24 março 2014

Fase regional Norte/Nordeste 2014 - Circuito Brasil Caixa Loterias

Estive na capital do Rio Grande do Norte, Natal, dos dias 14 a 16 de março, participando do Norte/Nordeste do Circuito Brasil Caixa Loterias. A competição foi uma eliminatória para as fases nacionais do circuito já anteriormente citado. 
A meta de qualquer atleta, paralímpico ou olímpico, é melhorar as suas marcas e, consequentemente, passar das fases regionais, chegando às nacionais e, assim, sucessivamente. Essa era/é/sempre será a minha meta primordial. As marcas classificatórias para passar às nacionais baixaram imensamente esse ano. Foram diminuições realmente chocantes, que, acredito eu, ninguém esperava. 
Enfim... foi um choque, um banho de água gelada, mas, passado esse momento de baque, minha equipe de natação da ADEFAL (Associação dos Deficientes Físico de Alagoas) e eu voltamos o nosso olhar para o que de fato deveria ser feito, que era nadar bem e dar o máximo para bater as marcas que dariam o passaporte para as nacionais. 
No dia 14 de março, um dia antes da competição, eu passei por uma banca de classificação funcional. Desde 2004 que eu estava numa categoria na qual me sentia em desvantagem em relação às outras competidoras (pelo grau de deficiência delas ser menor que o meu). Não me aquietei até que consegui uma outra chance de rever a minha classe na natação paralímpica. Consegui isso ano passado, no Meeting Cearense de Natação Paralímpica. Pois então, a minha classificação funcional deu uma baita dor de cabeça nos classificadores pela complexidade da minha deficiência. Demorou a sair o resultado, mas a boa nova veio: entrei na categoria na qual creio estar em igualdade com as outras competidoras. Fiquei aliviada e muito contente com a notícia. Para mim, foi um dos melhores momentos da competição.
Passada a ocasião da classificação, mirei a minha atenção em descansar e relaxar, para nadar bem no sábado e no domingo. Contei com um apoio muito bacana de familiares, professores e amigos da Biblioteconomia, amigos virtuais e até uma torcida de um carinha que admiro bastante e que está em tudo que é canto na mídia, o meu querido Fabio Porchat. Não só ele, mas também a sua família (mãe, padrasto, irmã etc). Essas pessoas queridas, que nunca me viram pessoalmente gostaram de mim primeiramente pelas minhas palavras (para ser mais específica, um texto no qual mostrei um olhar diferente do qual se vê por aí sobre o tema deficiência), e depois passaram a acompanhar um pouco do meu cotidiano e do que eu faço como atleta e como universitária. 
Digo, sem medo de exagerar, que foi uma das competições mais importantes da minha vida. Voltar a nadar o Circuito CAIXA foi emocionante, ainda mais em uma nova categoria, além de uma torcida maravilhosa, que me impulsionava por meio de mensagens positivas no Facebook, Whatsapp etc. Caramba, foi lindo demais! Venci, definitivamente, a Síndrome do Pânico nessa competição. Bateu uma ansiedade normal, típica de competição mesmo, mas nada além do normal e do esperado para um evento como esse. Para mim, foi outro dos momentos mais maravilhosos da competição. 
Nadei todas as provas disponíveis no programa de provas, ou seja, caí na piscina sete vezes. Foram sete chances de mostrar a mim mesma que eu poderia nadar mais forte, fazer o meu melhor e sair feliz da piscina por isso. Tudo bem que chorei muito depois da minha primeira prova, 100m costas, porque acreditava muito que me classificaria para as nacionais nessa prova. No entanto, não consegui. Foi frustrante na hora, mas depois enxuguei as lágrimas e me concentrei nas outras seis provas que ainda iria nadar. 
Consegui medalhar em todas as provas, foram seis ouros e uma prata. Os ouros vieram nos 100m costas, 100m livre, 50m livre, 200m medley, 400m livre e 100m borboleta. A prata foi nos 100m peito. Em relação às marcas que fiz, mantive algumas e melhorei um pouquinho em outras. Eu esperava resultados mais expressivos, claro, mas tenho a consciência de que dei o meu máximo nas provas que nadei. Estou tranquila quanto a ter feito o máximo possível em todas as vezes que saltei na piscina da UFRN. A classificação para as nacionais não veio porque o meu máximo não foi o suficiente para obter os índices. O foco daqui para frente só aumentará, com o intuito de fazer marcas mais significativas nas competições ao longo do ano.
O regional Norte/Nordeste 2014 foi incrível! Mudei de categoria, nadei tranquila, sem ansiedade desconcertante, conquistei medalhas e, sobretudo, revi nadadoras muito queridas por mim e estreitei laços com outras com as quais ainda não tinha tido um contato maior. No balizamento, era só alegria. Muita conversa, muita brincadeira, até mesmo para dar uma rasteira no nervosismo. O carinha do balizamento pediu silêncio umas tantas vezes e a gente ria ainda mais porque era muito engraçada toda a situação. Claro que sempre tem alguma criatura que tem uns ataques de estrelismo, mas é só não dar muita corda, que a pessoa se toca que está sendo tosca e para de abestalhamento (ou não, mas pelo menos fica conversando sozinha - risos -). E, carambolas saltitantes, a torcida foi a maior de todos os anos! Sim, já falei disso, mas quero fechar o texto falando novamente do apoio e carinho de um bocado de gente linda que "nadou comigo" nessa competição. É óbvio que o incentivo maior parte do próprio atleta, ele é quem se instiga a todo momento em pensamento, seja em treino ou em competição, mas, caramba, é muito lindo saber que mais pessoas acreditam em você e que, se pudessem, doavam um pouco de suas forças para você nadar ainda mais rápido e mais forte. Foi isso que senti em Natal, essa vibração positiva, reconfortante e maravilhosa. 
Meus familiares, em especial meus pais e meu irmão, vocês foram ótimos! Muito obrigada pelas ligações, mensagens de incentivo e de "estamos com você, independente de qualquer coisa!". Meus amigos, do mundo "real" e/ou virtual, vocês foram sensacionais, me mandando mensagens lindas, comentando coisas belíssimas nas minhas fotos e me dando um suporte incrível em toda a competição. E, por fim, um agradecimento especialíssimo a família Robinson e Porchat. Obrigada pelo apoio fundamental, o carinho sem igual e a torcida enorme. Vocês foram e estão sendo incríveis. Um abraço carinhoso a Isabella Robinson, Alice Porchat, Americo Rocha e... CLARO, um abraço demorado no loiro gente finíssima (agora até na silhueta - risos -) Fábio Porchat. Cara, por mais que fale, não vou conseguir expressar o carinho que sinto por vocês. Vocês são FORA DO NORMAL de tão sensacionais e incríveis que são! 

Natal, foi massa! Obrigada por tudo, Cidade do Sol!
Finalizei a competição com a sensação de dever cumprido, porém, obviamente, com vontade de treinar ainda mais e mais para obter resultados melhores nas próximas competições. Porque, no fundo, o que realmente importa é fazer o melhor que se pode fazer, sem mirar em ninguém, sem procurar rivalidade ou ter por meta ganhar de x ou y pessoa, mas sim buscar ser um ser humano melhor e um atleta cada dia melhor. Um atleta sem maturidade nunca vai entender a importância de ser um ser humano admirável antes de almejar ser um atleta com resultados expressivos. Eu admiro bem mais um atleta que tem no currículo resultados não tão expressivos, mas que noto que se esforça, que treina e que faz o seu melhor enquanto competidor, mas, sobretudo, quando percebo que ele é um ser humano admirável, que sabe o momento de falar e de calar, que não dá show de estrelismo em nenhum momento da carreira, seja quando adolescente ou quando atleta master. Um atleta, para ser admirado, precisa ser um ser humano bacana, com atitudes louváveis. É esse tipo de atleta e ser humano que procuro ser todos os dias. 

Agora, para finalizar o post, algumas fotos tiradas pré-competição, competição e pós-competição:

Pré-competição. Antes da primeira etapa de sábado.
No pódio, recebendo uma das seis medalhas de ouro.
Pré-competição. Última etapa, já no domingo, dia 16/03.
Esperando a prova dos 100m peito.
Estou sentada, a cor da minha touca é branca e o maiô é mesclado nas cores preta e azul.
Para ser mais exata, a segunda da direita para a esquerda.

Saída dos 100m peito. Sou a segunda, da direita para a esquerda.
No pódio, com as s8 mais queridas. Um abraço especial para Monica Veloso, que me passou ainda mais tranquilidade antes das minhas provas.
Pós-competição, já com todas as medalhas.
As meninas mais barulhentas e felizes da competição.
Felicitações do meu querido Porchat. Obrigada por tudo, loiro! Você é um cara FORA DO NORMAL!
Teve carinho espalhado em Facebook e também no Twitter. Esse Fábio e família são incríveis mesmo. Adoro vocês!
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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

04 março 2014

Resenha: Olho Por Olho - Livro 01 - Jenny Han, Siobhan Vivian


Olho por olho
Jenny Han, Siobhan Vivian
Novo Conceito
320 páginas

☺ ☺ ☺ ☺ 

Alguma vez você já quis realmente se vingar de alguém que a ofendeu? Talvez uma ex-amiga que a apunhalou pelas costas, ou um namorado traidor, ou um estúpido da escola que a humilhou desde que você era pequena… Alguma vez você já sonhou em envergonhá-lo na frente de todos? E, então, alguma vez você se uniu com outras duas pessoas para criar um elaborado esquema de destruição e revanche? A maior parte de nós não pode dizer que sim a todas essas perguntas (felizmente). Mas, certamente, todos nós somos capazes de nos identificar com muitos dos sentimentos de Kat, Lillia e Mary em Olho por Olho… No entanto, de um exercício de malícia, de uma simples brincadeira adolescente, o jogo do “aqui se faz, aqui se paga” poderá assumir proporções trágicas, em que até mesmo as leis da natureza vão se dispor, misteriosamente, a acalmar os corações ofendidos. Deixe-se levar por uma genuína história sobre o certo e o errado, o justo e o injustificável e procure entender — se possível — os verdadeiros motivos que transformaram estas três meninas. Dramático, honesto e fascinante, este é um livro que ultrapassa todas as expectativas!

Olho por olho, escrito por Jenny Han e Siobhan Vivian, é o primeiro livro da trilogia Burn for Burn, do gênero Young Adults. É uma literatura na qual os personagens são adolescentes e/ou jovens e as temáticas que são abordadas nas tramas são os típicos dilemas dessa faixa etária: a descoberta da sexualidade, bullying, busca ou fuga de popularidade, relacionamentos amorosos e/ou fraternais, uso e/ou abuso de entorpecentes etc. Costumo dizer, galhofeiramente, que me sinto com dezesseis, dezessete anos quando leio um YA. Não consigo ver como uma leitura desagradável ou boba. Claro, também é algo que varia de escritor para escritor, de livro para livro. É tudo uma questão de saber criar uma trama que seja envolvente, que retrate os adolescentes e/ou jovens como de fato são, com suas qualidades e defeitos. O escritor deve abrir mão dos esteriótipos, porque personagens caricaturados não convencem mais a um bom leitor.
Diante de tudo isso que escrevi nas linhas anteriores, posso dizer que Olho por olho foi um dos melhores livros de YA que já li até agora, pelo simples fato de as duas autoras terem conseguido explorar de forma satisfatória os conflitos internos e externos dos personagens, sem soar superficial ou de modo não convincente.
O modo como a vida de Mary Zane, Lillia Cho e Kat DeBrassio se interliga é bem inteligente, especialmente a de Mary com as duas últimas.
Cada uma delas carrega consigo o peso de um acontecimento (ou acontecimentos, no plural) inesquecivelmente desagradável, terrível, lastimável, que marcou as suas vidas de um modo negativo, de uma maneira que deixou cicatrizes profundas e que só a vingança pode amenizar, nem que seja por um pouco, as suas almas atormentadas.
A trama se desenvolve em Ilha Jar, um lugar praticamente isolado do mundo, extremamente pacato e bonito. Um lugar tão mágico, que ninguém arriscaria dizer que lá ocorreram tantos fatos tenebrosos.
Os capítulos se dividem entre as narrativas de Mary, Lilia e Kat. Gostei muito da construção das personagens principais. Mary, Lilia e Kat são diferentes entre si, mas, ao mesmo tempo, suas experiências dolorosas fazem com que elas tenham algo em comum no fim das contas.
Mary é a personagem que mais me comoveu durante todo o livro, e isso tem razão de ser. Mary tem a história mais dilacerante de todas, mais desconcertante das três. É com Mary que o leitor adentra no universo de dor e no desamparo das pessoas que sofrem e/ou sofreram bullying. Ela é frágil, mas, quando suas memórias pungentes voltam de quando em quando, Mary se transforma numa leoa e a sua capa de fragilidade explode e dela sai uma mulher cheia de ira, praticamente irreconhecível. Não dura muito toda essa ira, porque a essência dela é frágil, mas esses momentos de cólera mostram que alguns acontecimentos podem causar feridas tão profundas, que afetam terrivelmente uma personalidade. Lilia é rica, tem tudo o que quer desde sempre, e esse fato desperta admiração e inveja ao mesmo tempo por parte de uma porção de pessoas, especialmente de gente que se diz ser sua melhor amiga. Lilia, a princípio, não tem motivo para pensar em nada a não ser em como é uma pessoa de sorte por ter amigos maravilhosos e que a amam tanto, até que... Coisas acontecem (uma, em especial, realmente enojante) e ela passa a questionar a veracidade do sentimento de cada um que se diz seu amigo. Nem todo mundo é o que parece. Nem todo mundo que diz nos amar nos ama de fato. Nem todo mundo que parece angelical de fato tem algo de bom dentro de si. Lilia, aos poucos, se desfaz da fantasia de princesa perfeita e um tanto frágil e se descobre mais que humana, forte e ousada, como jamais se imaginou ser. Quanto a Kat, bem, a vida nunca foi um mar de rosas para Kat, em nenhum momento, mesmo. A vida de Kat é marcada por saudade e ausências. Kat é a memina má das três, não por acaso, não por rebeldia gratuita. Kat é quem é por tudo que o que houve e o que deixou de acontecer em sua vida. As dores e mágoas que carregam são provenientes da falta de pessoas que ela tanto amava e da raiva que sente de gente que a magoou terrivelmente, mas que, antes disso, era ou, ao menos se dizia ser, sua amiga.
Preciso discorrer sobre os personagens secundários, que têm uma importância crucial na estória. Disse anteriormente que as duas autoras fugiram dos esteriótipos. E fugiram mesmo. Rennie, Reeve, Alex e Ashlin, apesar de ostentar um comportamento e uma capa impecáveis, são trabalhados suficientemente bem. É possível entrar no mundinho particular de cada um e tentar entender a razão de eles serem como são. Jenny e Siobhan permitem que nós vejamos cada personagem além de suas carcaças, e isso, sem dúvidas, aumentou muito a minha estima pelo livro.
Coincidentemente ou não, o caminho do grupo de pessoas que destroçou a alma e o coração dessas meninas está contíguo ao delas e, pelo desejo de justiça e a sede de vingança, Mary, Lilia e Kat se unem para acertar as contas com essa gente que tanto mal causaram a elas.
O final de Olho por Olho é aflitivo e faz com que a mente do leitor entre em looping, repassando todos os acontecimentos e se perguntando se as coisas deveriam ter sido feitas da maneira que foram feitas, se valeram a pena, entre outras questões pungentes.
É um YA com um enredo consistente, com acontecimentos que são tratados de forma fiel a realidade, ainda que algumas circunstâncias sejam tratadas de um jeito moderado, o que é compreensível por ser um YA. Fica a indicação a todos que não têm preconceito literário, que apreciam uma boa e forte estória protagonizada por quem está começando a vida, mas que já tem uma bagagem imensa de experiências um tanto quanto cruéis.
Pretendo ler Dente por Dente (o segundo livro da trilogia já lançado no Brasil pela parceira do blog, a Editora Novo Conceito) em breve e postar a resenha também dele aqui. O que encerra a trilogia, Ashes to Ashes, ainda não foi lançado no Brasil, mas desconfio que não tarda a ser lançado.

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Book Trailer:

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