21 abril 2016

Filme: Zootopia


Título: Zootopia
Ano de produção: 2016
Direção: Byron Howard e Rich Moore
Duração: 108 minutos
Gênero: Ação; Animação; Aventura; Comédia; Família; Policial
País: Estados Unidos
Sinopse: Zootopia é uma cidade diferente de tudo o que você já viu. Formada por “bairros-habitat”, como a elegante Praça Sahara e a gelada Tundralândia, essa metrópole abriga uma grande diversidade de animais irreverentes sempre prontos para encarar uma nova e divertida aventura. Quando Judy Hopps chega em Zootopia, ela descobre que ser a primeira coelha da equipe da polícia, formada por animais grandes e fortes, não é nada fácil. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma aventura atrapalhada e bem humorada, ao lado do malandro raposo Nick Wilde para desvendar um grande mistério.

Creio que o fato de eu ser apaixonada por animações não é novidade para os leitores do Sacudindo Palavras. Já devo ter dito isso um bocado de vezes aqui, aliás. Penso que animações são sensacionais e geniais por terem a capacidade de falar do simples e do complexo e de atingir crianças e adultos ao mesmo tempo. Quando li a sinopse de Zootopia, soltei um "Que massa! Preciso assistir no cinema!". Imagina que fantástico uma animação que tem ação, mistério, aventura e comédia etc em doses certas? Assim é Zootopia.

Judy Hopps, uma coelha muito aguerrida, forte, destemida e sonhadora, nos ganha logo no começo do longa. Desde o início de sua vida, ainda uma coelhinha-criança, ela tinha um sonho que, segundo a maioria, era impossível: ser policial. Como uma coelha poderia figurar numa equipe policial, formada majoritariamente por animais de maior porte e fisicamente mais fortes? Judy não sabia como iria conseguir, mas sabia que daria um jeito de alcançar o seu objetivo.

Como podem supor, não foi fácil. Nossa amiguinha penou bastante para se tornar uma policial e, quando enfim se tornou uma, passou por várias situações constrangedoras, típicas pelas quais passam minorias. Ela precisava provar que poderia fazer as coisas, não coisas bobas, mas sim coisas grandiosas e verdadeiramente relevantes. Não sei se foi uma impressão minha, mas notei uma sacada muito boa dos roteiristas e diretores em problematizar o machismo, colocando em cena situações e comportamentos tão naturalizados que, só à luz do feminismo, se pode ter uma outra visão, desprovida de estigmas e livre de preconceitos.

Judy tem uma excelente qualidade: curiosa. E, graças à sua curiosidade, ela se achegou a Nick. E, se de início, foi uma ligação complicada por algumas razões, depois se tornou um elo natural e imprescindível para que, ambos, unidos, pudessem descobrir o que havia de errado em Zootopia. Nick, raposo sacana, bom de lábia e extremamente sagaz, ganha o espectador com facilidade. Judy e Nick, uma parceria inesperada que deu totalmente certo.

Zootopia discorre sobre temas muito importantes, de modo leve, mas certeiro. Machismo, feminismo, pré-julgamentos baseados em aparência, dentre outros assuntos. Uma lição que aprendi com essa animação é que eu, você e todo mundo podemos ser o que quisermos ser. Não nascemos predestinados a fracassar ou a vencer. Nossas escolhas é que irão nos levar além do que jamais ousamos sonhar em chegar. Não importa como somos fisicamente, mas sim o que há por dentro de nós. Nossa força é o que importa. É nosso caráter que vale. São nossas reais intenções que podem sugerir quem somos. Não devemos desistir do que realmente queremos, mesmo diante das adversidades e/ou dos olhares reprovadores e incrédulos. Não podemos perder a fé em nós mesmos, na nossa capacidade de ir além, de nos superarmos e alcançarmos os nossos sonhos mais profundos.

Os personagens são muito bem bolados, cada um com suas características marcantes. Judy e Nick, os protagonistas, são um show à parte. Porém, os pais de Judy ganharam meu coração pela sua fofura e cuidado com a filhota coelha. Eles me desapontaram por conta de alguns posicionamentos, mas que são explicáveis. Sendo assim, estão desculpados (risos). O prefeito e a vice-prefeita de Zootopia têm importância fundamental no desenrolar da investigação. Alguns componentes da equipe policial são simplesmente hilários e eu ri loucamente com algumas cenas. E, caramba, a parte policial da animação não deixa a desejar. Os animais, os ditos predadores de outrora, que na atualidade vivem como seres racionais e sociáveis, passam a agir de modo estranho e alguns retornam aos seus instintos selvagens, irracionais, causando tumulto e pânico em Zootopia. Judy e Nick precisam, então, encontrar respostas para os acontecimentos esquisitos e o desfecho é bom. Não que seja algo fora do comum, mas não é algo besta. A resposta do mistério me satisfez, bem como não achei tão óbvio o personagem que estava por trás de tudo o tempo todo.

A trilha sonora é sensacional! Há uma personagem que é uma espécie de fenômeno pop no mundo de Zootopia. É a Gazelle! Adorei esse nome (risos!). Quem dá voz a Gazelle é Shakira, diva, linda e dona de uma voz inconfundível. Sem mais delongas, corram para ver Zootopia nos cinemas. Garanto que, no mínimo, vocês vão se divertir bastante! Se chegarem a assistir, não esqueçam de comentar comigo o que acharam do filme. Combinado?

Quero deixar dois vídeos bem bacanas aqui, o primeiro é a música-tema de Zootopia e o segundo é o trailer:




Trailer


Erica Ferro

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11 abril 2016

Resenha: Todo Dia - David Levithan


Todo Dia
David Levithan
Editora Galera Record
280 páginas

☺☺☺☺

Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

Todo Dia tem uma premissa, no mínimo, curiosa. Já faz algum tempo que venho lendo resenhas positivas acerca dessa obra de David Levithan, mas, por uma razão ou outra, só me veio a real vontade de ler agora. Tenho uma porção de livros não lidos e quero doar cerca de 70% deles. A maioria é de parceria e há uma porcentagem ótima de obras bem bacanas, mas que não me desperta mais tanto interesse quanto antes. Como não há mais espaço na minha estante e eu quero muito adquirir uma porção de livros nos próximos meses que condiz muito mais com a minha atual fase de leitora, preciso liberar lugares no meu cantinho de livros.
E o dilema se deu. Depois que acabei de ler Garota Exemplar, fiquei perdida em meio a tantos livros físicos e alguns virtuais do meu acervo. Passei por uns momentos de "E aí, o que ler agora?". E, plim!, comecei a ler Todo Dia no Kindle que veio instalado no meu notebook (a Amazon me ofereceu trinta dias grátis, coisa que aceitei de bom grado). É o primeiro livro que leio de David. E, à medida que lia, fui sendo, gradativamente, enredada pela trama, pelo protagonista chamado, simplesmente, de A e por sua incomum forma de viver e existir.
Quando disse anteriormente que esse livro tem uma proposta no mínimo curiosa, me referi exatamente ao protagonista que David Levithan criou. Ele é um adolescente de 16 anos, mas ele não tem gênero definido. Eu estou me referindo a ele no sentido de ser e não de rapaz. Na tradução da Galera Record, A é tratado como ele, mas desconfio de que seja porque não há, em português, um pronome neutro equivalente ao it do inglês.
A acorda todos os dias no corpo de um adolescente diferente, mas sempre da sua idade. De início, achei estranho. É como se por um dia o dono do corpo ficasse "sem controle" de si mesmo, pois A está o hospedando por 24hrs. Não há explicações claras por que isso acontece, o protagonista não sabe nos dizer. A tenta interferir o mínimo possível na vida de cada adolescente cujo corpo hospeda a cada dia. De uma maneira misteriosa, ele tem acesso ao cérebro, contendo informações e memórias do dono do corpo; sendo assim, ele consegue agir do modo mais natural possível, sem despertar muitas suspeitas de familiares e amigos desses adolescentes.
Há uns dias em que A acorda num corpo de uma menina, em outros, num de menino. Essas meninas e meninos podem ser magros, gordos, baixos, altos, viciados em drogas, deprimidos, fúteis etc. Ainda que ele não possa mudar essas pessoas, porque não é seu direito, nem daria tempo de fazer isso em 24hrs, A tenta fazer com que o dia termine bem e que a pessoa cujo corpo ele "morou por um dia" tenha boas sensações a respeito do dia em que ela passou "fora do ar" sem saber.
As coisas passam a mudar dentro de e para A quando ele acorda no corpo de Justin, um garoto de personalidade duvidosa, sem tato no trato com os outros, com características morais deploráveis e irritantes, mas que namora uma moça muito legal chamada Rhiannon. A, um ser doce e agradável, se encanta pela moça e a proporciona um aprazível dia. Rhiannon estranha bastante o jeito do namorado, que, costumeiramente é um brutamontes, contudo resolve se entregar ao momento mágico e se apega ao que de bom o dia pode oferecer. É, então, que começa toda a saga de A para encontrar Rhiannon todos os dias, estando ele sempre em um corpo e local diferentes, bem como para revelar a ela o seu raro modo de vida.
Todo Dia se enquadra no gênero literário Jovens Adultos (Young Adults), gênero que não costumo ler com frequência, mas que, em geral, tenho a sorte de ler ótimas obras quando resolvo me aventurar por ele. Esse, em especial, me ganhou sem muito esforço. David Levithan escreve de uma forma fluida, gostosa e bonita. Nesse livro, ele aborda temas pertinentes, e, em sua maioria, procura prezar pelo respeito ao próximo, seja esse próximo como for. David é conhecido por retratar, em suas obras, questões muito importantes concernentes a comunidade LGBT. Não foi diferente em Todo Dia.
Além de delinear muitíssimo bem a homossexualidade, percebi problematizações essenciais, embora nas entrelinhas, no que se refere a identidade de gênero nesse livro, especialmente ao gênero líquido/fluído. O que achei sensacional da parte de Levithan, porque é algo que não vejo sendo abordado em livros, filmes etc. Ruby Rose, uma das detentas em Litchfield, do seriado Orange Is the New Black, se denomina como gênero fluído. Ela, junto com a sua então namorada Phoebe Dahl (neta do escritor Roald Dahl, que deu vida a Matilda), produziu um curta interessante sobre o tema. Vale assistir, pois parece ilustrar bem o que sente uma pessoa com essa identidade de gênero.
Por fim, quero dizer que A ganhou o meu coração, e o jeito com o qual descreveu o amor e ao ato de amar foi poético, tocante e emocionante. Minhas queixas com Levithan, e espero não dar nenhum grande spoiler aqui, se devem apenas aos fatos de ele ter retratado a obesidade de uma maneira pouco respeitosa, e que eu diria até, em certa medida, discriminatória. Fiquei um pouco chocada com essa parte, porque em todo o livro se vê uma preocupação enorme com o respeito e a dignidade ao ser humano e suas características/particularidades, então não entendi o porquê de Levithan ter tratado esse tema da forma como o tratou: desprovido de respeito e empatia. O segundo e último fato foi ter deixado em aberto algumas perguntas que ajudariam o leitor a entender a origem e o modo de vida de A, sobretudo em relação ao desfecho meio abrupto. Pelo que pesquisei, não há sequência para o livro, o que é uma pena, visto que não vou obter as respostas desejadas. Na verdade, será lançado, acredito que em breve, Another Day, que é a mesma estória, mas, dessa vez, sob a ótica de Rhiannon. Dei uma olhada nos comentários feitos nesse livro postados no goodreads e, pelo pouco que sei de inglês, os leitores ficaram um pouco decepcionados porque essa obra não se trata de uma continuação, assim parece que esse livro traz nada de novo ou revelador.
Ainda assim, com essas minhas ressalvas que não pude deixar de fazer, recomendo Todo Dia a todos que gostam de um bom romance. É uma trama que nos ganha pela premissa inovadora e pela fluidez como o enredo é desenvolvido. Quatro smiles para Todo Dia, de David Levithan!

Erica Ferro

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06 abril 2016

Uma alegre noite no parque

Queridonas e queridões, como estão vocês? Eu estou bem! Sabem como iniciei o meu mês de abril? Voltando a ser criança por uma noite! 


No último domingo, 3, fui a um parquinho de diversões aqui perto de casa. Nada de muito luxuoso, afinal moro em um bairro periférico de Maceió, mas de clima bacana e que me remeteu rapidamente a minha infância. Não que eu costumasse ir a muitos parques quando pequena, mas, quando havia uma rara oportunidade, lembro de ficar muito animada, querendo desfrutar de todos os brinquedos possíveis e das comidinhas que são vendidas em parques de diversões, dentre as quais as minhas favoritas eram (e ainda são!) algodão doce e maçã-do-amor. 


Tudo bem que sempre fazia uma baita sujeira quando comia maçã-do-amor, pois aquele docinho que cobre a maçã é bastante grudento, né? Mas, mesmo um pouco incomodada com a boca grudando de açúcar caramelizado, curtia bastante o momento de diversão. Era um momento mágico em que eu buscava eternizar ao aproveitar ao máximo cada segundo. Como é bom ser criança! 


E eu, no auge dos meus 25 anos (dia 27/05 faço 26), não me furtei a relembrar como é ser criança na noite do dia 3. Não consegui encontrar algodão doce nem maçã-do-amor pra comprar, mas, em compensação, entrei na pista dos carrinhos de bate-bate. Imagina que eu queria curtir o passeio de dois minutos e meio (no máximo, três minutos) no meu possante, enquanto os pequerruchos queriam bater no meu carrinho. E foi ótimo! Muito bom ver um montão de sorrisos no rosto das crianças e ouvir, deliciada, as gargalhadas de felicidade pura!


Sou meio medrosinha com altura, mas queria sentir de novo como era andar numa roda-gigante. Enquanto ela estava girando, estava tranquilo, estava tudo azul da cor do mar. Mas, gente, quando o troço parava no exato momento em que minha cadeirinha estava na parte mais alta da roda gigante, eu dizia, ensandecidamente, "desce, desce, desce... pelo amor de deus, desce... ai, meu deus, essa cadeirinha tá balançando... desce, pelamordedeus, deeeesce!". E o pior que o moço que estava no comando da roda gigante parece ter se esquecido de mim. Acho que dei umas quinze voltas no brinquedo, então depois de a minha cadeirinha ter parado umas quatro vezes numas partes altas que me davam taquicardia, eu decidi olhar pra o moço e sinalizar um "tá bom". Então, a roda parou e eu desci com as pernas meio trêmulas. Mas, mesmo assim, foi maravilhoso! Ri de nervoso e de contentamento! Me julguem: soy loca!



Depois, me chamaram pra ir num brinquedo chamado Minhocão. Pensei: "Deve ser tranquilo. Minhocão parece um nome de brinquedo tranquilinho, de boa, que não parece causar alvoroço.". Lá fui eu. O brinquedo era num formato de uma minhoca gigante e ela parecia amigável. Vi que o brinquedo parecia uma micro montanha russa, mas achei que eu iria encarar de boa. Comigo, estava um rapazinho por volta de uns catorze anos e uma menininha de sete anos. Subimos, tranquilamente, no brinquedo e o troço começou a correr loucamente. E, meu deus do céu, vocês não sabem o quanto eu gritei enlouquecidamente. De medo e histeria. Duas coisas que me causam um medo terrível: altura e velocidade em descidas. Gritava coisas como "ai, meu deeeeeeus... ai, vou morrer... aaaaaaaai, meu deeeeeeeeus... ai, jesus... aaaaaaaai...", e pensava "se sou cuspida desse negócio, não sobra pedaço de mim...". Enquanto gritava doidamente e tinha esses pensamentos super positivos, a menininha de sete anos gritava pra mim, entre gargalhadas altas, "você é muito medrosa...". E pronto, comecei a rir também e a me divertir, mesmo com medo, porque o meu medo louco e meu comportamento divertido fizeram uma garotinha sor(rir) à beça. Saí do brinquedo feliz da vida, segurando a mão da menininha, minha mais nova amiga de aventuras.


Por fim, fui num tal de crazy dance. Meu jesus cristinho, como o bagulho gira! Minha amiguinha ficou tontinha, tadinha. Só percebi que ela estava ficando "bêbada" com os giros depois de gritar loucamente, o que espero não ter prejudicado a audição da menina. Mas era bom, mesmo girando tanto e tão rápido! A garotinha saiu bravamente do crazy dance, e ainda disse "quero ir de novo!". Eita menininha de fibra! Adorei!


Sim, minha noite de domingo foi mesmo ótima e eu curti cada momentinho. Mesmo com medo em alguns brinquedos meio loucos, a diversão foi garantida. Falta muito isso em "gente grande": se permitir. Não ter vergonha de fazer coisas que dizem não condizer com a nossa idade. Eu não tenho medo algum do ridículo. O que é ridículo é deixar de fazer algo por medo de julgamentos alheios infundados. O bom da vida é aproveitar cada momento e tentar enxergar sempre o lado positivo de todas as situações. É procurarmos adquirir e manter dentro de nós, ao menos um pouco, a pureza das crianças e a sabedoria dos anciãos. 

Para finalizar a postagem, deixo aqui uma canção de Balão Mágico. Quem desconhece? Creio que uma porcentagem mínima dos brasileiros, né? Venham comigo relembrar da infância, embarcar nesse fantástico balão e sermos felizes. Porque ser feliz é o maior barato!


Erica Ferro

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