fez, só sabia chorar e se lamentar por ter sido tão burra e ter se deixado enganar durante tanto tempo.

(...)

Lúcia passou bastante tempo mergulhada na solidão e no rancor até que cruzou em seu caminho um homem maduro, aparentemente íntegro, olhar encantador e, bem, lhe fazendo juras de amor eterno.

(...)

Será que Lúcia deixou a paixão tomar conta de seu coração novamente?

•••


(Erica Ferro)

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Conto para o Once Upon a Time.

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P.s: Ficou enorme esse conto, não é? Duvido que alguém leia todo e que eu ganhe. Ficou enorme e mal escrito. Mas foi tudo o que eu consegui escrever. Isso é que vale, não é? Boa semana pra vocês, gente.
Grande abraço.

28 agosto 2009

Meu coração te reconheceu...

Segura meu coração
Em tua mão
O acolhe
Não me devolve
É teu
Não é mais meu

Quando te vi
Meu coração quis sair de dentro do meu peito
Reconheceu de quem é de direito
Meu coração quer estar onde você está
Meu coração te quer

Te suplico:
'Sem você eu não vivo
Fica comigo'

(Erica Ferro)

27 agosto 2009

Motivo de vida...

Insana sou
Sou humana
Humanamente errada
Errada que sempre quer estar certa
Certamente indecisa
Indecisamente confusa
Confusamente apaixonada
Apaixonada por tudo o que me satisfaz
Me satisfaz o que me traz paz
Paz me dá a água que corre no mar
Mar calmo
Calmo e tranquilo céu
Céu que me enfeita a vida
Vida que não tem razão de existir
Se eu não tenho você perto de mim

(Erica Ferro)

25 agosto 2009

Um dia de pesadelos...

Tantos acontecimentos num mesmo dia. A morte do pai, o infarto da mãe e o desespero do irmão. E ela? Ela ficou sem reação, chocada, absorta em pensamentos.
Não podia ser verdade que seu pai, seu querido pai, tivesse morrido num acidente de moto.
Não, não podia ser verdade que sua mãe, ao saber a notícia da morte do pai, tivesse sofrido um infarto e estivesse à beira da morte.
Era um pesadelo. Sim, um horrível pesadelo! Não, não, ia além de pesadelo, era quase irônico. Ironicamente verdadeiro, um pesadelo.
A tia tinha se oferecido a ficar no hospital com a irmã, mãe de Pâmela. Disse que ia ficar tudo bem, que Jussara ia melhorar, que ela era forte. Pâmela fez um gesto de cabeça, como se dissesse "eu acredito". Mas um acredito bem cansado e pouco crente, na verdade.
Ela estava realmente a ponto de desabar. Um corpo frágil como o dela não havia de suportar uma montanha rochosa caindo sobre ele, o esmagando. Não havia mesmo.
Na cama, olhando para o que estava além da janela, uma chuva fina, como se o céu estivesse chorando, se compadecendo de sua desgraça e dor, lembrava dos olhares dos vizinhos, olhares como de quem se desculpa, de quem abraça com um sorriso meio envergonhado, mas reconfortante. Não, não era olhar de quem quer confortar. Era pena mesmo, ela sabia.
Mas não tinha raiva de que sentissem pena dela, não tinha forças pra isso. Ela se sentia desgraçadamente miserável, triste também, absolutamente triste. Tudo havia perdido a cor, o brilho e o cheiro. A vida perdeu o sentido. Não havia mais razão para comer, dormir ou viver. Não havia mais. Mas, sobressaltada, teve um lapso de sanidade e revelação "Não, não, eu ainda tenho razão para viver. Minha mãe ficará boa, eu sei. Não pode acontecer tantas desgraças com uma pessoa que tem apenas 12 anos. Não, não pode."
Caiu num choro forte e ininterrupto. O que tinha vivenciado naquele horrível dia parecia disco arranhado na cabeça da pobre menina - Pâmela achava que não conseguiria dormir, que morreria de tanta dor e agonia. O que ela não compreendia, pois não tinha condições de pensar logicamente, era a possibilidade de os pensamentos cessarem.
De tanto chorar e pensar nas coisas horrendas e quase inacreditáveis daquele dia, dormiu. Sonhou que tudo aquilo não passava de um horrível pesadelo, que a mãe e o pai estariam esperando ela e o irmão para mais uma refeição matinal.

(Erica Ferro)



P.s: Conto feito para o Once upon a time (tinha postado esse conto no Pensamentos Devaneantes, no dia 23/08). Um concurso para blogueiros bem interessante. Toda semana é dada uma frase e nós, blogueiros, temos que criar um conto com a frase dada. A frase da semana passada foi essa que está em destaque. Hoje saiu o resultado. Ganhei em primeiro lugar (detalhe: nunca tinha ganhado no Once upon a time). Fiquei bem feliz, até porque fiz esse conto no domingo à tarde, digamos que meio que de última hora, mas tudo bem. Deu certo.
Bom, por hoje é só.
Grande abraço pra vocês.

22 agosto 2009

A vida pede você!

Acabou o tempo de sofrer
Iniciou-se o tempo de viver
De ser feliz
De crer no querer
No conseguir

Sempre é tempo de viver
Sempre é tempo de sonhar
Sempre é tempo de concretizar
E não existe espaço para o desistir
Para o não sorrir
Para o não ser feliz

A sutileza do momento
O momento que pede sentimento
O sentimento que pede verdade
A verdade que pede o amor
O amor que pede a felicidade
A felicidade que pede vida
A vida que pede você

E há uma paixão que mora no mais íntimo do teu coração
Uma paixão pela vida
Deixe que ela aflore
Entregue-se
Viva essa paixão
Viva a vida com toda emoção

(Erica Ferro)

***

P.s: Tenho uma porção de selos e memes para postar aqui no blog. Vocês são tão lindas, meninas (sim, eu só recebi selos de meninas). Muito obrigada por todos os selos e todos esses mimos, viu? Amo ser lembrada por vocês todos.
E, gente do céu, 34 comentários na postagem anterior? Que coisa mais linda! Obrigada e obrigada.
Ah, pessoal, só tenho que agradecer a vocês. Vocês não ficam chateados por eu sempre agradecer não, né? Espero que não, hein?
Bom, eu queria fazer uma pequena propaganda aqui. É que eu participo de um blog muito legal, se chama Divã cor-de-rosa. Um blog de sete meninas de regiões diferentes, cada uma posta num dia. É um blog bem divertido e (mesmo sendo suspeita para falar sobre ele) muito interessante. São sete que escrevem suas opiniões e devaneios. Enfim, vale a pena conferir.
Hoje fiz a minha primeira postagem lá.
É isso, gente!
Aproveitem o fim de semana.
Até mais!

19 agosto 2009

Sobre flechas mortais e mágicas...

Juras de amor eterno vestidas de palavras são jogadas ao vento. E o vento leva.
Cadê as palavras, cadê as juras, cadê o amor? Apenas palavras.
As palavras têm o poder de salvar e de condenar, de enganar e de revelar.
Palavras não são bumerangues. Vão, e não voltam.
Ser calculista tira toda a beleza da naturalidade. Torna o falar superficial, forçado e inútil.
Serão apenas palavras.
O que fazer, então? Ensaiar o falar, medir para não transbordar e ferir? Ou falar e deixar que as palavras tomem formas e consequências nos ouvidos de quem ouviu e na alma de quem sentiu?
Coisa complicada de se responder.
Mas minha alma grita que é uma mistura. O falar deve ser uma mistura - e, por favor, bem misturada, para que fique uma coisa homogênea. Devemos trabalhar nossas palavras, testar em nós mesmos. Devemos pegar flechas e acertá-las em nosso próprio peito. Se doer, saberemos que teremos que trocar de flechas, pois essas são deveras dolorosas e ferirão quem as receberá.
Há flechas, acreditem, que são mágicas. Acarinham o coração de quem as recebe, devolve ânimo e o gosto de viver, esquece-se o querer morrer.
Flechas que devolvem o que foi perdido. Flechas que fazem perder - perder o que faz penar e sofrer.
Flechas variadas, flechas que se comunicam com a alma.
As flechas são as palavras.

Você usa bem suas flechas?

(Erica Ferro)

***

P.s: Não tinha percebido, mas, definitivamente, estou numa fase de escrever pouco. Digo, de escrever textos pequenos, mas, ao meu ver, com um significado e uma importância extensa. Principalmente pra mim, é claro. Me sinto leve ao traduzir a linguagem da minha alma. Me sinto mais feliz quando percebo que derramei um pouco do meu ser e pude compartilhar o meu pensar e o meu sentir com outras pessoas. E, acreditem, uma das coisas mais lindas e belas dessa vida é se sentir entendida e verdadeiramente sentida.
Sintam-me.
Precisa dizer que eu agradeço, mais uma vez e sempre, pela presença de cada um de vocês aqui no meu cantinho?
Se precisar, tudo bem. Lanço agora a flecha do agradecimento e a cravo no peito de cada um que estiver lendo!
Grande abraço, queridos e queridas.

18 agosto 2009

Já?

Hoje você já agradeceu pelo ar que inalou? Pelo sol que te aqueceu ou pela chuva que te refrescou?
Já agradeceu pela comida que comeu? Pelo colchão que te acolheu? Pelo cobertor que te acalentou?
Agradeceu pelo amigo que te socorreu? Pela lua que te sorriu? Pelas estrelas que te piscaram?
Agradeceu pela tua vida? Pelos teus momentos de alegria?
Agradeceu por tua sobrevivência em meio à essa turbulência?
Não?! Agradeça!
Acredite, você tem motivos para sorrir e para se sentir sortudo e feliz.


(Erica Ferro)

***

P.s: Hoje a postagem é bem pequena se comparada às que eu já fiz anteriormente, mas espero que sintam a essência e a importância da mensagem. Espero que percebam o que eu quis passar a vocês.
Costumamos ser muito reclamões e insatisfeitos.
Exemplo: Temos a maioria das coisas que queremos, mas, se falta uma ou duas coisas, isso já é motivo de sobra pra lamuriar e praguejar ao mundo.


Não peço que sejam acomodados e satisfeitos com tudo o que têm. Apenas peço que saibam separar o que é essencial, realmente indispensável, e do que é fútil e inútil.


Sentiram a essência?

E, ah, muito obrigada aos novos seguidores.
É lindo ver esse blog crescer!
Muito obrigada mesmo, pessoas.
Sintam-se abraçados por mim.
Até a próxima!

15 agosto 2009

Quase...

Por mais que eu tente
Nada consigo
Nada realizo

O nada é o que me espera e me abraça sempre
Quando não é o nada
É o quase

Quase sou
Quase acontece
Quase...

Os "quases" não me satisfazem justamente por serem incompletos
Eu quero o copo cheio
Não quero meio ou até mesmo vazio

Quero me sentir plena
Quero me sentir verdadeiramente útil
Quero me sentir, sentir o que de melhor há em mim borbulhando
Acontecendo
Sendo

Eu quero
Esse é o quase problema
Querer faz parte do poder
Mas não é o suficiente para conquistar
É preciso buscar
Fazer alguma AÇÃO
A motivAÇÃO tem
Só falta a reAÇÃO

Eu espero que um dia eu deixe de teorizar
Eu espero...
Eu disse espero?
É, não tem jeito
Eu quase serei...

(Erica Ferro)

***

P.s: Tinha postado essa tentativa de poema frustrada no Pensamentos Devaneantes, no dia 12.

55 seguidores. Nunca pensei que chegaria a tanto.

Afinal, fiz esse blog, primeiramente, na intenção de ter um espaço onde pudesse colocar meus pensamentos, minhas loucuras e meus sentimentos. Enfim, onde pudesse derramar o meu eu.
E, hoje, vejo pessoas se identificando, gostando do que eu escrevo, se vendo em alguns textos, versos e frases. Isso é algo muito tocante, diria gratificante.

Queria agradecer, de coração, a presença de todos vocês aqui no Sacudindo Palavras.
Continuem me visitando, lendo-me e, se possível, comentando. Adoro ler os comentários, cada um tem um gostinho único e especial.
Grande abraço de uma sacudidora de palavras, Erica Ferro.

13 agosto 2009

Um comprimido para descomprimir...

E o meu corpo se sente fraco e dolorido. E a dor aperta meu coração. O coração é comprimido.
Me dá um comprimido?
O mar vermelho se abriu. Estou febril.

A febre me queima. Você me vê em chamas?
Chamas que inflamam corpo e alma. A alma quer na água se refrescar.
Cadê a água? Um copo d'água e um comprimido é o que eu preciso. Seria o ideal?
A ideia do ideal é utópica. A realidade é dura, quente, cortante. Diria quase irremediável.
Quase.
Têm os comprimidos que descomprimem o que foi comprimido.
Alguém ouve meus gritos? Cadê o remédio, os comprimidos, os antídotos?
Peço socorro.
Choro.
- Chamem os bombeiros...
Emergência, emergência.
É urgente.

(...)

Demoraram demais.
O último suspiro foi dado.

(Erica Ferro)

09 agosto 2009

Para você, pai!

Pai,

Eu quero dizer algumas coisas pra você. Coisas que estão gravadas e guardadas no meu coração e na minha memória:
Eu amo você!
É no dia-a-dia que o amor que é provado. Sei que não sou perfeita. Sei que não sou sempre gentil contigo, como também nem sempre és comigo. Sabe o que é, pai? Eu sei que você sabe, mas deixa eu dizer: é que somos imperfeitos. Um dia acordamos de bem com a vida, no outro queremos ficar no nosso canto quieto, ou ainda estamos estressados e mal-humorados, e acabamos descontando isso em quem não tem a ver com o problema.
Me desculpe por todas as vezes que fui rude, grossa e estúpida com você. Saiba que eu nunca quis te magoar, nunca. Me arrependo amargamente depois de uma discussão contigo; choro, fico mal, me acho uma idiota e ingrata. Fica um clima ruim, pesado, entre nós. E eu prefiro estar de bem contigo, rindo, filosofando sobre a vida, menos chateada e brigada com você.
Espero estar provando meu amor por ti e toda a minha admiração todos os dias, pai.
Eu tenho orgulho de você!
Sim, eu tenho orgulho de você. Tenho orgulho por você ser esse homem guerreiro e trabalhador. Tenho orgulho por você ser esse homem honesto e íntegro. Me espelho em você em termos de honestidade e integridade. Pessoas com bom caráter hoje em dia é raro. Você é uma raridade, pai. Meu tesouro! Minha mais linda medalha de ouro!
Eu preciso muito de você para todo o sempre!
Pai, tem um assunto que me deixa muito mal só em pensar: de perder você.
É, pai, gostaria de te ter pra toda a eternidade comigo, ao meu lado. A possibilidade de você morrer, aliás, não é uma possibilidade, é uma certeza (dolorosa, mas é uma certeza), me faz estremecer e me entristecer, me desesperar e chorar.
Mas não, não quero falar coisas tristes.
Você não gosta quando eu falo de coisas tristes. E, também, hoje é dia dos pais.
Pai, pensando bem, eu sempre terei você comigo. Sempre.
Você sempre estará presente e vivo na minha memória e no meu coração. Seus ensinamentos, todo o seu viver ao meu lado está tatuado em mim. Você faz parte de mim, da minha vida.
Eu não poderia me desfazer do que você é pra mim nem que eu quisesse (e eu não quero mesmo). Você é inesquecível!
Quando precisar de um consolo, te abraçarei e pedirei pra você me dizer palavras encorajadoras.
Mas, quando não for possível te abraçar mais, lembrarei do teu sorriso e de tudo de bonito e verdadeiro que me disseste um dia. Tuas palavras doces, verdadeiras e harmoniosas sempre ecoaram na minha alma, nos meus pensamentos, me guiando pela longa e nem tão fácil estrada que é a vida.

Meu painho, eu poderia dizer tantas coisas, mas tantas...
Mas tudo é tão pouco para te homenagear, pra te falar do meu amor, do meu carinho, da minha admiração.
Mesmo sabendo que tudo que eu possa escrever, falar ou fazer é pouco para expressar todo o meu apreço por você, eu continuo tentando a cada dia raiar do sol, a cada dia palavra que sai da minha boca, a cada abraço, a cada poema, poesia ou um texto qualquer numa folha de caderno velho, pois eu amo muito você.
Feliz dia dos pais, meu velhinho lindo.

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"Você é o meu bravo guerreiro
Meu grande conselheiro
Meu fiel companheiro

Estar ao seu lado é de uma alegria contagiante
Emocionante

Meu corpo frágil precisa da tua condução e proteção
E minha alma diz que ama MUITO você

Você é meu pai!"

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(Erica Ferro)

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P.s: Como foi hoje, gente? Passaram o dia com seus pais? Me contem tudo, e não me escondam nada (haha!).
Espero sinceramente que tenha sido um dia agradável pra vocês.
Estou muito feliz com tantos leitores. Nunca pensei que um dia chegaria a ter 51 leitores e tantos comentários aqui, no meu humilde blog. Obrigada mesmo, de coração.
A presença, a opinião e o incentivo de vocês são indispensáveis para o meu crescimento no mundo das letras.
Bom, eu queria fazer uma pequena propaganda.
Conhecem o blog Pensamentos Devaneantes? Não?!
De quem é o blog Pensamentos Devaneantes?
De Letícia Christmann e Erica Ferro.
Isso mesmo, um blog em parceria.
Lá postamos de um tudo, desde textos nossos à músicas e vídeos que gostamos.
Que tal fazer uma visitinha?
Espero vocês lá, hein?
Fico por aqui.
Grande abraço e uma ótima semana pra vocês, meus amigos blogueiros.


07 agosto 2009

Saiba ser um nobre e bom competidor!

Polimento, lapidação, melhoramento - é por estas e outras coisas que o mundo busca.

A competição. Competir para sobreviver num mundo de feras. Feras prontas para dar o bote. Inimigos reais, inimigos de carne e osso, inimigos imaginários, monstros que nos atormentam no escuro da noite.

Falo de pessoas inescrupulosas e fraudulentas, que tudo que buscam é o poder, mesmo que para isso seja preciso atropelar pessoas de bom caráter e sentimentos nobres. Essa é a competição maldosa, descartável e abominável.

Querer ser melhor, querer um bom emprego, um bom salário, uma boa moradia e etc. não é mal, não é feio e não é condenável. O que é condenável é usar artifícios indignos para obter quaisquer benefício próprio.

O que dá prazer em ver são pessoas batalhadoras, que levantam cedo para enfrentar um longo dia de trabalho, que competem com o frio, muitas vezes com o pouco alimento na mesa antes de ir trabalhar, os ônibus e transportes lotados para chegar ao trabalho. Esse trabalhador é um vencedor, um homem que ganha uma batalha todos os dias. Sua vida é uma guerra, e ele a vence sem armas e sem tanques de guerra. Ele a vence com coragem, garra, com força de vontade, vontade de ser melhor, de obter melhores condições de sobrevivência, de decência.

Admiro pessoas que lutam contra seus medos, seus fantasmas interiores; que só pelo fato de se levantarem todas as manhãs, de seguirem em frente mesmo sendo golpeadas vários momentos por dia por aquele trauma, por aquela dor que assola a alma, os sonhos da mesma, é uma vitória. Uma vitória essencial para a alma dela, para enchê-la de esperança e de um novo ânimo de vida.

Como atleta, sei o quanto é importante uma competição. Na competição, tiramos, por assim dizer, a prova dos nove, nos testamos, vemos se o treino que estamos fazendo está funcionando, se todo o esforço está valendo a pena. Na natação, que é um esporte individual, descobri que a minha maior rival sou eu mesma. A raia, o cronômetro e eu. É o relógio, é a velocidade, é a garra, é a vontade. As outras nadadoras estão lá, óbvio, nadando, lado a lado, mas a minha maior rival sou eu mesma. Primeiro, preciso vencer a mim mesma. Vencer minhas próprias marcas, me superar. Depois, penso na raia ao lado.
Se eu chegar ao pódio, só provará que eu consegui me superar e que todo o meu esforço e garra foram reconhecidos.

A raia - a vida.
O cronômetro - o tempo.
Os nadadores - eu e você, nós - o mundo.

Por esse mundo vamos nadando por mares ora calmos, ora tempestuosos. Vamos competindo com a tormenta, com o vento forte e cortante, com os tubarões que queiram nos devorar.
Temos que ser espertos. Nos ligar no balanço do mar, no tempo, no espaço, a quem está do nosso lado. Não sejamos tolos e ingênuos demais, mas também saibamos usar nossa esperteza para enxergar o perigo e para trilhar caminhos retos em direção a nossa meta.

Competir: faz bem, faz mal, depende de como se compete. Não seja adepto do dopping - falo isso no mais amplo sentido, na vida esportiva e na vida diária, como ser humano comum. Ou seja, não puxe o tapete de ninguém, mas também não deixe que puxem o seu. Queira melhorar, mas que isso seja para te fazer bem, para se sentir melhor, para se sentir útil para si mesmo. Não para ser reconhecido por outras pessoas ou ainda para querer ser notado como melhor do que outra pessoa. Isso é tão estúpido. Pois ninguém é melhor do que ninguém, mesmo que certo alguém colecione mais medalhas, mais títulos do que quer seja do que outro indivíduo não quer dizer que ele é melhor, que o outro é um coitado.

Todos nós temos capacidade de vencer qualquer batalha, de conquistar qualquer título, de ser o que quisermos ser, basta querer, se empenhar e, por último e mais saboroso, conquistar.
Mas, se por mais que você tenha tentado, que a vida parecer não ter sentido, seja forte e um bravo guerreiro para não se render pela onda de derrotas que vierem te derrubar, tirar teu desejo de lutar. A vida é assim: feitas de derrotas. Na vida de alguns, a vitória vem logo. Na vida de outros, demoram um pouco. E por que demoram? Para provar para o próprio batalhador do quanto de dor e sofrimento ele é capaz de superar. Para, no final, ele saber que é forte e que hoje é feliz por ter finalmente, com muito suor e persistência, conseguiu ser e ter o que sempre desejou e buscou ardentemente.

Saiba acreditar!
Saiba persistir!
Saiba valorizar o que conquistou!
Saiba ser um nobre e bom competidor!

(Erica Ferro)

***

Pauta para o Blorkutando.
Tema: "Eterna competição".

***

P.s: Pauta feita às pressas, e coloca às pressas nisso. Não ficou legal, eu sei. Mas nunca mais tinha participado do Blorkutando, e isso estava (e ainda está) me fazendo falta.
Alguém me diz por que eu só deixo pra fazer as coisas em cima da hora? =/
Eu sou uma... uma...
Deixa pra lá.
- Sem xingamentos, Erica Ferro!
- Entendido, dona Sanidade.


04 agosto 2009

Âncora no mar...

Meu coração ficou gelado.
É, aquele que já foi tão quente e enamorado.
Não, eu não esqueci meu coração na geladeira.
Você que arrancou meu coração, colocou num baú e colocou para gelar. E gelou, pedrou, nem a erupção de um vulcão o faria descongelar. Não, não é exagero. É apenas o relato de um coração extremamente gelado, irremediavelmente gélido. O calor das tuas palavras é nada.
Tua voz doce e com traços de paixão ardente não inflama mais meu coração. Não e não.
Vai pra lá com esse teus olhos sedutores e perfurantes. Vai pra lá com essa tua boca convidativa. Eu não quero mais contato com a tua pele. Não quero mais descansar em teus braços. Não quero e não quero.
Eu quero te ver bem longe de mim. Eu quero te ver chorar, sofrer e penar por mim. Mas eu quero ver isso de longe. Porque eu poderia retirar tudo que disse a algumas linhas atrás. Quando estás longe, eu posso fingir que você não me causa arrepios, que não mexe comigo.
Posso até sentir prazer em te ver sofrer. Mas só de longe. De perto eu me derreto, eu esqueço que te odeio. Não, eu não te odeio. É que de perto eu lembro que odeio fingir te odiar. Acabo me afundando em teus braços como âncora no mar. Te amo. Acho que sempre será assim. Eu sempre hei de te amar.

(Erica Ferro)