21 outubro 2010

No wait? Impossible!

Recentemente uma reflexão antiga voltou a incomodar (no bom sentido) a minha mente. E hoje, depois de ler um tweet da Camila Blopes, foi que a mente começou a trabalhar a todo vapor e um texto queria se formar e ser publicado aqui no blog.
O tweet dizia o seguinte: "Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre."
Não é verdade?! Verdade pura! E o fato maior é que todo mundo, ainda que intimamente, sabe da veracidade dessa frase. Eu disse todo mundo!
Mas, ao mesmo tempo que é verdade, não esperar é algo difícil (esperar também, convenhamos; aliás, quase tudo nessa vida tem um grauzinho de dificuldade).
Digo que não esperar é algo difícil porque eu ainda não sei como planejar algo sem idealizar o fim do projeto. Digo que é algo difícil porque não sei sonhar sem ilusões, sem esperar que o sonho se torne real, lindamente real, com toda pompa que eu julgo merecer.
Digo que é difícil porque nunca aprendi a amar sem querer amor em troca. A gente sempre espera algo, uma troca, uma compensação - e isso é algo quase que automático, inconsciente (e, também, perdoável). E por que é assim? Por que não podemos simplesmente amar por amar, sonhar por sonhar, querer por querer? Por que tudo esconde uma razão? É essa a graça? Estou quase convencida de que é essa a graça: os mistérios que se escondem por trás das nossas ações e pensamentos é que o que faz da vida essa coisa tão boa de ser vivida, de ser protagonizada, desejada e aproveitada.
E eu vou continuar me decepcionando, sofrendo, chorando, mas acima de tudo continuarei vivendo. Vivendo o mistério de mim mesma, me deliciando com os doces da vida, provando do amargo, do exótico, do utópico, do irreal, do palpável, do inimaginável. Vou continuar esperando, esperando até por aquilo que eu nem sei bem o que é, mas que certamente um dia encontrarei. E o encontro será bom, mas jamais como eu idealizei, como esperei. Porque o destino é irônico, adora pregar peças. Que bom que a ironia dele não é todo prejudicial e cruel. Que bom!

(Erica Ferro)

17 outubro 2010

Sobre o que importa e o que não importa

Há mais ou menos um mês estou lendo "O viajante e o mundo da lua". É um livro interessante, perturbador, confuso e ao mesmo tempo bom. É verdade que recentemente fiz umas críticas nada positivas em relação ao livro no twitter, mas retiro-as.
Não é o livro mais objetivo, mais claro, mais envolvente e mais apaixonante que já li. Sabe um livro misterioso, que não se sabe bem o que ele quer dizer, que mensagem quer transmitir e o que ele causa em você, mas, mesmo assim, em um trecho e outro, se vê nas linhas e nas entrelinhas daquelas palavras?
"O viajante e o mundo da lua" é assim. E hoje o livro me tocou profundamente. Não foi uma passagem romântica que li, nenhuma solução para qualquer agonia minha; apenas pude ler o que eu sempre preguei e acreditei. É um belo resumo daquele ditado que diz: "Dinheiro não traz felicidade".
Gostei tanto de poder ler as minhas ideias ali, a síntese do que acredito e penso sobre a relação entre dinheiro e felicidade, que precisei compartilhar isso aqui no meu cantinho. Eis o trecho:

"Por dinheiro você não adquire nada que seja importante, e o que você adquire com dinheiro talvez seja necessário para a vida, embora não tenha importância.
O que de fato vale a pena nunca custa dinheiro. Não custam um centavo o espírito, a infinita maravilha das coisas, a ciência. Não custam um centavo você estar na Itália, ou ter o céu italiano sobre você, caminhar por ruas italianas, sentar-se à sombra de árvores italianas, e ao anoitecer ver o sol se pôr em italiano. Não custa um centavo agradar a uma mulher que se entrega a você. Não custa um centavo sentir-se feliz de vez em quando. Custa dinheiro apenas o que rodeia a felicidade, os acessórios estúpidos e entediantes. Não custa dinheiro estar na Itália, mas custa dinheiro viajar para cá e dormir debaixo de um teto. Não custa dinheiro a amante, mas a necessidade, nesse meio-tempo, de comer, de beber e de se vestir para poder se despir. Os burgueses, porém, vivem há tanto tempo de oferecer uns aos outros as coisas inúteis e caras que se esqueceram das coisas que não custam nada, consideram essencial o que custa muito. E essa é a maior loucura."

(O viajante e o mundo da lua - Antal Szerb)


* * *


Pronto. Era isso que tinha que ser postado hoje. Fica então a reflexão. Passo o "microfone" para vocês, agora.


(Erica Ferro)

07 outubro 2010

Dear Diary,

Diário de July - 05/05/2005

"Quando eu não tenho nada a dizer, eu falo qualquer coisa pela simples ansiedade e agonia de não ter nada a dizer. Quando eu tenho algo a dizer, atropelo minhas próprias palavras, sou calada pela minha ansiedade e agonia de falar o que eu de fato quero falar. Não consigo ser objetiva. Não consigo falar do que todos falam. Eu não sei qual o assunto que está em pauta. Não sei quais são os problemas que assolam o mundo. Simplesmente eu sou alheia ao mundo, a todos e até alheia a mim mesma. Eu decidi me isolar até me encontrar. E eu nem sei o que quero dizer com "me encontrar". Entende como eu estou perdida, Querido Diário?
O que há comigo? Não sei o que há comigo. Eu nunca soube a razão de ser diferente de todo mundo: a única coisa que sei é que sempre fui assim: indecifrável, incompreensível e complicada.
Quando digo diferente, é que eu sou diferente mesmo. Ora, eu sei que ninguém é igual a ninguém: todo mundo tem suas características físicas, suas ideias e tudo o mais. Mas quando falo que nasci diferente de todo mundo, me refiro a não ser como a grande maioria: que se acostuma com as mudanças rapidamente, que se satisfaz com pouco ou com aquilo que não era inicialmente a sua preferência e tantas outras coisas.
Eu nasci diferente porque vivo ansiosa por uma coisa que eu ainda não descobri o que é. Me entristeço por coisas que outras pessoas acham ridículo ou estranho. Eu choro quando alguma flor morre; na verdade, eu sempre quis ser um flor. Não sei porque, mas acho que as flores fazem parte do grupo das coisas mais belas da vida. Eu choro quando vejo em noticiários sobre mortes de jovens por balas perdidas, acidentes e todas essas tragédias que tanto se vê por aí. E é por esses casos serem tão corriqueiros, que as pessoas se acostumam e nem acham mais tão lamentável e tão triste. Eu passo horas pensando em como o tal jovem poderia ter vivido mais. Quantas conquistas poderia ter tido. Quantos amores ele poderia viver. Quantas pessoas ele poderia fazer feliz. O quanto que ele poderia ser feliz. E eu choro, porque eu não quero morrer jovem. Eu só tenho 16 anos e sinto que a vida pesa uma tonelada e que ela cai por cima de mim, me deixando sem ar. E eu sei que isso é deprimente e até um pouco dramático se eu contar isso a alguém, Diário. Por isso que eu escrevo. Por isso que eu me confesso aqui. Ninguém me discrimina. Ninguém me descrimina. Ninguém me culpa. Simplesmente faço meu monólogo e me sinto bem, ou menos pior.
Ah! Preciso dormir. Preciso fazer minha cabeça parar de pensar um pouco. Amanhã a vida me acordará às 06:45, e eu não posso me atrasar.

Até amanhã, Diário. Até amanhã..."

(Erica Ferro)

* * *

Tem jeito não, né?
Perdi mesmo o hábito de escrever frequentemente.
Mas hoje não tive como fugir. July queria ganhar vida, queria falar. Então a materializei.
Até outro dia, meus amigos blogueiros!