17 outubro 2014

Da falta


B1tch | via Facebook

Sinto falta de você. Muita. É tanta, tanta, que até machuca, às vezes. Só que me faço de forte e finjo que isso não me abate mais, entende? É a maneira que eu inventei de lidar com a distância que se somou à nossa costumeira distância.
Éramos dois solitários, um ao lado do outro. Estávamos juntos numa solidão poética, embalada por músicas que falavam de dor e de amor. E eu sempre tão, tão tentada a te falar do que eu sentia. Eu sentia que não era realmente sozinha. Eu tinha você; você, a mim. Éramos assim, tão ligados, ainda que jogados cada qual num canto do mundo. Estávamos conectados por um fio de beleza pura e singela. Era assim que eu enxergava. Enxerguei tudo errado, não é? Errei também quando achei que você gostava da minha companhia? Errei em considerar que, de alguma forma, eu fazia parte da sua vida?
Éramos dois solitários. Adorava quando você deixava o seu lado comumente quieto e jogava a capa de homem sério de lado e se mostrava pra mim tão como você de fato era (ainda é?). Você mudou? Ou eu nunca consegui ver a sua essência? Não, eu não me enganei. Eu sei quem você é. E eu amo quem você é. Amo tanto, que não posso mais lidar com isso, então tento embalar esse amor, mas nenhuma canção de ninar consegue fazê-lo dormir completa e profundamente. É que você foi sempre tão próximo a mim. Nossa conexão e sintonia eram tão lindas. Ai! Meu peito aperta quando penso na decisão que você tomou. Algo me diz que foi tão, tão errada, tão precipitada. Meu coração fica dilacerado ao pensar que você não trilhou por um caminho seguro, que, a qualquer momento, você será machucado, traído, ferido. Não sei se consigo aguentar ver você aos pedaços uma vez mais. Não posso permitir que alguém te machuque. Porém... O que posso fazer? Há uma dupla distância entre nós. Não estou mais ao seu lado. Não tenho mais como te proteger do perigo. Só posso ficar aqui, de longe, torcendo para que nada de ruim te aconteça. Você é tão lindo, tão puro, tão incrível. Não, você não pode sofrer mais, meu bem. Não é justo que te façam chorar ou duvidar do quanto você é especial. 
Porém... O que posso fazer? Titubeei. Perdi a vez. Antes que eu pudesse te convidar a andar comigo, ao meu lado, de mãos dadas, você foi em outra direção. Tão, tão longe de mim. Você sequer pode me ouvir de onde está agora. 
Meu amor, meu grande amor, te deixo ir, mesmo com esse nó na garganta e esse sentimento de apreensão pelo que pode ser de você sem mim. Deixo-te ir, mas olha, meu nobre cavalheiro, fuja caso o caminho se torne espinhoso e sombrio. Você merece trilhar por um caminho florido, com cheiro de rosas, ao lado de alguém que realmente possa te levar para um lugar de risos e calmaria. 
O amor que lhe tenho não tem prazo de validade. Está aqui, bem guardado, dentro do peito. Basta que você se volte para mim, abandone o passado e venha criar um presente todo novo, diferente de tudo que você já viveu e sonhou, que esse amor despertará com toda a força e vigor.

Erica Ferro

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15 outubro 2014

A jardinagem da vida


(3) Tumblr


É impossível ignorar a tristeza, a dor, o desalento e o desencontro que de quando em quando vem nos encontrar. É impossível, mas muitos tentam. Eu tento, você tenta, nós tentamos. É inegável. O duro mesmo é conseguir ignorar a angústia que sente prazer em rasgar um pouco mais a cada dia o nosso coração. Não importa se o problema é de pequeno, médio ou grande porte, a tristeza não é proporcional ao tamanho dos problemas que se jogam eventualmente à nossa frente. A tristeza, essa danada, tem um tamanho que não podemos calcular. Eu só sei que ela existe e que tem duas mãos que adoram apertar o nosso peito e dilacerar a nossa alma.
Há quem tente bloquear as consequências da tristeza ocupando a mente com mil e uma atividades. Inútil, óbvio. Por mais que nos ocupemos, nos enfiemos em atividades intermináveis, a dor estará ali, esperando a hora de nos agarrar quando nos distrairmos por um milésimo de segundo. Não dá para fugir do inevitável. Sentir é para os fortes. Eu sinto muito. Eu sinto tantas coisas. Penso em tantas outras coisas. A vida é um eterno pensar e sentir, sentir e pensar, fazer e sentir, pensar e fazer. É um carrossel que não para de modo algum, não dá trégua, não permite um momento sequer de descanso. O descanso se dá com a ciranda girando e girando. É um descanso confuso, agoniado. Por vezes, ignorar o girar da ciranda e mergulhar em pensamentos, dolorosos ou não, e se permitir sentir, de modo sutil ou intenso, é o remédio que alivia a alma, que dá um frescor aos nossos neurônios cansados do cotidiano frenético. 
Meu modo de viver é singular. Eu não tenho medo de mergulhar nessa imensidão que é o mar dos sentimentos. Sentir não é ser sentimental demais. Deixar cada célula absorver as sensações do momento não é ser sentimentaloide. Permitir-se sentir é ser humano. Humanidade tem a ver com isso mesmo: chorar, sofrer, perder. A vida pode ser cinza, às vezes. Pode e é. Pode e será. Uma vez ou outra. Faz parte da ciranda, entende? Faz parte do girar. Não tem nada a ver com a vida ser ruim para mim, para você ou para ele. A vida não é ruim. Ela não é a nossa carrasca. Não é o mundo, também. Não são as pessoas. Nós somos os nossos próprios carrascos. Isso parece muito papo de autoajuda, e eu lamento por isso. No entanto, de acordo com o meu modo de pensar, eu sou responsável pela minha dor. Não gosto de responsabilizar ninguém pelo que se passa em mim, por mais que alguém tenha me afetado, derrubado ou hostilizado. Eu posso modificar isso. É duro? É duríssimo. É dificílimo. Não é uma tarefa rápida. Transformar choro em riso não se dá de um dia para noite. Faz parte de um processo árduo, longo, mas executável. Posto que é executável, por que não nos jogarmos nele e enxugarmos nossas lágrimas e, finalmente, visualizarmos vários motivos para (sor)rirmos? A ciranda continua girando. Os ponteiros do relógio continuam em seu ritmo normal. O nosso tempo também permanece escorrendo por dedos das mãos, dos pés, pela alma. 
A vida é esse ganhar e perder, sorrir e chorar, amar e sofrer. É o viver, entende? Preparados ou não, estamos aqui e não podemos desperdiçar as oportunidades que surgem para nós. Que nos desliguemos do girar da ciranda quando precisarmos, mas nunca, em hipótese alguma, nos lancemos para fora dela. Não desistamos de nós mesmos. Não entreguemos os pontos. Não que seja questão de fraqueza, mas é que não vale a pena. A vida é grandiosa e linda, apesar de todas as adversidades que possam fazer parte dela.
A vida pode dar frutos, assim como também pode dar espinhos. Cabe a nós cuidar bem do nosso jardim, para que haja mais flores do que ervas daninhas.

Erica Ferro 

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11 outubro 2014

Resenha: Se eu ficar - Gayle Forman


Se eu ficar
Gayle Forman
Novo Conceito
224 páginas
☺☺☺
Sinopse: A última coisa de que Mia se lembra é a música.
Depois do acidente, ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... e o seu amor luta para ficar perto dela.
Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de todas.
Se ela ficar...


Faz pouco tempo que recebi Se eu ficar da editora parceira do blog, a Novo Conceito. Há muitos livros na lista dos “livros que preciso ler”, mas resolvi passar Se eu ficar na frente de todos os outros porque não aguentava mais todo mundo falando do livro – bem ou mal, mas falando – e eu sem saber do que o livro se tratava, se era ótimo, bom, razoável ou ruim.
Se eu ficar, da escritora Gayle Forman, é um livro que se lê “em dois tempos”. São 224 páginas muito bem fluídas, nas quais se é guiado pela narradora-personagem, Mia. No início, denominei-o como sendo um livro para jovens adultos, mas, com o passar dos acontecimentos, constatei que é um livro para todas as idades, ainda que os personagens centrais sejam jovens, prestes a entrar na fase adulta.
Como disse, quem narra o livro é Mia. Nossa narradora-personagem é muito bacana, ainda que, por muitas vezes, ela se deprecie ou não consiga enxergar o seu valor. Mia nos mostra o seu mundo: familiares, amigos e ao seu namorado Adam. Há algo em comum entre todas essas pessoas: a música. Os pais de Mia foram roqueiros, rebeldes e cheios de ideais revolucionários quando jovens. Eram da turma do “punk”. Depois que Mia nasceu, algumas coisas mudaram, mas o punk nunca os abandonou de fato. Mia, ao contrário dos pais, se apaixonou desde cedo pela música clássica e tornou-se violoncelista. Por essa razão, Mia às vezes se sentia estranha por não compartilhar dos mesmos gostos musicais de seus pais, e até de seu irmão bem mais novo, Teddy.
Gayle sabe adicionar uma gama de sentimentos e situações de maneira bem acertadas. No início, não consegui me empolgar com o par romântico Mia e Adam. Só no início mesmo. Pois, quando acontece toda a coisa devastadora na vida de Mia, o casal que Gayle criou começa a ganhar força e verdade. Se eu ficar pode ser até um livro de poucas páginas. Pode até se tratar da vida de uma jovem violoncelista, mas no que a vida dessa moça se transforma é algo que sacode o leitor e, segurando na mão de Mia, é levado a refletir sobre tanta coisa, especialmente sobre amizade, respeito, carinho e amor, em suas variadas formas.
Por que eu só dei três "estrelas" ao livro? Porque, apesar de admitir que é um bom livro, não foi uma estória que me tocou do início ao fim, que me ganhou por completo. Houve algumas partes que me fizeram sentir um nó na garganta e houve uma cena, em especial, que fez “meus olhos choverem.”.
Os personagens são bons, mas acredito que alguns poderiam ser mais bem trabalhados. Não sei o que mudaria, mas senti falta de uma maior profundidade na personalidade de uns, até mesmo a de Mia. Mia não leva muita fé em si mesma, se sente estranha em relação a muitas coisas, inclusive à própria família em alguns momentos. Ela teima em não entender ou admitir, mas é uma garota interessante e com carisma singular. Adam é um cara bacana, que eu gostei desde o início do livro. O modo como a música une Adam e Mia é sutil e doce. Os pais de Mia são um show à parte. A mãe tem uma força imensa: de opiniões fortes, mas de coração amoroso. O pai, sensível, mas com um senso de humor imenso. Teddy, o irmão dos cachos dourados, é uma criança adorável, divertida e com umas tiradas engraçadas. Kim, a grande amiga de Mia, é ótima. Sagaz, divertida e esquisita (de um jeito bom). Os avós da nossa violoncelista são amáveis e fofos. Senti vontade de abraçá-los em uns momentos do livro. Muita vontade mesmo. O casal amigo da família, Henry e Willow, também faz o livro ser bom. Willow tem um papel fundamental no desfecho do livro. Gostei da força que ela teve e de como conseguiu agir de modo sensato em meio ao caos.
Se eu ficar causa risos e choros. Trata de assuntos leves, mas também de questões devastadoras. É um livro dramático, romântico, triste, mas que fala de amor. Quando o amor está presente, vale a pena ler, ao meu ver. A diagramação é linda! Todas as páginas são decoradas com notas musicais. Fiquei muito encantada com o projeto gráfico. A Novo Conceito manda muito bem! Se eu ficar virou filme e vi comentários dizendo que o filme é mais emocionante do que o livro. Se eu chegar a assistir ao filme, faço o post contando o que achei da adaptação cinematográfica do livro de Gayle.
Há uma continuação do livro, e já foi lançada no Brasil pela Novo Conceito. Chama-se Para onde ela foi. Lerei assim que puder e postarei as minhas considerações acerca dele aqui no blog.

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03 outubro 2014

Resenha: Dente Por Dente - Livro 02 - Jenny Han, Siobhan Vivian



Dente por dente
Jenny Han, Siobhan Vivian
Novo Conceito
512 páginas
☺ ☺ ☺ ☺ ☺
Sinopse: Depois dos acontecimentos do homecoming, Reeve foi parar no hospital, com uma perna quebrada, e seu futuro como atleta está ameaçado. As meninas se sentem culpadas por toda a situação. Não esperavam que as consequências do plano fossem tão graves. Quase perderam o controle. Já que Reeve está mais arrogante do que nunca, o jeito será aplicar nele uma dose do seu próprio veneno e esperar que aprenda a lição. O acidente no baile deixou marcas profundas na consciência de Lillia, Kat e Mary. Sentimentos como amizade, lealdade e ódio se misturam, questionamentos sobre limites... Alguns segredos são mais difíceis de guardar. Aliás, o que são essas coisas estranhas que estão acontecendo com Mary? À medida que Lillia, Kat e Mary descobrem verdades incômodas sobre os moradores da ilha, percebem também que não se conheciam como pensavam. Cada vez mais elas lidarão com o sentimento de que talvez tenham ido longe demais...


Dente por Dente é o segundo livro da trilogia Burn for Burn e, como foi informado na resenha que fiz do primeiro livro, é do gênero Young Adults. Uma palavra que traduz bem o segundo livro da trilogia da Jenny e Siobhan é surpreendente. Creio que, em parte, foi pelo fato de eu não ter procurado ler comentários acerca da trilogia, para saber mais da estória etc. Isso conta muito para que o leitor possa ter a sua própria visão sobre o que está lendo, sem interferências. Não que pesquisar seja ruim, mas, no meu entender, no caso de livros, é preferível passar para o estágio de pesquisa quando se tem mais ou menos uma ideia do que se pensa sobre a obra.
O segundo livro de Jenny e Siobhan é ainda melhor do que Olho por Olho. Essa é a ideia de trilogias ou séries, certo? De melhorar a cada livro, para que o leitor se cative ainda mais pelas obras. No caso dessa trilogia, como disse antes, me fixei bem mais pelo que li das sinopses dos livros e simplesmente comecei a ler. O primeiro foi bacana, de fato, como contei na resenha, mas esse segundo... Caramba, é pra lá de bom!
Em Dente por Dente, nós visualizamos as consequências dos atos de vingança que ocorreram no primeiro livro. Sabe aquela frase que é creditada ao Seu Madruga ("A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.")? Pronto, fiquei com essa sensação ao ler Dente por Dente. Mary Zane, Lillia Cho e Kat DeBrassio, com o passar das páginas e dos acontecimentos, sentem o peso dessa frase na prática. É curioso ver a transformação das personagens principais, Mary, Lilia e Kat, como também dos personagens secundários, a exemplo de Reeve e Rennie, que são os secundários que mais se destacam nesse volume. Quando se é afrontado, chacoalhado e uma porção de verdades são praticamente cuspidas em sua face, a reação mais esperada é a de choque e de um autoexame e de análise das próprias atitudes e decisões. Foi bem bacana ver esse crescimento dos personagens, esse amadurecimento de cada um, os tornando mais humanos, capazes de se compadecer pelo outro.
Lilia, para vingar tudo o que ele fez por Mary (e a pedido da Mary, com ideia, claro, da engenhosa Kat), tenta fazer Reeve aprender algumas lições, mas acaba descobrindo outras coisas e o plano não sai exatamente como o esperado. Pelo contrário, o resultado é totalmente o contrário do que deveria ser. Rennie se mostra mais humana nesse segundo livro, mais capaz de se relacionar com pessoas de forma genuína, sem tanto interesse no que a outra pessoa pode proporcionar a ela. Eu detestei Rennie no primeiro livro e até certa parte do segundo, mas depois ela conseguiu me cativar e eu fiquei verdadeiramente triste com o que acontece com ela no desfecho do segundo livro.
Sobre o amadurecimento das três personagens principais nesse segundo volume da trilogia, as minhas queridas Lilia, Kat e Mary: Lilia dá continuidade ao seu processo de ser mais livre, desprendida, forte e ousada. Fiquei muito contente com as atitudes dela quanto a ousadia e a coragem de enfrentar várias adversidades. Kat, tão rebelde, começou a encontrar um ponto de equilíbrio. Mary... O que dizer dessa moça? Estou chocadíssima com as revelações sobre ela. Jenny e Siobhan realmente me surpreenderam muito com o lance da Mary, porque eu realmente não fazia ideia de que havia o fator paranormal nessa trilogia. Depois que terminei o segundo livro, fui pesquisar e realmente constatei que  há mesmo essa pegada paranormal na série, mas que não havia aparecido no primeiro livro. Só pude ver que havia algumas pistas no primeiro livro, quando de fato a paranormalidade foi meio que posta às claras no segundo livro. Então, analisando, pude ver que, realmente, no primeiro livro algumas pistas sobre isso foram jogadas em algumas páginas.
Estou adorando essa trilogia. O meu desejo de ler o livro final da trilogia é enorme. Quando terminei o segundo livro, fiquei tristíssima por lembrar que Ashes to Ashes ainda não foi lançado no Brasil. Fica aqui o apelo à Novo Conceito: minha querida editora, lança logo o final de Burn For Burn!
A capa é ótima, a diagramação, apesar de simples, é boa: a fonte é de um tamanho confortável para leitura. Se havia algum erro na edição, seja de digitação, gramatical ou de concordância, não identifiquei.
A indicação, como disse na resenha acerca do primeiro livro, é para todos que não têm preconceito literário e que gostam de embarcar em estórias comuns, mas que podem surpreender pela pungência e criatividade.

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