23 novembro 2011

Pollyana era humana

Pollyana, minha cara Pollyana. Reconhecidamente incomum desde que nasceu: quando veio ao mundo, não chorou.
Nem quando veio ao mundo nem em sua estadia por ele. E essa foi a sua morte.
Reservada desde muito pequena, nunca revelava o que sentia, o que lhe incomodava ou doía. E isso foi o que a matou.
Pollyana, você não conseguia ver, mas eu sempre estava com você, bem ao seu lado, prestes a lhe estender a mão, a lhe envolver em um abraço. Mas você não me via... E isso me destruiu um pouco por dentro.
Por que sempre pra você foi tarefa árdua pedir socorro? Quem meteu-lhe na cabeça que admitir que não somos autossuficientes e que por vezes precisamos, sim, de ajuda é fraqueza? Não, Pollyana, isso não é e nunca foi fraqueza. Isso é ser humano.
Mas... você não pode mais me ouvir. Ou pode? Você pode me ouvir de onde está, Pollyana? Onde você está, Pollyana?
As lágrimas rolam impiedosas por minha face porque eu não posso mais ver você, tampouco ouvir a sua linda voz, que, por mais clichê que isso possa parecer, era música aos meus ouvidos.
Pollyana, por que não me deixou cuidar de você? Por que sequer disse ou demonstrou que sofria? Por que se mostrava tão forte quando na verdade era vulnerável, uma menininha assustada, necessitada de um ombro, de um abraço, de um afago? Por que, Pollyana?! Eu nunca vou entender por que você fez isso consigo mesma. Nunca vou entender por que se mostrava tão indiferente aos seus fantasmas. Olha o que eles fizeram contigo, minha amada! Mataram-na!
Ah, sinto-me esgotado! Estou estafado de tanta tristeza e dor!
Os jornais disseram que você tinha se suicidado, minha doce Polly. Não, você nunca poderia ter se suicidado. Não você, minha Polly, tão inteligente, centrada, cheia de planos, de ideias e ideais admiráveis. Não, eu só poderia crer que havia sido um acidente, um terrível acidente, até que encontrei os seus diários... Através deles descobri quem você realmente foi. Sensível, frágil, assustadoramente solitária.
Não te amei menos por conhecer as suas fraquezas, seus medos, por ter ficado cara a cara com os seus demônios. Te amei mais, Pollyana. Te amei porque finalmente soube que você não era a perfeição que demonstrava ser. Te amei porque te descobri humana. Pena que você nunca me viu, Pollyana... Eu que estive sempre ao seu lado.

Erica Ferro



Mais uma das ideias que surgem do nada e resultam em textos/contos terrivelmente depressivos e tristes. Curiosamente, gosto de dar asas à imaginação e produzir estórias assim. São dolorosas, mas podem, perfeitamente, serem reais. Podem e são reais.
(...)
Eh bien, sábado estive no Gurias Arretadas.
Para ler o meu post, é só clicar aqui.
(...)
Um abraço da @ericona,
a desvairada.
Hasta la vista!

17 novembro 2011

She & He

Ontem eu estava sob um céu de luzes e no lugar perfeito. Tudo era lindo e de bom gosto, mas enquanto se cantava a paz, eu via a mágoa nos olhos dela; e nos olhos dele, aquele velho ar indiferente. Eu não sabia o que eram contradições, mas ali eu pude ver claramente o que poderiam ser.

Ela não podia simplesmente esquecer as faltas dele, muito menos fechar os olhos para os erros que ele cometera para com ela. Ela não é do tipo que ignora o que arde dentro de si. Só havia algo nele que a incomodava mais do que qualquer falha que ele já cometera ou poderia cometer: o jeito aparentemente frio que ele adorava adotar quando ela mais precisava de calor e compreensão.

E tudo perdeu momentaneamente a graça pelo fato de que o mundo tinha que girar ao redor dele, ela é quem deveria entender isso. Ele apenas fingia que não escutava e que não sabia das coisas que a faziam feliz.

O mundo girar em torno dele não era o principal problema. Ela nunca foi mesmo de exigir papel principal nas raras peças das quais participara. Ela só queria que ele parasse um pouco de fingir não enxergar os seus desejos e que finalmente trabalhasse em prol da realização dos mesmos. Ela nunca pedira demais, e ele sabia disso. Tudo estava ao alcance dele. Bastava que ele engolisse o orgulho, tirasse a capa da indiferença e a abraçasse daquela maneira que ela tanto gostava. Quando ela estava nos braços dele, inexistiam problemas e tudo que não a fazia bem.

“Por que era tão difícil mudar algo? Por que ele era assim? Por que eu exijo tanto de nós dois?” Ela se questionava e investigava em si as causas destes problemas, mal sabendo que ele ainda pensa nela do mesmo modo que antes, que tudo entre eles ainda é completo.

O que ele tem é medo de admitir que está assustado, que as novas mudanças também o afetaram e que este é o único modo pelo qual ele aprendeu a se defender das adversidades que os cercam. É difícil sobreviver a uma crise, porém mais complicado é abrir mão de toda uma série de sentimentos por uma situação mal resolvida.

Que se sabe que nada mais é do que superficial, pois não se prende ao mundo do coração. Que tudo, por mais grave que seja, quando é realmente importante, sobrevive aos conflitos e às desavenças mais ferrenhas.

Allyne Araújo & Erica Ferro

* * *

Yeaaah! Finalmente Allyne e eu conseguimos escrever algo em parceria! O mais curioso é que praticamente todo esse conto foi criado por SMS. Isso mesmo, por SMS! Aliás, adoro passar horas conversando por SMS com a fofura da Allyne.
Allyne, guria arretada, adorei escrever esse conto contigo. Que venham tantos outros contos e textos em parceria com a sua gentil pessoa!

Ah! Já ia esquecendo de avisar que sábado passado estive no Gurias Arretadas. Confira clicando aqui. Um abraço da @ericona, a desvairada.


07 novembro 2011

It's me

Não, por favor, não exija coerência de mim. Aliás, não requeira coisa alguma de minha pessoa. Bastam-me as pressões que exerço sobre mim mesma.
Perdoa-me, mas sou insana. Ou melhor, retiro a petição de escusa: foge ao que acredito ser correto rogar indulgência por quem sou.
Sim, eu sou desatinada. Porque não temo inspecionar dentro de mim. Reviro o meu coração, vasculho os meus pensamentos, revisto a minha alma. Não, não direi que é fácil faxinar a si mesma. É um trabalho árduo e infinito, porém necessário. Eu diria que é mais do que necessário: é essencial.
Honestamente, não sei como certas pessoas conseguem sobreviver fugindo de si mesmas. Diga-me, que fobia é essa de sentir? Que pavor é esse de se entender? Que pânico é esse de externar o que arde dentro do coração? Que mania é essa debandar de si mesmo?
Sim, eu sou maluca. Porque eu pleiteio comigo mesma, grito, ralho, me desespero e, depois de uns bons rounds, volto às boas com o meu eu.
É, nasci sem a capacidade de ignorar. Não ignoro o meu interior nem o meu exterior. Eu me importo. Importo-me com o que acho iníquo e me entristeço imensamente com pessoas que insistem em serem injustas umas com as outras.
Como alguém consegue meramente não se importar?
Com toda a minha sinceridade, aderir ao "deixa pra lá" é mais do que eu possa suportar.
Prefiro ser doida a ignorar o que me incomoda.
It's me.

Erica Ferro

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Sábado estive no Gurias Arretadas.
Confira clicando aqui.
Um abraço da @ericona.